Cultura
Artista usa a cor para transformar a cidade em experiência sensorial e coletiva
“Afagos para Rio Preto” contempla quatro murais espalhados por diferentes regiões da cidade
São José do Rio Preto recebe um projeto que vai além do conceito tradicional da arte urbana. Intitulado “Afagos para Rio Preto”, o trabalho contempla quatro murais espalhados por diferentes regiões da cidade, com uma abordagem pouco comum dentro do universo do grafite: o protagonismo absoluto da cor.
Idealizado pelo artista visual rio-pretense Danilo de Souza, conhecido como Lino.96, o projeto rompe com a estética figurativa e com o imaginário frequentemente associado ao grafite — como personagens ou letras estilizadas. Em seu lugar, surge um experimento visual e sensorial que explora a psicodinâmica das cores, suas tensões, harmonias e impactos emocionais no cotidiano urbano.
Arte pública como gesto de cuidado coletivo
Mais do que ocupar muros, o projeto nasce com uma proposta simbólica. A escolha do título remete à ideia de acolhimento e afeto. Segundo o conceito da iniciativa, colorir a cidade sem recorrer a narrativas figurativas é uma forma de provocar sensações e estimular reflexões subjetivas em quem circula pelos espaços urbanos.
As intervenções podem ser visitadas no CRAS Vila Toninho, no Complexo Esportivo Eldorado, na Casa de Criar – Escritório de Arte e em um terreno vazio na região da Cidade da Criança.
A seleção dos espaços prioriza bairros onde o acesso à produção cultural costuma ser limitado, levando arte diretamente ao cotidiano das comunidades.
Durante o processo de pintura, moradores acompanharam o desenvolvimento das obras e dialogaram com o artista, fortalecendo o sentimento de pertencimento e incentivando a ocupação cultural dos espaços públicos.
Quatro intervenções, quatro experiências
No terreno vazio da Rua Nelson Freitas, a intervenção intitulada “Lápis de Cor”, resgata uma memória afetiva comum a diferentes gerações. Barras cromáticas inspiradas nas clássicas caixas de lápis de cor dialogam com estênceis de escritores brasileiros já presentes no muro, evocando a infância e o potencial criativo que a arte desperta.
Já na Casa de Criar, espaço independente de arte localizado na zona norte, a obra “Perspectiva CMYK” utiliza as cores ciano, magenta, amarelo e preto — base dos sistemas gráficos de impressão — para criar faixas em perspectiva que produzem ilusão de profundidade. A intervenção estabelece uma ponte conceitual entre arte urbana, design gráfico e produção editorial.
No Complexo Esportivo Eldorado, o projeto ganha dimensão social com a obra “Código de Barras (LGBTQIAPN+)”. A pintura transforma o sistema visual de identificação comercial em uma metáfora sobre identidade e diversidade. As linhas do código de barras são reinterpretadas com as cores da bandeira LGBTQIAPN+, propondo uma reflexão sobre singularidade, representatividade e afeto.
Por fim, no CRAS Vila Toninho, a intervenção “Quadrados Ouro e Prata” busca inspiração no expressionismo abstrato de Mark Rothko. Grandes blocos metálicos exploram a interação entre luz, movimento e percepção humana, propondo uma experiência sensorial que varia conforme o horário do dia e o deslocamento do público.
Arte, educação e transformação urbana
Além do impacto estético, “Afagos para Rio Preto” dialoga com questões sociais contemporâneas. O projeto utiliza a arte como ferramenta educativa, estimulando discussões sobre diversidade, inclusão e sustentabilidade, ao mesmo tempo em que contribui para a revitalização de áreas urbanas e o fortalecimento da identidade cultural local.
Estudos sobre arte pública indicam que intervenções desse tipo podem influenciar positivamente o bem-estar psicológico, reduzir a sensação de degradação urbana e impulsionar a economia criativa, atraindo visitantes e fomentando o comércio regional.
Entre a docência e os muros
A trajetória de Lino.96 revela o encontro entre arte, educação e cidade. Nascido em São José do Rio Preto, o artista teve seu primeiro contato com o grafite nos anos 1990, por meio da cultura Hip Hop. Participou da 1ª Mostra de Grafite da cidade, em 2001, e desde então desenvolve trabalhos que transitam entre a arte urbana, a ilustração e projetos corporativos.
Formado em Matemática pela Unesp e professor de Física há duas décadas, Danilo concilia a docência com a produção artística, reforçando o caráter educativo presente em suas obras.
O projeto conta com produção executiva de Carolina Manzato, participação do artista convidado juny kp! e produção audiovisual de Anna Ferreira, e é incentivado pelo chamamento público 04/2024 – SMC/PNAB, Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo.

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