Cultura
Rio-pretense integra equipe de ‘Bridgerton’ como florista e atriz em Londres
Carolina Belarmino descobriu a paixão pela atuação nos bastidores da série e hoje participa de produções internacionais; curta-metragem escrito, produzido e estrelado por ela foi selecionado para festival nos Estados Unidos
A rio-pretense Carolina Belarmino, de 31 anos, encontrou nos bastidores de grandes produções internacionais um caminho profissional que não imaginava seguir. Moradora de Londres, ela trabalhou como florista na série “Bridgerton” e, durante as gravações, descobriu a vontade de atuar. Desde então, participou de produções como “The Crown”, “House of the Dragon”, “My Lady Jane”, “Slow Horses” e “War”. Atualmente, dedica-se à carreira de atriz e desenvolve projetos autorais no cinema.
Carolina cresceu no Jardim Conceição, próximo à Boa Vista, em São José do Rio Preto, onde viveu até os 25 anos. Antes de se mudar para a Inglaterra, trabalhava com decoração de casamentos e começava a ampliar sua carteira de clientes. Com a chegada da Covid-19, porém, todos os eventos que havia contratado foram cancelados.
A oportunidade de viajar para Londres surgiu como uma alternativa para investir na carreira. Ela decidiu estudar por um mês na London Flower School, com o objetivo de aprimorar as técnicas florais e enriquecer o currículo para quando os eventos fossem retomados.
“Eu nunca tive o plano de me mudar para Londres. Eu era uma decoradora de casamentos e amava minha profissão”, conta.
O que seria uma estadia curta acabou se prolongando. Com o agravamento da pandemia e a inclusão do Brasil na lista vermelha de restrições de viagem do Reino Unido, Carolina não conseguiu voltar na data prevista. Em vez dos dois meses que inicialmente imaginava passar fora, ficou 13 meses sem retornar ao país.

(Carolina Belarmino/ arquivo pessoal cedido ao Gazeta de Rio Preto)
Em outubro, ela completa seis anos na capital britânica. Seu primeiro emprego foi como florista auxiliar de um designer floral. Depois, passou a trabalhar em uma grande empresa do setor, que realizava entregas durante a pandemia. Com a retomada dos eventos, tornou-se florista freelancer, atendendo casamentos e outras produções.
A adaptação ocorreu gradualmente, enquanto ela aguardava a possibilidade de voltar para casa. A cada mês, acreditava que as fronteiras seriam reabertas e que poderia embarcar para o Brasil.
“Era janeiro, eu pensava que ia embora em fevereiro. Aí vinha fevereiro, eu pensava que ia embora em março. E assim por diante”, lembra.
Nesse período, organizou a vida em Londres, encontrou um apartamento para dividir com colegas e continuou trabalhando com flores. A distância da família foi uma das maiores dificuldades, mas as chamadas de vídeo ajudaram a manter o contato. Hoje, conversa com os familiares praticamente todos os dias. O frio e os dias escuros do inverno londrino também pesaram na adaptação. Sempre que possível, ela tenta passar esses meses no Brasil.

