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O que significa risco cirúrgico?

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel

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Para qualquer cirurgia, deve-se realizar uma avaliação de risco por meio de exames de sangue e exames cardiológicos, na tentativa de identificar algum fator que possa mudar a dinâmica da cirurgia ou, eventualmente, até contraindicar o procedimento. É muito importante, também, entender que um check-up satisfatório não é garantia absoluta de que tudo correrá perfeitamente bem durante a cirurgia e de que não haverá nenhum tipo de complicação.

Outro aspecto a ser ressaltado é que, nas cirurgias de maior complexidade, a probabilidade de complicações tende a ser maior, e isso teria uma certa lógica. Em procedimentos cardiovasculares e neurológicos, por exemplo, pelo fato de estarmos lidando com doenças graves em órgãos mais críticos, convive-se naturalmente com um risco maior de complicações. Porém, sabemos que o porte de uma cirurgia também não é garantia de que não haverá complicações. As cirurgias plásticas, com caráter estético, e uma cesárea são exemplos de procedimentos nos quais não queremos admitir que podem ocorrer complicações.

De uma forma geral, todas as pessoas que passarão por uma cirurgia devem conhecer quais seriam as possíveis complicações e, mais do que isso, quais seriam as complicações potencialmente fatais. Veja a lista abaixo:

Complicações mais frequentes e não letais

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1. Hematoma

Em geral, a própria incisão (corte) na pele pode, por si só, deixar uma vermelhidão no local, chamada de hematoma. Esse tipo de lesão pode ser tratado com o uso de compressas mornas e anti-inflamatórios.

2. Infecção na ferida

Além da vermelhidão, pode ocorrer acúmulo de pus no corte da cirurgia. Nesses casos, a primeira medida seria drenar essa secreção e, em algumas situações, complementar o tratamento com antibióticos.

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3. Dor

Como resultado da manipulação cirúrgica, seja ela mais superficial ou mais profunda, a sensação dolorosa pode ser controlada com analgésicos mais simples ou, eventualmente, com analgésicos mais fortes, como a morfina.

4. Cicatrização

Em qualquer cirurgia, sobretudo em uma cirurgia plástica, busca-se uma cicatriz final discreta e com bom formato. No entanto, sabemos que a cicatrização depende de fatores nutricionais e genéticos, além dos cuidados com a limpeza diária da ferida cirúrgica. Cicatrizes mais hipertróficas, queloides ou cicatrizes assimétricas podem ser possíveis complicações e podem ser tratadas com infiltrações ou mesmo por meio de uma cirurgia reparadora.

Complicações potencialmente letais

1. Hemorragia

Cirurgias de grande porte, como as cardiovasculares, neurológicas e oncológicas, convivem com o risco de hemorragias de diferentes magnitudes. Muitas vezes, é necessária transfusão de sangue após o procedimento. Em casos mais específicos, podem acontecer hemorragias de difícil controle, o que pode ocasionar uma parada cardíaca.

2. Embolização

A entrada de coágulos ou fragmentos de gordura dentro de vasos sanguíneos pode ocorrer em cirurgias ortopédicas, pelo fato de existirem fraturas ósseas, e também em cirurgias como a lipoaspiração, nas quais fragmentos de gordura podem ser incidentalmente acumulados dentro dos vasos sanguíneos.

A partir da entrada desses resíduos nos vasos sanguíneos, o destino pode ser o coração e os pulmões, podendo causar uma embolia pulmonar, ou seja, a interrupção da chegada de sangue aos pulmões.

A atriz Luana Andrade faleceu esta semana em decorrência de uma embolia pulmonar maciça, durante o procedimento de lipoaspiração.

3. Alterações cardiovasculares

Como resultado dos efeitos anestésicos, da manipulação cirúrgica e de eventuais ocorrências, como uma hemorragia, podem ocorrer arritmias cardíacas ou mesmo um infarto do coração ou um derrame cerebral.

4. Reações alérgicas (anafiláticas)

Os pacientes podem apresentar alguma reação grave diante do uso de alguns anestésicos e medicamentos durante a cirurgia. Essa reação grave pode evoluir com parada cardíaca e respiratória.

Quando a indicação de cirurgia for efetivamente a melhor opção, não se deve ter medo e desistir, pois as estatísticas demonstram resultados positivos na maioria dos casos. Logicamente, o risco de uma cirurgia sempre deve ser individualizado, mas simplesmente não operar por medo não seria a melhor medida.

No entanto, também não se deve operar sem critérios claros ou por certo preciosismo, por influência de outras pessoas, por pressão social ou por influência das redes sociais.

Busque sempre um profissional ou uma equipe que lhe agregue segurança e transparência e que não prometa resultados estrondosamente perfeitos, pois isso não existe.

Uma cirurgia tem o propósito de melhorar, atenuar ou corrigir alguma condição que esteja causando sintomas ou desconforto físico e mental. Não queira fazer uma cirurgia, principalmente cirurgias estéticas, por apelo das redes sociais, pois toda e qualquer cirurgia pode ter complicações, muitas vezes de forma surpreendentemente letal e inesperada.

Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago.

 

 

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