Cultura
Companhia de teatro de Rio Preto leva espetáculo a festival no litoral paulista
Companhia rio-pretense apresenta “Madame Curie” na 68ª edição do Festival Santista de Teatro, o mais antigo festival de artes cênicas em atividade no Brasil
A produção teatral de Rio Preto estará representada em um dos mais tradicionais palcos das artes cênicas brasileiras. A Cia. Apocalíptica participa da Mostra Estadual da 68ª edição do FESTA (Festival Santista de Teatro), considerado o mais antigo festival de artes cênicas em atividade no Brasil. A companhia apresenta o espetáculo “Madame Curie” no dia 21 de agosto, em Santos.
A montagem rio-pretense integra a Mostra Estadual ao lado de “Plástico, Um Mito Contemporâneo”, do Coletivo Passarinha/Ponto de Cultura Quintal Garatuja, de Campinas.
Criado em 1958 por Patrícia Galvão, a Pagu, o festival faz parte da memória cultural brasileira. A participação da Cia. Apocalíptica também amplia a trajetória da companhia, que há 13 anos mantém atividades de pesquisa, produção de repertório e formação de público no interior paulista.
“Se apresentar no FESTA é sempre uma grande honra para a Cia. Apocalíptica, deixar vivo o legado da Pagu e agora em consonância com o legado de Marie Curie, que em agosto faz 100 anos da sua vinda ao Brasil, é algo que nos instiga muito para esta apresentação”, afirma Lawrence Garcia, diretor artístico da companhia e diretor do espetáculo.
Arte e ciência no palco
Em “Madame Curie”, a Cia. Apocalíptica transforma a trajetória de uma das cientistas mais importantes da história em uma experiência que reúne diferentes linguagens. A montagem utiliza bonecos, sombras, palhaçaria, música ao vivo e experimentos científicos realizados diante do público.
Com dramaturgia de Stella Tobar, vencedora do Prêmio APCA 2024, e direção de Lawrence Garcia, o espetáculo percorre momentos importantes da vida de Marie Skłodowska-Curie.
A história aborda as pesquisas pioneiras da cientista sobre radioatividade, a descoberta dos elementos rádio e polônio, sua atuação durante a Primeira Guerra Mundial e os dois Prêmios Nobel que recebeu, nas áreas de Física e Química.
Marie Curie foi a primeira mulher a conquistar um Prêmio Nobel e tornou-se a única mulher a receber a premiação em duas categorias científicas diferentes. Na montagem, a cientista é apresentada para além da figura histórica conhecida nos livros. O espetáculo mostra uma mulher que enfrentou as barreiras de seu tempo para conquistar espaço em um ambiente que era, naquele período, predominantemente masculino.
A dramaturgia utiliza como ponto de partida uma liberdade poética: um diálogo que nunca aconteceu entre Marie Curie e sua filha mais nova, Ève Curie, autora da biografia da mãe.
A história se desenvolve durante a Conferência de Solvay, encontro que reuniu alguns dos principais cientistas do século 20. Entre os personagens do espetáculo está Albert Einstein. A apresentação em 2026 ganha um significado especial por ocorrer no ano que marca o centenário da visita de Marie Curie ao Brasil.
Companhia mantém produção em Rio Preto
Com 13 anos de trajetória, a Cia. Apocalíptica mantém uma produção contínua e diversificada em São José do Rio Preto. O repertório reúne espetáculos de teatro, dança, circo e música, além de contações de histórias, atividades formativas, jornada literária e um festival de artes integradas.
A companhia também desenvolve uma pesquisa direcionada especialmente ao público infantojuvenil. O trabalho reúne criação artística e formação de público, com temas voltados ao despertar da curiosidade de crianças e jovens, proposta que também está presente em “Madame Curie”.
Em circulação desde 2024, o espetáculo já passou por unidades do Sesc de São José do Rio Preto, Registro, Araraquara, Jundiaí e Casa Verde.
A montagem também integrou festivais nacionais de teatro realizados em Ourinhos, Jales e Taquaritinga, festivais literários em Araçatuba e Votuporanga e o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto.
FESTA chega à 68ª edição
Idealizado por Pagu em 1958, o Festival Santista de Teatro atravessou diferentes períodos da história brasileira. Durante a ditadura militar, assumiu caráter contestador e enfrentou episódios de censura e interrupções. As atividades foram retomadas em 1987.
Em 2009, o festival abandonou o modelo competitivo e passou a funcionar no formato de mostras.
O FESTA recebeu a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura em 2011 e, em 2020, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Santos.
A 68ª edição será realizada de 21 a 30 de agosto de 2026, com programação gratuita que reúne espetáculos regionais, estaduais e nacionais, além de debates, ações formativas e atividades paralelas.
Serviço
“Madame Curie”, da Cia. Apocalíptica
68ª FESTA – Festival Santista de Teatro
Data: 21 de agosto de 2026
Horário: 15h
Local: Teatro Guarany – Praça dos Andradas, 100, Centro, Santos – SP
Duração: 55 minutos
Classificação: livre
Entrada: gratuita
Site: festivalsantistadeteatro.com.br
Instagram: @cia.apocaliptica
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