Saúde
Relacionamento amoroso e saúde cardiovascular
Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel
Dizer que nós, seres humanos, estamos devidamente preparados para enfrentar um problema de relacionamento amoroso ou uma instabilidade na vida conjugal não é verdade. As pessoas se envolvem num contexto amoroso, vislumbrando a perfeita harmonia entre duas pessoas, com muita tolerância, compreensão e desprovimento. No entanto, na prática, sabemos que isso não ocorre e, nos dias atuais, por razões comportamentais, sociais e até legais, corromper valores morais e cair na tentação da traição tornou-se algo fácil, simples e corriqueiro.
Embora pareça excessivamente filosófico, o coração humano “sofre” bioquímica e metabolicamente diante de um quadro emocional de labilidade na vida amorosa. Da mesma forma que existem substâncias promotoras do bem-estar, há aquelas que são liberadas na circulação sanguínea em situações de tensão, desespero e profunda tristeza. E são justamente essas substâncias que desencadeiam diversos efeitos deletérios em nosso coração, como crise hipertensiva, arritmias e dor no peito. Alguns autores japoneses descreveram uma entidade clínica denominada síndrome de Takotsubo, também conhecida como síndrome do coração partido, na qual os sintomas citados aparecem em relevante magnitude após situações de estresse emocional. No contexto bioquímico e hormonal da síndrome do coração partido, o achado fundamental é a liberação, na circulação sanguínea, de quantidade significativa de substâncias estimulantes, como a noradrenalina e a adrenalina. Além disso, nota-se que existem níveis distintos de predisposição a essa liberação de substâncias estimulantes, ou seja, podemos inferir que os indivíduos toleram o impacto de um estresse sentimental de formas absolutamente variadas.
Diante da ocorrência desses sintomas, as pessoas procuram os serviços de emergência, sendo necessária a realização de exames para descartar doenças mais graves, como é o caso do infarto do miocárdio. Mesmo não se confirmando o infarto, são necessárias várias horas ou até dias de internação, muitas horas de apreensão por parte da família e utilização de grande quantidade de medicamentos.
Não se devem subestimar os sintomas provenientes de uma desilusão amorosa, pois eles são capazes de alterar nosso equilíbrio cardiovascular e aumentar o risco de eventos mais preocupantes, como uma crise hipertensiva e um infarto do coração. Na vigência desses sintomas, é primordial procurar um cardiologista e realizar exames específicos.
Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago.
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