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Buscariollos são indiciados por morte de cobradores de Rio Preto

Vítimas foram atraídas para uma propriedade rural em Icaraíma para cobrar uma dívida de R$ 255 mil; corpos foram encontrados 44 dias após o desaparecimento

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Reprodução/ Redes Sociais
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A Polícia Civil do Paraná concluiu a investigação sobre a morte dos cobradores de Rio Preto e região, em Icaraíma, no Noroeste do Estado, em agosto de 2025. O inquérito aponta que as vítimas foram atraídas para uma propriedade rural durante uma cobrança de dívida, executadas a tiros e enterradas clandestinamente. A apuração também identificou indícios de planejamento do crime e de tentativas de eliminar vestígios.

Foram indiciados Antônio Buscariollo, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Cândido Buscariollo. Eles são investigados pelas mortes de Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira. Os quatro indiciados estão presos preventivamente e respondem por quatro homicídios qualificados, quatro crimes de ocultação de cadáver, associação criminosa e fraude processual.

O inquérito foi concluído após mais de um ano de trabalho. Segundo o delegado Thiago Andrade, a investigação revelou indícios de uma ação criminosa planejada, com divisão de tarefas e atuação coordenada de um grupo com influência na região. O caso passou a ser tratado como prioridade desde a comunicação do desaparecimento dos quatro homens.

Conforme a apuração, as vítimas foram levadas até a propriedade rural sob o pretexto de resolver uma pendência financeira relacionada ao encerramento de uma negociação imobiliária. O débito, representado por dez notas promissórias, totalizava R$ 255 mil.

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Os investigadores apontam que as vítimas foram surpreendidas por uma emboscada e mortas com armas de fogo de diferentes calibres. Depois, os corpos e a picape utilizada pelas vítimas foram escondidos em compartimentos subterrâneos clandestinos. A polícia também identificou indícios de medidas destinadas a eliminar provas e dificultar o esclarecimento do crime.

Ao longo das investigações, foram realizadas centenas de diligências, incluindo buscas em extensas áreas rurais, levantamentos de inteligência, exames periciais complexos, análises balísticas, extração e análise de dados de dispositivos eletrônicos, cruzamento de informações telemáticas e financeiras, quebras de sigilo autorizadas judicialmente, depoimentos de dezenas de testemunhas e cumprimento de medidas cautelares.

A análise conjunta desses elementos permitiu, segundo a Polícia Civil, reconstruir a dinâmica dos assassinatos e individualizar a participação atribuída a cada um dos quatro investigados.

Investigação teve apoio de diferentes forças de segurança

Os trabalhos contaram com a atuação integrada de órgãos de segurança pública, com apoio da Secretaria da Segurança Pública. Participaram a Polícia Militar do Paraná (PMPR), o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), a Polícia Científica, por meio do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico-Legal, a Polícia Penal e a Força Nacional de Segurança Pública.

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Também colaboraram o Núcleo de Investigação Qualificada (NIQ), o Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (TIGRE), o Instituto de Identificação, equipes especializadas da Polícia Civil e órgãos de segurança pública do Estado de São Paulo, além de outros setores que auxiliaram nas diligências e na localização dos investigados.

Os quatro foram indiciados com base nos artigos 121, parágrafo 2º, incisos I, III e IV, por quatro vezes; 211, também por quatro vezes; 288; e 347 do Código Penal. Os dispositivos tratam de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, associação criminosa e fraude processual.

Com a conclusão do inquérito, os autos foram encaminhados ao Ministério Público para análise. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar e apurar a possível participação de outras pessoas, inclusive nos núcleos de execução, apoio logístico e ocultação de vestígios.

A corporação reafirmou o compromisso com a investigação de crimes graves, a integração entre as forças de segurança e a responsabilização dos envolvidos conforme a legislação.

Quem eram as vítimas

Rafael Juliano Marascalchi era casado, pai e avô. Em Rio Preto, mantinha uma vida estável com a renda de uma chácara, um barracão e imóveis alugados. Apesar de contar com os próprios rendimentos, também aceitava serviços de cobrança para conhecidos, atividade que o levou ao Paraná.

Robishley Hirnani de Oliveira, amigo próximo de Rafael, deixou dois filhos pequenos: uma menina de sete anos e um bebê de oito meses. Os dois costumavam dividir atividades, e foi Robishley quem convidou o amigo para acompanhá-lo na cobrança.

Diego Henrique Afonso, morador de Olímpia, também foi chamado para integrar o grupo. Jovem, ele viajou com Rafael e Robishley para participar da tentativa de recuperar o dinheiro.

Cobrança de dívida terminou em emboscada

O caso teve início em agosto de 2025, quando Robishley, Rafael e Diego saíram de São José do Rio Preto com destino a Icaraíma. O objetivo era cobrar uma dívida de R$ 255 mil ligada à negociação de uma propriedade rural envolvendo Alencar e a família Buscariollo.

De acordo com a apuração policial, o débito havia sido dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil, mas nenhum pagamento teria sido realizado. Os homens encarregados da cobrança receberiam metade do valor caso conseguissem recuperar a quantia.

No dia 4 de agosto, os quatro foram até o distrito de Vila Rica para tentar negociar diretamente com Antônio e Paulo. Segundo a investigação, pai e filho ofereceram uma casa na área urbana de Icaraíma, mas a proposta foi recusada.

Na manhã do dia seguinte, 5 de agosto, uma câmera de segurança de uma panificadora registrou as quatro vítimas pela última vez. A polícia sustenta que, depois disso, os homens foram atraídos para uma propriedade rural, onde teriam sido surpreendidos e baleados.

A investigação indica que pelo menos cinco pessoas participaram da execução e que foram utilizadas, no mínimo, cinco armas de diferentes calibres. Entre os armamentos identificados nos exames periciais estava um fuzil.

Robishley foi atingido por sete disparos: três nas costas, um na cabeça, um no braço e dois no tórax. Um dos projéteis permaneceu alojado na cabeça.

Diego recebeu nove tiros, sendo um na cabeça, seis no tórax e dois nos braços. Nos exames, foram encontrados dois projéteis e um fragmento em seu corpo.

Rafael foi atingido por seis disparos, dos quais três na cabeça, dois no tórax e um na perna. Alencar morreu após ser baleado na cabeça.

A picape usada pelas vítimas também apresentava marcas de tiros. Os disparos atingiram as partes esquerda, traseira e dianteira do veículo.

Corpos foram encontrados 44 dias depois

Após os assassinatos, segundo a polícia, os quatro corpos foram colocados na própria picape e levados até uma área onde havia uma cova. Em seguida, o veículo foi transportado para outro ponto da propriedade e enterrado em um bunker construído em uma região de mata fechada.

O desaparecimento foi comunicado às autoridades paulistas em 6 de agosto de 2025 pela esposa de Robishley, que procurou a polícia sem saber que o marido e os outros três homens haviam sido mortos.

A picape só foi localizada depois que o pai de uma das vítimas recebeu uma carta anônima com informações sobre o possível paradeiro do veículo. A denúncia levou os investigadores até uma área rural de Icaraíma, onde a caminhonete foi encontrada enterrada e coberta por uma lona.

Os corpos foram localizados em 18 de setembro de 2025, 44 dias após o desaparecimento. Eles estavam enterrados em uma propriedade rural e apresentavam marcas de tiros.

Robishley e Rafael foram sepultados juntos em São José do Rio Preto. Diego foi enterrado no Cemitério Municipal de Olímpia, enquanto Alencar foi sepultado no Paraná.

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