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Amanda lutava contra a dependência química havia 17 anos

Mãe de três filhos, Amanda enfrentava a dependência química, mas não vivia em situação de rua, conforme apontado pela investigação inicial da Polícia Civil

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Arquivo pessoal
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Antes de ser vítima de um crime brutal que chocou Rio Preto e região, Amanda da Silva, de 30 anos, era conhecida pela família como uma mulher vaidosa, ligada à fé e especialmente dedicada aos três filhos, de 4, 5 e 7 anos. Natural de Jandira, na Grande São Paulo, ela vivia em Rio Preto havia aproximadamente sete anos e enfrentava, desde os 13 anos, uma luta contra a dependência química.

Foram 17 anos marcados por tentativas de tratamento, períodos de recuperação e recaídas. Apesar das dificuldades, familiares contam que Amanda procurava manter a proximidade com os filhos e demonstrava preocupação constante com eles.

A irmã, Ingrid Silva, lembra que, mesmo nos momentos mais delicados, Amanda fazia questão de saber como as crianças estavam e ligava, mesmo quando estava sem o aparelho celular.

Segundo a família, Amanda não vivia em situação de rua, como chegou a ser considerado no início da investigação da Polícia Civil. Ela tinha onde morar e, em alguns períodos, ficava na casa de amigos.

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A aparência também era uma característica marcante. Ingrid descreve a irmã como uma mulher cuidadosa e vaidosa, que gostava de estar maquiada, com as unhas feitas e usando brincos. A religiosidade fazia parte da vida de Amanda. Uma prima que a acompanhava de perto em Rio Preto a levava a consultas, à igreja e também ajudava nos cuidados com os filhos.

A amiga Nathália Honorato também guardava lembranças de Amanda ligadas à fé e à convivência entre as duas. Em uma publicação nas redes sociais, ela lamentou o caso.

“Amanda era incrível, com vários traumas na vida, mas não tinha maldade e tinha um coração incrível. Éramos da igreja, estudávamos juntas… que triste, deixou filhos e uma família desolada”, escreveu. Amanda deixa a mãe, quatro irmãos e três filhos. Parte da família mora em Barretos, onde deverá ocorrer o velório.

A dependência química acompanhou boa parte da vida de Amanda. Aos 13 anos, ela iniciou uma trajetória de tratamentos e recaídas que se estendeu por quase duas décadas.

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(Amanda da Silva foi assassinada e teve o corpo esquartejado, em Rio Preto. Foto: arquivo pessoal/redes sociais)

O desaparecimento

Amanda desapareceu em 19 de julho, depois de sair da casa de uma prima, no bairro Solo Sagrado. Naquele dia, disse que retornaria em pouco tempo, mas não voltou.

Oito dias depois, na manhã de 27 de julho, partes de um corpo humano foram encontradas dentro de sacos plásticos descartados em lixeiras na região do Parque Estoril. Outros segmentos foram localizados posteriormente, entre eles mãos e antebraços encontrados no piscinão do bairro.

A família passou a temer que os restos mortais fossem de Amanda, mas manteve a esperança até a confirmação oficial.

A identidade foi confirmada por meio do confronto das impressões digitais realizado pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), em São Paulo. As digitais encontradas nos antebraços e nas mãos permitiram a identificação.

De acordo com o delegado André Amorim, que coordenou os trabalhos da 3ª Delegacia de Homicídios da Deic, os investigadores já consideravam a possibilidade de que os restos mortais fossem de Amanda antes mesmo da confirmação papiloscópica.

A equipe analisou registros de pessoas desaparecidas e casos de perda de contato entre familiares. Depois de cruzar as informações, os policiais chegaram à família. Os parentes participaram do reconhecimento e forneceram material para os procedimentos de identificação.

“O corpo será liberado o quanto antes para a família fazer o sepultamento”, afirmou Amorim.

Suspeito confessou o crime

O açougueiro Marciel Jesus Dias dos Santos, de 29 anos, permanece preso temporariamente e confessou o assassinato. Durante a investigação, ele também reconheceu Amanda em fotografias apresentadas pelos policiais.

O suspeito, porém, apresentou uma versão própria para explicar a morte. Segundo ele, os dois se conheceram em uma praça e Amanda posteriormente foi até sua casa. No imóvel, conforme o relato de Marciel, ela teria iniciado uma agressão.

Ele afirma que a empurrou para se defender e que Amanda caiu, bateu a cabeça e perdeu a consciência. A partir disso, segundo a versão apresentada, decidiu esconder o corpo.

A investigação aponta que o cadáver foi desmembrado dentro da cozinha da residência e colocado em sacos plásticos. Marciel teria feito diversas viagens para transportar e descartar os restos em diferentes pontos do Parque Estoril, incluindo lixeiras e bueiros.

O homem nega ter mantido relação sexual com Amanda. Os exames periciais ainda são analisados para esclarecer todas as circunstâncias que envolveram a morte.

Depois de descartar partes do corpo, Marciel foi a um serv-festas, onde tomou uma cerveja e socializou com outras pessoas.

(Reprodução/ circuito de segurança) 

Vestígios na residência

Durante as diligências, policiais encontraram na casa do suspeito uma manta com vestígios de sangue, perfurações compatíveis com golpes de faca e produtos de limpeza que podem ter sido utilizados para tentar eliminar vestígios.

A perícia identificou grande quantidade de sangue oculto no imóvel. Segundo o delegado, existem indícios de que o ambiente tenha sido lavado e que as paredes da cozinha tenham sido pintadas depois do crime.

A análise inicial da Polícia Técnico-Científica indica ainda que Amanda pode ter sido morta sobre uma cama e posteriormente desmembrada. A arma que teria sido usada no crime foi localizada e apreendida. Os exames necroscópicos apontaram diversas perfurações no tórax da vítima antes do desmembramento.

Histórico de violência doméstica

Marciel já havia sido investigado por violência doméstica. Em março deste ano, uma ex-companheira registrou boletim de ocorrência relatando agressões durante uma discussão. Segundo o registro, ela afirmou ter sido mordida e atingida com socos e chutes.

Os dois tiveram um relacionamento de aproximadamente três anos e são pais de uma menina. Depois do registro, a mulher obteve uma medida protetiva.

Entre as determinações judiciais estava a participação do investigado em acompanhamento psicossocial. Em abril, o Ministério Público denunciou Marciel por descumprimento da medida, alegando que ele não compareceu ao acompanhamento e também deixou de atender a uma intimação para justificar a ausência.

Ele, entretanto, respondia ao processo em liberdade.

Investigação continua

A prisão temporária ocorreu na noite de 31 de julho, depois que câmeras de segurança registraram Marciel carregando sacos plásticos e levando-os até lixeiras próximas a uma marmitaria no Parque Estoril.

Agora, com a identificação oficial de Amanda, a Polícia Civil busca reconstruir os últimos momentos da vida dela e confrontar a versão apresentada pelo suspeito com os elementos reunidos na investigação.

Neste momento, o caso é tratado como homicídio e ocultação de cadáver. A Polícia Civil ainda deverá avaliar a tipificação definitiva a partir dos resultados periciais e das demais provas.

Esta reportagem é exclusiva do jornal Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.

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