Cidades
Estudantes da Famerp entram em greve contra o corte de alimentação
Alunos alegam que fazem estágio não remunerado e agora deverão pagar pela alimentação
Alunos dos cursos de medicina, psicologia e enfermagem da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) que fazem estágio no Hospital de Base entraram em greve, nesta quarta-feira (15). A paralisação, realizada em frente ao prédio da universidade, é um protesto contra a suspensão do fornecimento gratuito de refeições no restaurante da instituição.
Segundo Danielly Rocini, estudante do primeiro ano do curso de enfermagem, os cursos são em período integral e há poucas bolsas. “Eu sou moradora de Rio Preto e sobrevivo com R$ 100 por mês. Realizo atividades complementares de, pelo menos, 30 horas por mês. Tem colegas que atendem durante a madrugada e até a ceia que era oferecida foi cortada”, disse.
Alunos de todos os períodos cruzaram os braços. Entre eles, um estudante do terceiro ano de medicina, que preferiu não se identificar, e contou que estagiários do curso, que estão no 5º e 6º ano de medicina, 5º ano de psicologia e 4º e último ano de enfermagem, que fazem atendimento em Unidades de Pronto Atendimento da cidade e outros hospitais, como o Bezerra de Menezes, não recebem o vale transporte para cumprir a carga horária. “Tem gente aqui que tira dinheiro do bolso para cumprir o estágio e não ganha um centavo por isso, nem de reembolso. Agora querem cortar nossa alimentação. É injusto isso”, lamentou.
Uma estudante do segundo ano de psicologia, que também preferiu o anonimato, contou que veio de Osasco para fazer a graduação em Rio Preto. Aos 20 anos, ela disse que não conseguiu emprego fixo e nem temporário e vive exclusivamente para a faculdade. “Faço curso integral e fico o dia inteiro aqui. Não é justo a gente ser obrigado a fazer estágio de graça e ainda ter que pagar pela alimentação. Nossa paralisação tem o apoio até dos professores, menos da direção”, disse a aluna.
Por meio de nota, a Fundação Faculdade Regional de Medicina de Rio Preto (Funfarme) informou que decidiu reduzir em 20% o valor da refeição a ser cobrada aos internos de medicina, psicologia e enfermagem, sendo que o valor passou de R$ 15 para R$ 12. O valor passará a ser cobrado a partir de abril. Os internos passam assim a pagar pela refeição, assim como ocorre com mais de 2.000 funcionários do complexo hospitalar.
“Importante destacar que o preço cobrado a funcionários e, agora, aos internos é subsidiado, abaixo dos praticados no comércio e que os internos de baixa renda e os que fizerem plantão continuarão isentos do pagamento”, diz trecho da nota.
Ainda de acordo com o comunicado, a Diretoria da Funfarme afirma que decidiu por adotar a cobrança “por uma questão de justiça, visto que funcionários da instituição sempre pagaram pela refeição e por ser a medida necessária como parte de um conjunto de ações que têm por objetivo equilibrar o orçamento do complexo hospitalar, permitindo a ele continuar a oferecer atendimento e serviços de qualidade à população da região”.
A Diretoria também ressaltou ser imprescindível que a Funfarme tenha “suas finanças equilibradas para continuar oferecendo atendimento humanizado e de qualidade aos mais de 2 milhões de habitantes de 104 municípios da região Noroeste do Estado, o que faz da fundação o segundo maior complexo hospitalar do Brasil em atendimento de pacientes do SUS”.
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