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Artigo escrito por Roberto Lima

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Existem coisas difíceis de entender. A recusa de pais em vacinar filhos pequenos contra doenças gravíssimas é uma delas. É muito triste quando uma doença não tem cura e não há meios de enfrentá-la. Já foi assim com a poliomielite, doença infecciosa grave que causa paralisia permanente em determinados músculos e que, geralmente, afeta crianças. Como a paralisia infantil não tem cura quando afeta os músculos, existe a prevenção da doença que é a vacina, a gotinha da Sabin, administrada a partir da sexta semana de vida. A poliomielite já fez muitas vítimas mundo afora. Hoje ela é endêmica apenas no Afeganistão, na Nigéria e no Paquistão. Desde 1980 o Brasil está comprometido com a meta de erradicação total da poliomielite no planeta. Acontece que o índice de cobertura da vacina contra a poliomielite vem caindo assustadoramente. A ameaça é séria e preocupante. Um total de 312 municípios brasileiros está com cobertura vacinal abaixo dos 50%. Já há o risco da volta da doença após 28 anos, quando foi registrado o último caso no Brasil. Essas informações soam como um pesadelo, mas são reais. A queda na vacinação contra a pólio levou o Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria Federal de Direitos do Cidadão, a oficiar as prefeituras a tomar medidas urgentes para melhorar essas estatísticas. Campanhas foram montadas, com forte divulgação pelos meios de comunicação. Apelos de entidades, entre elas o Rotary Club, conhecido por sua luta e combate a paralisa. Porém, os números continuam baixos, a resistência de pais e responsáveis não está sendo quebrada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza como adequado o atendimento de 95% do público. Talvez, as novas gerações, que pouco conviveram com o drama da poliomielite, não consigam entender, menos ainda dimensionar, os males e as consequências da doença. Não podemos admitir ter de volta a paralisia e, menos ainda, concebermos retomar as mortes por sarampo, outra ameaça que só cresce. Nossas crianças não merecem. O futuro delas, menos ainda. Trata-se de inconsequência e, também, displicência e uma absoluta falta de seriedade e comprometimento com a saúde dos menores o não vaciná-los. Curioso é que a divulgação em torno da vacinação da poliomielite tem sido maciça. A orientação sobre os benefícios e a completa necessidade da imunização também é abundante. As gotinhas da Sabin são gratuitas, estão em locais de fácil acesso e as equipes de Saúde também se deslocam em busca dos pequenos. Os motivos, as razões pelas quais essa resistência em não vacinar só aumenta precisa ser investigado com muita gravidade. Não podemos voltar no tempo da escuridão dessa forma, grotesca e cruel. A prevenção existe. A vacina existe. Nossas crianças merecem respeito. A começar pelos pais e responsáveis.

 

Roberto Lima Filho

Doutor em Ortodontia pela UFRJ

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