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Aos 96 anos, Dorival completa mais de 7 décadas em empresa de Rio Preto

Funcionário mais antigo da Rodobens em Rio Preto diz que dedicação, aprendizado constante e foco são os pilares para construir uma carreira duradoura

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Aos 96 anos, Dorival Dutra da Silva acumula uma marca rara no mercado de trabalho: há 76 anos ele veste a camisa da mesma empresa. Funcionário mais antigo da Rodobens, grupo fundado em Rio Preto, ele entrou na companhia em abril de 1950, aos 15 anos, como office boy, e acompanhou de perto a transformação de um pequeno negócio em uma das maiores empresas do país.

Mais do que uma trajetória profissional, Dorival reúne uma coleção de ensinamentos construídos ao longo de mais de sete décadas de trabalho. Em um momento em que a troca frequente de emprego se tornou comum, ele acredita que a dedicação continua sendo o principal diferencial para quem deseja construir uma carreira sólida.

“Resume-se em uma só palavra: dedicação. Foi ela que me acompanhou desde o primeiro dia. Quando a gente se dedica de verdade, se compromete e faz bem o que precisa ser feito, o resto acontece naturalmente”, afirma.

Morador do Jardim Vivendas, em Rio Preto, Dorival nasceu e sempre viveu na cidade. Quando começou a trabalhar, ainda adolescente, morava na região central. Ele lembra que a oportunidade surgiu em um momento difícil para a família, que enfrentava problemas financeiros, e foi dada pelo fundador da empresa, Waldemar de Oliveira Verdi.

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Ao longo da carreira, passou pelo setor de peças, tornou-se gerente, dirigiu a Cirasa e hoje ocupa o cargo de diretor na Rodobens Participações. Em todo esse período, acompanhou mudanças profundas na economia brasileira, diferentes moedas, crises e a expansão da empresa para todo o país.

Para ele, o maior desafio nunca foi permanecer na mesma empresa, mas acompanhar o crescimento dos negócios e se adaptar às transformações do mercado.

“Meu maior desafio sempre esteve ligado ao crescimento comercial. Entender cada nova fase do mercado e me adaptar a elas exigiu dedicação constante. Mas foi justamente esse desafio que me manteve sempre ativo e curioso ao longo dos anos.”

Conselhos para quem está começando

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Ao observar o comportamento das novas gerações, Dorival reconhece que os tempos mudaram. Ele percebe que muitos profissionais permanecem pouco tempo nas empresas, mas acredita que construir uma trajetória longa também oferece aprendizados valiosos.

“Percebo que os jovens de hoje trocam de emprego com muito mais facilidade do que na minha época. Não julgo, os tempos são outros, mas acredito que construir uma trajetória mais longa em um mesmo lugar também tem seu valor e traz aprendizados que só o tempo é capaz de ensinar.”

Apesar de pertencer a uma geração que iniciou a vida profissional muito antes da internet, ele vê a tecnologia como uma aliada — desde que utilizada com propósito.

“Meu conselho é que ampliem sempre os seus conhecimentos, aproveitando a tecnologia como uma ferramenta de desenvolvimento, e não como uma distração. Se souberem direcioná-la para o aprendizado, terão em mãos algo que a minha geração nem sonhava em ter.”

Outro ensinamento vem da experiência de décadas convivendo com diferentes pessoas no ambiente corporativo. Para ele, não vale a pena gastar energia com conflitos ou fofocas.

“Aprendi a ignorar. O melhor caminho é se dedicar aos seus próprios afazeres e não perder energia com o que não constrói. Quando a gente mantém o foco no trabalho e naquilo que realmente importa, essas coisas perdem a força.”

Aprender sempre

Questionado sobre o que considera indispensável para ser um bom profissional, Dorival responde sem hesitar: nunca parar de aprender.

“O aprendizado não tem idade nem fim. Foi buscando saber mais, o tempo todo, que construí a minha carreira, e é isso que continua fazendo a diferença hoje.”

Quando fala sobre felicidade, sua definição também é simples. Para ele, o equilíbrio entre trabalho, saúde e família é o que realmente importa.

“Estar de bem com a vida e não passar por necessidades. A felicidade, para mim, está no equilíbrio: ter tranquilidade, saúde e paz para aproveitar tanto o trabalho quanto os momentos em casa, ao lado de quem a gente ama.”

Ao olhar para trás, o rio-pretense afirma que o maior patrimônio construído em mais de sete décadas de carreira não foi um cargo ou um reconhecimento profissional, mas as pessoas que encontrou pelo caminho.

“As amizades construídas ao longo dessas décadas deram sentido a toda essa jornada. Pessoas boas ao nosso lado fazem qualquer caminho valer a pena.”

Depois de 76 anos na mesma empresa, Dorival é aposentado, mas continua trabalhando e deixa um exemplo cada vez mais raro no mercado: o de que dedicação, curiosidade para aprender e compromisso diário podem atravessar gerações e permanecer atuais, mesmo em um mundo em constante transformação.

***Esta reportagem é um conteúdo exclusivo do jornal Gazeta de Rio Preto. A reprodução total ou parcial, cópia, distribuição ou compartilhamento deste material sem os devidos créditos ao Gazeta de Rio Preto e à autora, ou sem autorização prévia da autora, é proibida e pode configurar violação à Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998), sujeitando o infrator às medidas judiciais cabíveis.

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