Saúde
Devemos treinar em dias muito quentes?
Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel
As elevadas temperaturas podem causar repercussões clínicas tanto durante a prática de atividade física quanto em repouso. A sobrecarga de calor durante uma atividade física favorece a contração muscular intensa, associada ao estresse físico prolongado, e tudo isso, conjuntamente, induz uma resposta inflamatória sistêmica.
Um aspecto interessante é que, cada vez mais, os casos de hipertermia corporal têm sido diagnosticados em grupos de pessoas que executam poucas atividades físicas, como crianças e idosos. Nesses grupos, a hipertermia pode aumentar as taxas de hospitalização em decorrência de desidratação, insuficiência renal e infecções. Os distúrbios de coagulação podem ser potencializados por essas infecções, incluindo a COVID-19.
Os grandes desafios para a ciência têm sido diagnosticar diferentes níveis de sobrecarga térmica e identificar possíveis biomarcadores capazes de demonstrar se as elevações térmicas estão causando disfunções orgânicas. Esses biomarcadores seriam proteínas quantificadas na corrente sanguínea, as quais poderiam determinar a existência de disfunção orgânica, permitindo que medidas de contenção sejam prontamente implementadas. Como exemplo de biomarcador que ainda está sendo investigado, temos o D-dímero, uma proteína relacionada a distúrbios da coagulação sanguínea.
As medidas terapêuticas mais utilizadas para a hipertermia corporal incluem hidratação rigorosa, resfriamento do corpo, uso de anti-inflamatórios, anticoagulantes e, em alguns casos, antibióticos. Quanto à hidratação, os principais objetivos seriam a reposição das perdas excessivas e também a diluição da quantidade expressiva de toxinas circulantes.
No início de 2022, um estudo coordenado por Jerrold Levy, da Duke University, nos Estados Unidos, propôs algumas questões acerca do impacto da hipertermia na saúde global das pessoas. Seriam pontos fundamentais, ainda sem total esclarecimento, que poderiam auxiliar na prevenção e no controle da hipertermia corporal.
O primeiro ponto diz respeito a quais seriam os principais fatores facilitadores da progressão da disfunção orgânica; o segundo seria aprofundar as investigações sobre como intervir nessa forte conexão entre inflamação e distúrbios da coagulação; e, por fim, a última análise seria identificar biomarcadores que caracterizassem a severidade da sobrecarga térmica.
Os efeitos deletérios do aquecimento global certamente irão comprometer a qualidade de vida das futuras gerações. O impacto da hipertermia corporal está bem estabelecido; porém, existe razoável limitação quanto ao diagnóstico dessa sobrecarga térmica por meio de biomarcadores.
As medidas terapêuticas deveriam ser implementadas precocemente, a partir dos primeiros sintomas, impedindo a rápida progressão para disfunções de órgãos como coração e rins. Seria interessante também que políticas públicas fossem adotadas para amparar grupos mais fragilizados em relação às complicações da hipertermia, especialmente crianças e idosos.
Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago.
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