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Pai e filho suspeitos de matar cobradores de Rio Preto e região são presos

Pai e filho (os Buscariollos), foram encontrados em uma propriedade rural em Rio das Pedras (SP), enquanto outro integrante da família foi detido em Santa Bárbara d’Oeste; quarto investigado já estava preso

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Polícia Civil do Paraná
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Quatro homens apontados pela Polícia Civil do Paraná como envolvidos no quádruplo homicídio de quatro em Icaraíma, no Noroeste do Estado, foram presos na manhã desta terça-feira (18/8), após mais de um ano de buscas. Entre os detidos estão Antônio Buscariollo e o filho dele, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, localizados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP). Os dois eram considerados foragidos e chegaram a ter os nomes incluídos na lista de procurados da Interpol.

(Casa onde os suspeitos estavam escondidos na zona rural de Rio das Pedras (SP). Foto: Polícia Civil do Paraná)

Outro filho de Antônio, Carlos Henrique Buscariollo, foi preso em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de SP . Um quarto suspeito, cuja identidade não foi divulgada pela polícia, já estava detido por outro crime. Segundo a investigação, os quatro são suspeitos de participação nas mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Affonso e Alencar Gonçalves de Souza Giron.

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(Reprodução/ Redes Sociais. Da esquerda para a direita; Diego, Robishley, Rafael e Alencar)

A operação foi resultado de levantamentos de inteligência e do acompanhamento dos possíveis esconderijos dos investigados. Segundo o delegado Izaias Cordeiro, chefe da Subdivisão Policial de Umuarama, a polícia continuou trabalhando na localização dos suspeitos desde que eles foram identificados.

“Desde a identificação dos suspeitos, a PCPR permaneceu empenhada em sua localização e empregou todos os recursos disponíveis para sua prisão”, afirmou.

De acordo com o delegado Thiago Teixeira, do Departamento de Operações Especiais, a equipe passou a monitorar os locais onde os investigados poderiam estar e aguardou o momento considerado mais adequado para realizar as prisões.

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“Com a identificação de seu paradeiro, realizamos o monitoramento e planejamos o melhor momento para a captura. Durante a ação em Rio das Pedras, pai e filho tentaram empreender fuga e foram capturados em meio a mata”, relatou.

Os quatro presos deverão ser encaminhados para Umuarama, onde ficarão à disposição da Justiça.

Quem eram as vítimas

  • Rafael Juliano Marascalchi era casado, pai e avô. Em Rio Preto, mantinha uma vida estável com os rendimentos de uma chácara, um barracão e imóveis que alugava. Embora tivesse sua própria renda, também aceitava trabalhos de cobrança para conhecidos, o que o levou à viagem para o Paraná.

  • Robishley Hirnani de Oliveira, seu amigo próximo, deixou dois filhos pequenos: uma menina de sete anos e um bebê de apenas oito meses. Costumava dividir atividades com Rafael e foi quem o convidou para acompanhar a cobrança.

  • Diego Henrique Afonso, morador de Olímpia, também foi chamado para compor o grupo. Jovem, participava da missão ao lado de Rafael e Robishley.

Cobrança de dívida terminou em emboscada

O caso começou em agosto de 2025, quando Robishley, Rafael e Diego deixaram São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, com destino a Icaraíma. O objetivo era cobrar uma dívida de R$ 255 mil relacionada à negociação de uma propriedade rural envolvendo Alencar e a família Buscariollo.

Segundo a apuração policial, o valor havia sido dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil, mas nenhum dos pagamentos teria sido realizado. Os homens que fariam a cobrança receberiam metade do dinheiro caso conseguissem recuperar a quantia.

No dia 4 de agosto, os quatro foram até o distrito de Vila Rica para tentar negociar diretamente com Antônio e Paulo. Conforme a investigação, os dois ofereceram uma casa localizada na área urbana de Icaraíma, mas a proposta não foi aceita.

Na manhã seguinte, 5 de agosto, uma câmera de segurança de uma panificadora registrou as quatro vítimas pela última vez. A polícia sustenta que, posteriormente, elas foram atraídas para uma propriedade rural, onde teriam sido surpreendidas e baleadas.

