Cidades
Após desovar corpo, açougueiro comprou cerveja em serv-festas, diz delegado da Deic
Homem de 29 anos foi preso na noite desta sexta-feira (31/7); Polícia Civil vai pedir conversão do crime para feminicídio e ocultação de cadáver
O açougueiro de 29 anos preso na noite desta sexta-feira (31/7) pelo assassinato e esquartejamento de uma mulher em Rio Preto levou uma vida aparentemente normal logo após abandonar partes do corpo da vítima em lixeiras no bairro Parque Estoril. Segundo o delegado André Amorim, da 3ª Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) do Deinter-5, imagens de câmeras de segurança mostram que, depois de descartar os restos mortais, o investigado foi até um serv-festas da cidade, comprou uma cerveja e conversou tranquilamente com outras pessoas. Assista a entrevista na íntegra, no canal do Gazeta de Rio Preto no YouTube, clicando aqui.
“É de se crer que ele tenha um convívio social bem normal e tranquilo. Após deixar a última porção do corpo, ele aparece nas imagens de circuito indo a um serv-festas, comprando uma cerveja e conversando como se nada tivesse acontecido”, afirmou o delegado.
O investigado, identificado pelas iniciais M.D.S., mora a aproximadamente 600 metros das lixeiras onde abandonou partes do corpo da vítima. Ele foi preso em casa durante o cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela Justiça.
Ele também tem histórico de violência doméstica e uma medida protetiva em seu desfavor.
A prisão foi realizada por equipes da Delegacia de Investigações sobre Homicídios (DH), da Deic/Deinter 5, com apoio da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise). Segundo a Polícia Civil, ele não ofereceu resistência e foi encaminhado para a sede da Deic, onde permanecerá preso temporariamente por 30 dias, prazo previsto para a conclusão do inquérito.
Crime teria começado após encontro na rua
A vítima ainda não foi oficialmente identificada e nenhum familiar a reconheceu até o momento. Em depoimento informal, o investigado afirmou aos policiais que a mulher vivia em situação de rua. Segundo ele, os dois se conheceram na rua e seguiram para a residência dele, onde fariam uso de drogas e manteriam relações sexuais.
O imóvel onde o crime ocorreu é pequeno, composto por dois cômodos nos fundos de um terreno: uma cozinha, um espaço onde fica a cama e um banheiro.
De acordo com os primeiros levantamentos da perícia, a mulher teria sido morta sobre a cama. A Polícia Civil ainda aguarda os laudos periciais para esclarecer a dinâmica do homicídio. Até o momento, não há confirmação se a vítima dormia quando foi atacada, se morreu por estrangulamento, se teve a cabeça decepada antes da morte ou se sofreu golpes de faca.
A perícia encontrou grande quantidade de sangue no imóvel. Conforme a investigação, o suspeito tentou eliminar vestígios utilizando produtos de limpeza e chegou a pintar uma das paredes da cozinha. Durante as buscas, policiais também apreenderam uma mochila, facas e outros objetos cortantes, que serão submetidos à perícia.
Segundo a investigação, partes do corpo da vítima foram colocadas dentro da mochila e levadas a pé até as lixeiras localizadas nos fundos de uma marmitaria no Parque Estoril. Nem todos os restos mortais foram encontrados. As mãos, os ombros e outras partes do corpo continuam desaparecidos.
Corpo foi encontrado em lixeiras
O caso ganhou grande repercussão na última segunda-feira (27/7), quando um funcionário de uma marmitaria encontrou um pé humano com as unhas pintadas dentro de uma lixeira e acionou a Polícia Militar.
Durante as buscas, outros membros foram localizados embalados em sacos plásticos e distribuídos entre duas lixeiras. Conforme informou o delegado André Amorim durante coletiva de imprensa realizada na terça-feira (28), os restos mortais pertencem a uma mulher branca, com idade aparente de aproximadamente 35 anos.
A Polícia Científica recolheu para exames necroscópicos e genéticos a cabeça, os fêmures, um braço, um pé, parte do abdômen, das costas, as mamas e alguns órgãos internos. A morte pode ter ocorrido cerca de 72 horas antes da localização do corpo.
Investigação
Desde a descoberta do crime, investigadores da Delegacia de Homicídios realizaram diligências ininterruptas, oitivas, análises periciais, coleta de provas e trabalho de inteligência policial que permitiram identificar o suspeito e solicitar sua prisão.
Embora o caso tenha sido registrado inicialmente como homicídio, o delegado André Amorim informou que irá representar pela conversão da investigação para os crimes de feminicídio e ocultação de cadáver.
As investigações prosseguem para esclarecer todas as circunstâncias do assassinato, identificar a vítima e concluir o inquérito policial, que será encaminhado ao Poder Judiciário.
Esta reportagem é exclusiva do jornal Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.
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