Política
Duas novas CPIs na Câmara miram denúncias sobre Esporte e compra de sítio
Pedidos apresentados por Montenegro e Rillo tratam de suposta “rachadinha” no Bolsa Atleta e da compra de imóvel rural em Talhado
A Câmara de Rio Preto recebeu dois novos pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que colocam novamente sob investigação parlamentar denúncias envolvendo o governo do prefeito Fábio Candido (PL). Um dos requerimentos, apresentado pelo vereador Alexandre Montenegro (PL), pretende apurar uma suposta cobrança de valores de atletas beneficiários do Bolsa Atleta. O outro, reapresentado por João Paulo Rillo (PT), retoma a tentativa de investigar a compra de um sítio no distrito de Talhado pelo prefeito e pela esposa, Josiane Candido.
Os dois requerimentos foram protocolados em 18 de setembro e já têm cinco assinaturas cada: Montenegro, Renato Pupo (Avante), Pedro Roberto (Republicanos), Rillo e Abner Tofanelli (PSB) no pedido relacionado ao Esporte; e Rillo, Pedro Roberto, Montenegro, Abner e Pupo no caso do sítio. Para a instalação de uma CPI, são necessárias oito assinaturas, o equivalente a um terço dos vereadores da Câmara.
Suposta “rachadinha” no Bolsa Atleta
O requerimento de Montenegro, chamado de “CPI do Esporte”, pretende investigar denúncias de que atletas beneficiários do programa municipal Bolsa Atleta seriam pressionados a repassar parte ou a totalidade dos recursos recebidos.
Segundo o documento, as denúncias chegaram ao gabinete do vereador acompanhadas de áudios, comprovantes de transferências bancárias e outros registros. O requerimento cita um Pix de R$ 500, realizado em agosto de 2025 por um atleta para a conta de um treinador e representante do boxe municipal.
Montenegro afirma que, segundo os relatos apresentados, os repasses poderiam chegar a oito parcelas anuais de R$ 1.500 por atleta. A denúncia também menciona uma reunião envolvendo integrantes da Secretaria Municipal de Esportes, na qual teria sido discutida a situação.
O requerimento reproduz trechos de uma gravação em que, segundo Montenegro, aparecem o secretário de Esportes, Mauro Neves, e o dirigente da pasta. Em um dos trechos citados, há referência a uma denúncia contra o treinador e à devolução de valores do Bolsa Atleta.
O documento também afirma que a reunião teria ocorrido em meio à preocupação com a repercussão pública do caso e cita uma fala atribuída a integrantes da secretaria sobre o impacto que uma eventual divulgação poderia provocar.
Outro trecho reproduzido no requerimento aponta uma suposta extensão da prática para outras modalidades esportivas. A afirmação, atribuída a um dos participantes da conversa, é: “Sei que todas as outras modalidades têm, ainda mais de lutas.”
As acusações, porém, constam no requerimento como fatos a serem investigados pela comissão e não representam conclusão sobre a existência de crime ou irregularidade. O pedido pretende ouvir atletas, treinadores, servidores e demais envolvidos, além de analisar a concessão e a prestação de contas do Bolsa Atleta nos últimos exercícios.
CPI do Sítio é reapresentada
O segundo requerimento retoma uma investigação que já havia sido tentada na Câmara. Em maio, o vereador Pedro Roberto apresentou a chamada CPI do Sítio, para apurar a compra de um imóvel rural em Talhado e outras operações imobiliárias relacionadas ao prefeito, familiares e pessoas próximas. O pedido, no entanto, terminou arquivado porque reuniu sete assinaturas, uma a menos que o mínimo necessário.
Agora, Rillo reapresenta a proposta. O novo requerimento concentra a investigação na aquisição de um imóvel rural de aproximadamente 1,5 alqueire, em Talhado, comprado em junho de 2025 por Fábio Candido e pela esposa.
A documentação da transação registra o negócio por R$ 200 mil. Já depoimentos prestados à Câmara por antigos proprietários apontaram que o valor efetivamente pago teria sido de R$ 600 mil, uma diferença de R$ 400 mil. O caso também foi levado ao Ministério Público pelos vereadores e chegou a gerar inquérito policial.
O novo pedido de CPI pretende esclarecer o valor efetivamente pago, a forma de pagamento, a origem dos recursos e a eventual existência de valores não registrados na documentação da negociação.
A reapresentação ocorre poucos dias depois de uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou o inquérito policial aberto para investigar a compra dos imóveis. Segundo a decisão, como o prefeito possui foro por prerrogativa de função no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a investigação deveria ter sido submetida previamente à autorização e supervisão judicial.
A decisão do STF, contudo, não equivale a uma conclusão sobre a regularidade ou irregularidade da compra. O novo requerimento da Câmara pretende justamente apurar, no âmbito do Legislativo, as circunstâncias da negociação.
Dois pedidos, cinco assinaturas em comum
Os dois requerimentos têm os mesmos cinco vereadores como signatários: Alexandre Montenegro, Renato Pupo, Pedro Roberto, João Paulo Rillo e Abner Tofanelli. A diferença está nos autores: Montenegro apresenta o pedido relacionado ao Esporte, enquanto Rillo reapresenta a CPI do Sítio.
Para que qualquer uma das duas comissões seja instalada, os autores ainda precisam conseguir mais três assinaturas.
As propostas também surgem em um momento em que a Câmara já mantém uma CPI em funcionamento para investigar o convênio de R$ 11,7 milhões entre a Prefeitura e a Santa Casa de Casa Branca, posteriormente anulado pelo município.
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