A investigação aponta que pelo menos cinco pessoas participaram da execução e que foram utilizadas, no mínimo, cinco armas de diferentes calibres. Um dos armamentos identificados nos exames periciais era um fuzil.

Robishley foi atingido por sete disparos, sendo três nas costas, um na cabeça, um no braço e dois no tórax. Um projétil permaneceu alojado na cabeça.

Diego foi atingido nove vezes: um disparo na cabeça, seis no tórax e dois nos braços. Os exames encontraram dois projéteis e um fragmento em seu corpo.

Rafael recebeu seis tiros, sendo três na cabeça, dois no tórax e um na perna. Já Alencar morreu após ser atingido por um disparo na cabeça.

A picape utilizada pelo grupo também foi alvo dos tiros. O veículo apresentava marcas de disparos na parte esquerda, na região traseira e na dianteira.

Corpos foram encontrados 44 dias depois

Após o crime, segundo a polícia, os quatro corpos foram colocados dentro da própria picape e levados até uma área onde havia uma cova. Depois, o veículo foi conduzido para outro ponto da propriedade e enterrado em um bunker construído em uma região de mata fechada.

O desaparecimento foi comunicado às autoridades de São Paulo no dia 6 de agosto de 2025 pela esposa de Robishley, que procurou a polícia sem saber que o marido e os outros três homens haviam sido assassinados.

A localização da picape só foi descoberta depois que o pai de uma das vítimas recebeu uma carta anônima indicando o ponto onde o veículo estaria. A informação levou os investigadores até a área rural de Icaraíma, onde a caminhonete foi encontrada enterrada e coberta por uma lona.

Os corpos foram localizados em 18 de setembro de 2025, 44 dias depois do desaparecimento. Eles estavam enterrados em uma propriedade rural e apresentavam marcas de tiros.

Robishley e Rafael foram sepultados juntos em São José do Rio Preto. Diego foi enterrado no Cemitério Municipal de Olímpia, enquanto Alencar foi sepultado no Paraná.

Defesa contesta envolvimento de um dos presos

O advogado Renan Farah, que representa três dos investigados, informou que aguarda a realização das audiências de custódia. A defesa também afirma possuir elementos que, segundo o advogado, demonstrariam que Carlos Henrique Buscariollo não estava na cidade no período em que os homicídios ocorreram.

Em nota, a defesa ressaltou que a audiência de custódia não representa um julgamento sobre a responsabilidade dos presos e serve para que a Justiça avalie a legalidade da prisão e a necessidade de sua manutenção durante o processo.

Confira a nota da defesa na íntegra:

“A qualidade de advogado de Paulo e Antônio Buscariolo vem esclarecer que eles foram presos e passarão agora pela chamada audiência de custódia. É importante explicar que a audiência de custódia não é um julgamento e não serve para declarar alguém culpado ou inocente. É o momento em que o Poder Judiciário analisa a legalidade da prisão e, principalmente, se existia efetiva necessidade de que essas pessoas permaneçam presas durante o andamento do processo.

Também foi preso Carlos Henrique Buscariolo, outro integrante da família. E em relação a este, existe uma circunstância extremamente relevante, que será demonstrada pela defesa. Carlos Henrique sequer se encontrava na cidade na época dos fatos criminosos que estão sendo imputados à família. A defesa possui elementos para demonstrar essa circunstância, e ela será apresentada e comprovada no momento processual adequado.

Nesse momento, o nosso trabalho é assegurar que todos tenham suas garantias constitucionais respeitadas, que as prisões sejam analisadas individualmente e que nenhuma conclusão antecipada seja construída simplesmente em razão da repercussão do caso.

A defesa confia na análise técnica do Poder Judiciário e prestará os demais esclarecimentos, conforme o processo avançar.

Agora não tem mais desculpa para nós termos acesso integral ao processo, uma vez que já foram presos e não tem mais motivo para a defesa saber por que foram e quais circunstâncias, quais provas, trouxeram a sua prisão. Sem mais.”

Esta reportagem é exclusiva do jornal Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.

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