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A eterna desculpa do DEPOIS EU FAÇO
Artigo escrito por Juliana Paes Garcia, Coach em Alta Performance e Mudança de Carreira
Veja se você se identifica com esta história: começa a semana com bastante motivação, decidindo que desta vez vai levar a cabo tudo aquilo que se prometeu: comer menos chocolate, acordar cedo, sentar para estudar, ir à academia pelo menos três vezes na semana.
Aí o dia vai passando, você vai almoçar, e como sobremesa, aquele Sonho de Valsa aparece sedutoramente na sua frente… e você, como que para se desculpar da quebra da promessa feita a si mesmo, come o chocolate, mas imediatamente já renova o compromisso: “Só hoje vou comer o chocolate: amanhã eu como fruta”.
Por que a gente faz isso? Por que prometemos que o nosso “eu do futuro” vai querer fazer coisas que o nosso “eu do presente” não está nem um pouco a fim de se comprometer? Por que achamos que, se hoje não tivemos a força de vontade necessária para abrir mão do prazer imediato em prol de um benefício maior futuro, amanhã seremos capazes de fazer a escolha certa? Por acaso Sonho de Valsa vai ser menos saboroso amanhã do que é hoje? Ou vai ficar mais fácil acordar logo que o despertador tocar (sem apertar o “soneca”) amanhã do que foi hoje? Minha vontade de ir para academia vai ficar milagrosamente maior amanhã só porque eu dormi e acordei novamente?
É… já deu para perceber que isso de “deixar para amanhã” é apenas uma desculpa que damos para tentar fugir da culpa ao não fazer aquilo que temos que fazer, não é? A Neurociência explica. Os cientistas fizeram uma descoberta curiosa: toda vez que pensamos no nosso “eu do futuro”, acionamos uma área do cérebro diferente daquela que acionamos quando pensamos no “eu do presente”. Nós tendemos mais a associar o nosso “eu do futuro” com uma outra pessoa do que com nós mesmos.
Então, quando falamos que “amanhã eu faço”, é como se, literalmente, estivéssemos jogando aquela atividade indesejada (comer fruta ao invés de chocolate) para outra pessoa! A conversa no seu cérebro poderia se passar mais ou menos assim:
“Tá tudo sob controle! Eu não vou fazer isso (acordar cedo), mas arrumei alguém pra fazer por mim: essa pessoa disciplinada, cheia de força de vontade, foco e determinação que é o meu “eu amanhã”… ah, pode ficar tranquilo que ele vai acordar cedo… e ainda nem vai reclamar!”.
E assim, de desculpa em desculpa, a gente vai se enganando e postergando nossos sonhos…
Como quebrar esse círculo vicioso de procrastinação? Como parar de se enganar, de jogar para depois quando já aprendemos que isso é uma desculpa do nosso cérebro para se manter na zona de conforto?
Uma excelente maneira de começar é fazer um acordo de honestidade com você mesmo e eliminar a possibilidade de desculpas da sua mente: da próxima vez que for descumprir um acordo que fez com você mesmo, conte a história na sua cabeça exatamente como ela é: “eu prometi que ia diminuir o chocolate, mas estou descumprindo minha promessa e vou comer um Sonho de Valsa”. Não é para se culpar, nem se martirizar: é para ficar presente para as decisões que você toma, e aos poucos ir se conscientizando se essas decisões são positivas ou negativas para o que você quer para a sua vida. Topa começar já?
Juliana Paes Garcia, Coach em Alta Performance e Mudança de Carreira. Trabalha no Brasil e em Portugal, atualmente está em Lisboa.
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