Economia
Rio Preto alcança 19,48 pontos em diagnóstico de inovação
Acirp aposta na conexão entre empresas e ambiente de inovação para impulsionar novos negócios
Rio Preto alcançou 19,48 pontos no diagnóstico que avalia o nível de maturidade do ecossistema de inovação do município. O resultado foi apresentado durante o segundo workshop do Ecossistema Local de Inovação (ELI), programa do Sebrae-SP que reúne empresas, universidades, entidades e poder público para identificar potencialidades, desafios e oportunidades relacionadas ao desenvolvimento tecnológico da cidade.
A pontuação colocou Rio Preto no estágio “Em Desenvolvimento”, classificação atribuída aos ecossistemas que obtêm entre 18 e 23,99 pontos. Essa faixa reúne cidades que já contam com mecanismos integrados, programas considerados maduros e uma interação estruturada entre empresas, governo e instituições de ciência e tecnologia.
O diagnóstico é dividido em seis vertentes e 17 componentes. Rio Preto obteve nota máxima, de 4,00 pontos, nos quesitos Governança e Políticas Públicas. Já Programas e Ações e ICTIs, que abrangem formação de talentos e inovação, alcançaram 3,75 pontos. Ambientes de Inovação recebeu 2,64.
A Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp) participa do processo por meio do Hub de Inovação, instalado pela entidade dentro do Parque Tecnológico. A proposta é aproximar o setor produtivo de empresas de tecnologia, startups, universidades e outros integrantes do ecossistema. O Hub está entre os atores consultados para a elaboração do diagnóstico, que ouviu 25 representantes. Também participaram instituições e organizações como Apeti/ConexCo, Parque Tecnológico, Fatec, Famerp, IFSP, Senac, Senai, Unesp, Empro, APTA e Etec Rio Preto, entre outras.
Para o presidente da Acirp e responsável pela implantação do Hub, Jean Daher, o resultado demonstra que o município já dispõe de uma estrutura capaz de utilizar a tecnologia como instrumento de desenvolvimento econômico.
“Tecnologia hoje atravessa toda a economia. O diferencial de Rio Preto é ter empresas, conhecimento, formação profissional e ambientes de inovação que começam a atuar de forma cada vez mais conectada. É essa aproximação que pode transformar tecnologia em produtividade, competitividade e novos negócios”, afirma Daher.
Alguns indicadores do levantamento reforçam a participação do setor empresarial e das estruturas de inovação. O protagonismo empresarial recebeu nota 4, enquanto a formação de talentos também alcançou 4. O Parque Tecnológico obteve nota 4 nos critérios de efetividade e integração.
Segundo Daher, uma das metas da Acirp é ampliar a presença das empresas nesse ambiente. A intenção é aproximar negócios que possuem demandas tecnológicas de startups, universidades e empresas que desenvolvem soluções.
“O Hub foi criado para colocar o empresário dentro do ecossistema de inovação. Muitas vezes a solução tecnológica que uma empresa procura já está sendo desenvolvida por uma startup, uma universidade ou outra empresa da própria cidade. Nosso papel é aproximar essas pontas e ajudar essa conexão a virar resultado”, afirma.
Tecnologia ganha espaço
O levantamento também mostra a presença da área de tecnologia entre as capacidades existentes em Rio Preto. Computação representa 15,12%, ficando atrás apenas de Serviços de Apoio à Saúde, com 20,93%. Na sequência aparecem Mecânica e Automação e Saúde, com 11,63% cada, enquanto Engenharia de Infraestrutura representa 9,30%.
Na avaliação das vocações econômicas do município, os Serviços de Tecnologia da Informação correspondem a 10,24%, atrás apenas das atividades relacionadas à atenção à saúde humana.
Os números indicam a possibilidade de aplicação de soluções tecnológicas desenvolvidas no município também em áreas que já apresentam atividade econômica consolidada em Rio Preto.
Para o presidente da Apeti, João Paulo Rodrigues, a estrutura existente permite ampliar a integração entre o setor de tecnologia e os demais segmentos econômicos.
“Rio Preto tem um setor de tecnologia consolidado e uma base importante de profissionais e conhecimento. Quanto mais conseguirmos conectar essa capacidade às demandas das empresas, maior será a geração de soluções, negócios e oportunidades para todo o ecossistema”, afirma Rodrigues.
Capital é principal gargalo
Apesar dos avanços apontados pelo diagnóstico, a oferta de capital aparece como um dos principais desafios para o ecossistema de inovação. A vertente Capital recebeu 1,33, a menor pontuação entre as seis avaliadas.
Dentro desse indicador, investidores-anjo tiveram nota 1, enquanto venture capital ficou com zero. Entre as dificuldades identificadas estão a baixa disponibilidade de capital privado especializado para startups em fase de crescimento e as conexões ainda limitadas com aceleradoras, investidores e mercados externos.
Para Daher, superar essa dificuldade será necessário para que a estrutura já existente possa se converter em crescimento econômico e expansão de negócios.
“Rio Preto já construiu uma base importante. Agora precisamos aproximar ainda mais empresas, tecnologia, investimento e mercado para que projetos ganhem escala, gerem negócios e permaneçam na cidade. Esse é o próximo salto do nosso ecossistema”, afirma.
O programa ELI terá novas etapas para estabelecer as diretrizes de governança, os objetivos e o plano de ação do ecossistema de inovação de Rio Preto.
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