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Vítima de esquartejamento em Rio Preto era mãe de três filhos, afirma Deic

Amanda da Silva, de 30 anos, era usuária de drogas; família foi localizada pela Polícia Civil após investigação cruzar dados de pessoas desaparecidas

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Reprodução/ Redes Sociais
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A mulher encontrada morta e esquartejada em Rio Preto foi identificada como Amanda da Silva, de 30 anos. Mãe de três filhos pequenos (o mais velho de 7 anos) e usuária de drogas, ela estava havia cerca de 15 dias sem manter contato com a família, em Jandira, a 437 km da cidade, quando seu nome passou a integrar as linhas de investigação da Polícia Civil. Ela estaria vivendo em situação de rua em Rio Preto.

“O corpo será liberado o quanto antes para a família fazer o sepultamento”, afirmou o delegado André Amorim, que coordenou as investigações na 3ª Delegacia de Homicídios da Deic

A confirmação da identidade foi comunicada nesta segunda-feira (17/8) à Delegacia de Investigações Criminais (Deic) do Deinter-5, após o Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), em São Paulo, realizar o confronto das impressões digitais. Amanda foi identificada a partir das digitais encontradas nos antebraços e nas mãos localizados durante as buscas.

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(Amanda da Silva tinha 30 anos, morava em Jandira (SP) e deixa três filhos. Foto: Divulgação)

Segundo Amorim, antes mesmo da confirmação papiloscópica os investigadores já trabalhavam com a possibilidade de que os restos mortais pertencessem a Amanda.

A equipe analisou registros de pessoas desaparecidas e casos de interrupção de contato com familiares. A partir da compatibilidade das informações reunidas, os policiais chegaram à família da vítima e fizeram contato. A reação inicial dos familiares, segundo o delegado, foi de perplexidade. Eles realizaram o reconhecimento, mas a identificação pelas impressões digitais foi determinante para encerrar essa etapa da investigação.

A apuração teve início em 27 de julho, quando partes de um corpo humano foram encontradas dentro de sacos plásticos descartados em lixeiras na região do Parque Estoril. Outros segmentos foram localizados posteriormente, entre eles mãos e antebraços encontrados no piscinão do bairro.

Suspeito reconheceu Amanda por fotografias

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Preso temporariamente, Marciel Jesus Dias dos Santos, de 29 anos, confessou o assassinato e reconheceu Amanda por meio de fotografias apresentadas durante a investigação.

O suspeito, entretanto, apresenta uma versão diferente para a morte. Segundo o relato dele, os dois teriam se conhecido em uma praça e, posteriormente, Amanda foi até a casa dele. No imóvel, de acordo com a versão apresentada por Marciel, ela teria iniciado uma agressão contra ele.

Ele afirma que, para se defender, a empurrou. Amanda teria caído, batido a cabeça e desmaiado. A partir daí, o investigado sustenta que decidiu esconder o corpo.

Segundo a investigação, Marciel desmembrou o cadáver dentro da cozinha da própria residência e transportou os restos mortais em sacos plásticos, fazendo várias viagens até pontos diferentes do Parque Estoril, onde os descartou em lixeiras e bueiros.

O homem também nega que tenha mantido relação sexual com a vítima. A Polícia Civil ainda analisa os exames periciais para esclarecer todas as circunstâncias que antecederam a morte.

Após descartar o corpo de Amanda em sacos plásticos, Marciel foi a um serv-festas, onde tomou uma cerveja e socializou com outras pessoas, como se nada tivesse acontecido.

Polícia ainda vai definir a tipificação

Neste momento, o delegado André Amorim trata o caso como homicídio e ocultação de cadáver. A partir da identificação de Amanda e da análise dos demais elementos reunidos, a Polícia Civil pretende reconstruir toda a dinâmica do crime para verificar se a classificação jurídica deverá ser modificada. A investigação deverá considerar os últimos dias de vida da vítima, seus vínculos, os locais que frequentava e a relação estabelecida com o suspeito.

A identificação também permite aos investigadores avançar na reconstrução dos acontecimentos que antecederam a morte e confrontar a versão apresentada pelo homem preso.

Suspeito já havia sido investigado por violência doméstica

Marciel também já havia sido alvo de investigação por violência doméstica. Em março deste ano, uma ex-companheira registrou boletim de ocorrência relatando agressões durante uma discussão. Segundo o registro, ela afirmou ter sido mordida e agredida com socos e chutes. O relacionamento durou aproximadamente três anos e os dois têm uma filha. Posteriormente, a mulher conseguiu uma medida protetiva contra Marciel.

Entre as determinações impostas pela Justiça estava a participação em acompanhamento psicossocial. Em abril, o Ministério Público denunciou o investigado por descumprimento da medida, alegando que ele não compareceu ao acompanhamento e também deixou de atender a uma intimação para justificar a ausência.

Apesar do histórico, Marciel respondia ao processo em liberdade.

A prisão temporária ocorreu na noite de 31 de julho, depois que imagens de câmeras de segurança registraram o homem carregando sacos plásticos contendo partes do corpo e levando-os até lixeiras próximas a uma marmitaria no Parque Estoril.

Durante a investigação, policiais encontraram na residência dele uma manta com vestígios de sangue, perfurações compatíveis com golpes de faca e produtos de limpeza que podem ter sido utilizados na tentativa de eliminar vestígios. A perícia também encontrou grande quantidade de sangue oculto no imóvel.

Segundo o delegado, há indícios de que o suspeito tenha lavado o ambiente e pintado as paredes da cozinha. A análise inicial da Polícia técnico-científica aponta ainda que a vítima teria sido morta na cama e posteriormente desmembrada.

A arma que teria sido utilizada no crime foi localizada e apreendida.

Os exames necroscópicos apontaram diversas perfurações no tórax da vítima antes do desmembramento.  Agora, com a identificação oficial de Amanda da Silva, os investigadores concentram esforços na reconstrução dos últimos momentos da vítima e na verificação de todos os elementos apresentados pelo suspeito em sua confissão.

Esta reportagem é exclusiva do jornal Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.

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