(Carolina Belarmino/ arquivo pessoal cedido ao Gazeta de Rio Preto)
Oportunidade em ‘Bridgerton’
A entrada de Carolina no universo audiovisual aconteceu quando os eventos presenciais começaram a ser retomados. Muitos floristas estrangeiros haviam voltado aos países de origem durante a pandemia, aumentando a procura por profissionais e deixando as equipes com agendas cheias.
Em uma quinta-feira, enquanto trabalhava em um casamento, ela recebeu uma mensagem de uma colega que procurava alguém para cobrir um serviço em um set de filmagem na segunda-feira seguinte. Como já tinha um compromisso, Carolina inicialmente disse que não poderia aceitar, mas se ofereceu para tentar encontrar outra pessoa.
“Contatei algumas pessoas e realmente ninguém tinha disponibilidade. Dez minutos depois recebi a mensagem da empresa que havia me agendado para a segunda dizendo que o evento havia sido cancelado e que eu ainda podia ir para ajudar a organizar o galpão se eu não quisesse perder o dia trabalhado. Disse que não precisava e imediatamente liguei pra colega e disse que estava livre, parece que era pra ser. No sábado fiz teste de Covid, na segunda estava no set. Cheguei sem saber o que era. Apenas lá que me contaram”, relembra. “Parece que era para ser.”
No set, Carol prestava serviços para uma empresa responsável pelo fornecimento de flores e plantas para produções cinematográficas. O material e o projeto já estavam preparados quando ela chegava, e sua função era executar o trabalho previsto pela equipe de direção de arte. A quantidade de profissionais variava conforme a cena. Em alguns dias, ela trabalhava apenas com um ajudante. Em sequências maiores, como as de bailes, a equipe podia reunir mais de oito floristas, além dos auxiliares.
Na reta final da segunda temporada, Carolina passou a atuar como standby florist, profissional que acompanha as gravações para garantir que os arranjos e a decoração floral estejam adequados e fazer alterações solicitadas pelo diretor ou pelo diretor de arte. A rotina exigia jornadas extensas. Ela chegava muito cedo para preparar os ambientes e, em algumas ocasiões, permanecia até a madrugada, acompanhando as filmagens.
A experiência também revelou a dimensão do trabalho coletivo por trás de uma produção audiovisual.
“Foi minha primeira vez em um set de filmagem e acabei me apaixonando por tudo. Principalmente em uma produção tão gigante quanto ‘Bridgerton’. É incrível ver a quantidade de pessoas que trabalham com excelência para que o projeto tenha sucesso. É muita gente para o figurino, a decoração, câmera, iluminação, tudo, e cada papel, mesmo que pequeno, é fundamental”, afirma.
Foi justamente durante essa experiência que um antigo desejo voltou a ganhar força. Ainda no set, Carolina se inscreveu em uma escola de atuação e começou a planejar uma mudança de carreira.

(Carolina Belarmino/ arquivo pessoal cedido ao Gazeta de Rio Preto)
De florista a atriz
Durante o curso, Carol também se cadastrou em agências de figuração. A intenção era conhecer melhor o funcionamento das produções e aprender com os profissionais que atuavam nos bastidores, assim como havia feito em “Bridgerton”. Depois disso, participou de trabalhos em “The Crown”, “House of the Dragon”, “My Lady Jane”, “Slow Horses” e “War”, além de muitas outras produções.
Mesmo após concluir a escola de atuação, continuou fazendo figuração. Embora também trabalhe como atriz em filmes e comerciais, ela vê nessa atividade uma oportunidade de participar de grandes produções e ampliar a experiência diante das câmeras. A mudança profissional foi definitiva: Carolina deixou de atuar como florista para concentrar seus esforços na carreira artística. Hoje, prepara arranjos apenas ocasionalmente, como presentes de casamento para amigas.
Outra atividade que passou a exercer é a de props dresser, profissional responsável pela preparação e organização dos adereços utilizados nas cenas.

(Carolina Belarmino/ arquivo pessoal cedido ao Gazeta de Rio Preto)
Curta-metragem selecionado para festival nos EUA
Além dos trabalhos em produções internacionais, Carolina passou a investir em projetos próprios. Ela escreveu, produziu e protagonizou “DOMA”, curta-metragem filmado no Brasil e dirigido pelo cineasta britânico Alex Igbanoi.

(Divulgação)
A obra foi selecionada para o Austin Film Festival, nos Estados Unidos, evento reconhecido no circuito cinematográfico e que possui categorias qualificadoras para o Oscar. Para Carolina, a seleção é motivo de orgulho por representar o reconhecimento de um projeto do qual participou em diferentes etapas, da criação à atuação.
“O objetivo é transformá-lo em um longa-metragem e continuar a contar essa história. E o plano como atriz é continuar encontrando projetos e histórias em que acredito para dar vida a novas personagens. Meu foco principal hoje é a atuação e busco estar no set sempre. Também continuo participando de aulas, workshops e festivais de cinema”, conclui.

(Carolina Belarmino/ arquivo pessoal cedido ao Gazeta de Rio Preto)
Esta reportagem é exclusiva do jornal Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.
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