Cidades
Açougueiro que esquartejou mulher é pai de menina e tem ficha na Maria da Penha
Após desovar partes do corpo da vítima, Marciel Dias dos Santos, mais um monstro que matou outra mulher covardemente em Rio Preto, tomou uma cerveja em um serv-festas como se nada tivesse acontecido
O açougueiro e auxiliar de cozinha, Marciel Dias dos Santos, de 29 anos, preso apontado por matar, esquartejar e abandonar partes do corpo de uma mulher em lixeiras, em Rio Preto, já havia sido investigado por violência doméstica. Em março deste ano, a ex-companheira registrou um boletim de ocorrência relatando agressões físicas e, posteriormente, obteve medida protetiva concedida pela Justiça.
A Gazeta de Rio Preto gravou uma entrevista com o delegado responsável pela investigação, André Amorim, da 3ª Delegacia de Homicídios da Deic. Assista aqui.
Segundo o registro policial, a mulher, de 38 anos, afirmou ter sido mordida, além de receber socos e chutes durante uma discussão porque ele não queria que ela trabalhasse. O casal manteve um relacionamento por aproximadamente três anos e tem uma filha desta idade.
Entre as determinações judiciais impostas ao investigado estava a participação obrigatória em acompanhamento psicossocial. No entanto, em abril, o Ministério Público apresentou denúncia por descumprimento da medida, alegando que ele deixou de comparecer ao acompanhamento e também não atendeu à intimação para justificar a ausência na delegacia. Apesar da investigação por violência doméstica, ele respondia ao processo em liberdade.
Prisão e confissão
Durante as investigações, policiais encontraram na casa dele uma manta com vestígios de sangue e perfurações compatíveis com golpes de faca, além de produtos de limpeza que, segundo a polícia, podem ter sido utilizados para remover evidências do crime. Os materiais foram apreendidos e encaminhados para perícia. A arma utilizada no homicídio, no entanto, ainda não foi localizada.
A perícia também identificou grande quantidade de sangue oculto no imóvel. Conforme o delegado André Amorim, os indícios apontam que o suspeito tentou eliminar os vestígios do crime, lavando o ambiente e até pintando as paredes da cozinha.
Ainda de acordo com o delegado, a vítima teria sido assassinada na cama e o corpo dela teria sido esquartejado na cozinha do imóvel.
Em depoimento preliminar, o homem confessou ter cometido o assassinato sozinho. Segundo ele, conheceu a vítima poucos dias antes, em uma praça, e a convidou para um encontro em sua casa. O crime teria ocorrido no dia 25 de julho. Depois, ele afirmou ter feito diversas viagens entre o imóvel e as lixeiras para ocultar as partes do corpo, encontradas dois dias depois por um funcionário da marmitaria.
Após desovar partes do corpo da vítima, Marciel, mais um monstro que matou outra mulher covardemente em Rio Preto, tomou uma cerveja em um serv-festas como se nada tivesse acontecido.

(Divulgação/ Polícia Civil)
Investigação
O exame necroscópico apontou que a vítima sofreu diversas perfurações no tórax antes de ter o corpo desmembrado. Parte dos órgãos também foi localizada junto aos restos mortais, mas a polícia ainda aguarda laudos para confirmar quais estruturas foram retiradas e em que circunstâncias.
Até o momento, a identidade da mulher ainda não foi oficialmente confirmada. Ela também não foi reconhecida por nenhum familiar. A vítima, segundo o depoimento informal do investigado, seria moradora em situação de rua. A perícia informou que ela aparenta ter aproximadamente 35 anos de idade.
O caso foi registrado inicialmente como homicídio e ocultação de cadáver. No entanto, o delegado responsável pelas investigações informou que solicitará a alteração da tipificação para feminicídio e ocultação de cadáver.
O investigado permanecerá preso por 30 dias na carceragem da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic), prazo da prisão temporária enquanto o inquérito é concluído. Segundo a polícia, um dos últimos procedimentos será a formalização do depoimento do suspeito. Laudos periciais também deverão esclarecer se a vítima sofreu violência sexual ou se houve relação sexual consensual antes do crime.
Até a publicação desta reportagem, o suspeito não havia constituído advogado de defesa.
Esta reportagem é exclusiva do jornal Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.
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