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PF cumpre mandados em Rio Preto e região contra esquema de ouro ilegal

Investigação da PF aponta Rio Preto como um dos destinos do ouro de origem ilícita movimentado pelo esquema que movimentou mais de R$ 5,2 milhões

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Polícia Federal
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A Polícia Federal cumpre, nesta sexta-feira (28/8), três mandados de busca e apreensão em Rio Preto e um em Mirassolândia, durante uma operação que investiga uma organização criminosa envolvida na aquisição e comercialização de ouro de origem ilícita. A ação é coordenada pela Delegacia de Polícia Federal de Cáceres (MT).

Ao todo, são cumpridos 22 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal, em endereços relacionados aos principais integrantes do grupo investigado. A organização teria atuação em Poconé (MT) e São José do Rio Preto (SP) e, segundo a investigação, participaria de diferentes etapas da cadeia de aquisição, circulação, comercialização e ocultação dos recursos obtidos com o minério.

As apurações indicam que o grupo teria movimentado mais de R$ 5,2 milhões em recursos relacionados às operações investigadas. Também foi identificada a negociação de aproximadamente 17,3 quilos de ouro.

A análise das movimentações financeiras permitiu à Polícia Federal reconstruir parte da dinâmica do esquema. Conforme os investigadores, a estrutura contava com fornecedores, operadores financeiros, intermediários, transportadores e compradores do minério.

Ouro saía de Mato Grosso

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Segundo os elementos reunidos durante a investigação, o esquema começava na região de Poconé, em Mato Grosso, onde o ouro era adquirido de fornecedores ligados à atividade garimpeira ilegal.

Os pagamentos eram realizados pelo núcleo financeiro da organização e, em alguns casos, utilizavam contas bancárias de terceiros. O mecanismo, de acordo com a PF, dificultava a identificação da origem e do destino dos recursos.

Depois da aquisição, o ouro era transportado por uma cadeia logística interestadual até São José do Rio Preto, onde era recebido e mantido em um estabelecimento utilizado para a custódia e posterior comercialização do minério.

Na cidade paulista, o ouro era intermediado junto aos compradores finais, encerrando o ciclo que, segundo a investigação, permitia transformar o minério de origem ilícita em recursos financeiros posteriormente redistribuídos entre os integrantes da organização.

Lavagem de dinheiro

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A PF também identificou mecanismos que teriam sido utilizados para ocultar e dissimular os valores obtidos com as negociações.

Entre as estratégias investigadas estão o uso de contas bancárias de terceiros, pessoas jurídicas e empresas que atuam no segmento de pagamentos digitais. Parte dos recursos recebidos era posteriormente pulverizada por meio de transferências eletrônicas e saques de elevados valores em espécie, dificultando o rastreamento da origem e a identificação do beneficiário final.

Os fatos investigados podem configurar, em tese, os crimes de usurpação de matéria-prima pertencente à União, lavagem de dinheiro e associação criminosa, sem prejuízo de outros delitos que possam ser identificados durante o andamento das diligências.

Nesta etapa, os mandados têm como objetivo localizar e apreender ouro, dinheiro, documentos e dispositivos eletrônicos, além de aprofundar a identificação dos integrantes da estrutura criminosa e do patrimônio que teria sido constituído com recursos provenientes da atividade ilícita.

A operação é resultado de um trabalho integrado envolvendo análise de dados financeiros, informações obtidas a partir de dispositivos eletrônicos e diligências de campo. Essas ações permitiram aos investigadores identificar a cadeia logística e financeira relacionada ao ouro, desde a aquisição em Mato Grosso até a comercialização no Estado de São Paulo.

O material apreendido durante o cumprimento dos mandados será analisado pela Polícia Federal e deverá contribuir para o prosseguimento das investigações.

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