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Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 6 de março

Jornalista Bia Menegildo traz as principais notícias do poder regional

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Zero surpresa

A votação do projeto que revogaria a nova Planta Genérica de Valores (PGV) de Rio Preto terminou como grande parte do meio político apostou. O governo ganhou mais uma. Apesar da derrota, foi uma vitória apertada. Foi uma derrota porque ficou claro que a maioria dos vereadores foi a favor da revogação. O painel ficou em 11 a favor do projeto de revogação e nove contrários. No entanto, eram necessários 12 votos a favor.

Manobras

Os bastidores ficaram movimentados, mas já era certo que Anderson Branco (Progressistas), secretário de Governo, voltaria para a Câmara para neutralizar Marcelo Renato (Novo). A estratégia simples de tirar um voto a favor foi o que de fato salvou o governo da revogação. Marcelo Renato passou a acompanhar a votação das galerias e chegou a ser apontado pelos manifestantes, mas decidiu ficar quieto.

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Sem conversa

Marcelo Renato contou que, na segunda-feira (2), foi chamado até a Prefeitura e informado de que Branco iria voltar a ocupar uma cadeira na Câmara. Não houve uma tentativa de convencimento ou algo parecido, apenas a comunicação. Branco foi exonerado do cargo de secretário de Governo na terça-feira (3), participou da votação, fez discurso contra o projeto da PGV e voltou para o governo no dia seguinte.

Sem tensão

A primeira parte da sessão foi tranquila. Os vereadores usaram a tribuna para falar o que esperavam da votação na parte da tarde. Bruno Moura (Podemos) foi um dos que se dirigiu diretamente aos colegas de plenário, relembrando que eles tinham um acordo e que “homem tem que ser homem”. Já João Paulo Rillo (PT) falou um pouco da proposta dele e dos motivos de querer derrubar a PGV. Nada sutil, mas não se estendeu.

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Explicadinho

Quem também usou a tribuna para se explicar foi Jean Dornelas (MDB). O vereador, que foi chamado pelo prefeito Fábio Candido (PL) de “líder da oposição”, sentiu o peso da cutucada e falou sobre os bastidores da conversa que o levou a sentar com o Executivo. Segundo Dornelas, ele foi procurado por um “grupo político forte” que o incentivou a fazer oposição com sugestões. Ele não deu nomes.

Dois coelhos, uma cajadada

Há quem diga que o tal grupo citado por Dornelas realmente existe e teria dado um jeitinho de não influenciar na votação com o objetivo de resolver dois problemas de uma só vez. O primeiro seria segurar a aprovação do projeto para deixar a vida do prefeito ainda mais complicada e, de quebra, ainda conseguiria tirar o palanque de Rillo. No entanto, uma coisa é colocada como certa: o assunto não morreu. O palanque ainda está armado.

O voto de minerva

Mesmo neutralizando Marcelo Renato, outro probleminha surgiu na hora da decisão. O voto de Jonathan Santos (Republicanos) pegou muita gente de surpresa. Em todas as contagens feitas nos bastidores, enquanto a sessão rolava, o vereador constava como voto contrário. Já na hora do “vamos ver”, ele decidiu ir para a abstenção. Até teve uma tentativa da oposição de fazê-lo sair de cima do muro, mas não deu certo.

A culpa

Logo no início da sessão, Jonathan estava com expressão de preocupado. Depois de declarar abstenção, o vereador teve que ouvir o povo gritando “covarde” e a expressão não mudou. Abner Tofanelli (PSB) ainda tentou convencê-lo, mas o republicano decidiu deixar o plenário. Sob a escolta de Moura, ele ainda foi abordado por Dornelas dizendo “você não precisa carregar essa culpa”. Sem responder, Jonathan foi para a garagem.

Deu ruim

Jonathan se posicionou contra a indicação do partido e o presidente da legenda, Diego Polachini, não economizou. Para o dirigente, o “não-voto” de Jonathan pegou mal com o governo, com a população e com os membros do partido. “A abstenção pesa tanto quanto o voto contra”, disse Polachini. E com razão. Jonathan não se posicionou e virou praticamente o único alvo de críticas dos eleitores.

Mais um

Surpreendendo um total de zero pessoas, o vereador Rossini Diniz (MDB) votou contra a proposta. Segundo Edinho Filho, ainda presidente da legenda, apesar da orientação da cúpula pedindo voto a favor, o posicionamento do parlamentar não foi surpresa. Celso Peixão (MDB) já havia informado ao partido que votaria favorável e acabou surpreendendo a população. Já Dornelas seguiu como tem sido, o homem forte do MDB na Câmara.

Quase redenção

Peixão tinha votado a favor do projeto que definiu a nova PGV. Na ocasião, a imagem dele ficou péssima junto ao eleitor devido a um áudio vazado de uma reunião fechada, com orientações sobre as consequências da aprovação. Desta vez, ele se redimiu com o voto, mas, convenhamos, o voto a favor agora não mudou em nada o que está posto. A PGV continua aí e os vereadores que já estavam apanhando só apanham mais um pouco.

Tá de boa

A primeira votação ficou marcada por uma onda de vingança contra aqueles vereadores que eram da base e foram acusados de “trair” o governo. Teve demissões, mudança de líder do PL e até escracho público. Dizem que as mudanças nos votos não serão alvos de retaliações. Além de Peixão, quem mudou de lado foi Alex de Carvalho (PSB), Abner e Paulo Pauléra (Progressistas) que até divulgou a mudança nas redes sociais.

Na paz

Felipe Alcalá (PL) votou contra a orientação do governo nos dois momentos. Primeiro, o jovem perdeu a liderança do partido na casa para Márcia Caldas (PL). Questionado se tinha algum receio de que pudesse sofrer mais alguma retaliação agora, o vereador disse que gosta de manter o diálogo e que é da paz, ressaltando que não gosta de briga, mas que defende suas convicções. Dono da cadeira, ele já mostra que sabe se valorizar.

Congelamento?

Antes da sessão, na sexta-feira (27), o prefeito chamou a imprensa para uma entrevista sobre o que ele chamou de “congelamento” da PGV. Foi uma medida desesperada para tentar acalmar os ânimos do povo, diante das críticas. Na verdade, o que o prefeito anunciou foi que a PGV continua valendo e que todos os imóveis serão revisados. A única coisa concreta que saiu dali foi a destituição da comissão que estava fazendo as análises.

Nada deve mudar

Ao falar com a imprensa sobre as expectativas de mudança com a revisão geral da PGV, o procurador-geral do município, Luis Roberto Thiesi, disse que acredita que nada vai mudar. Segundo ele, todos os casos revisados até então pela comissão não resultaram em mudanças no valor venal dos cadastros dos imóveis. A fala dele gerou reação do vereador Dr. Tedeschi (PL), que deixou público que ali tem treta.

Sem votos

Segundo Tedeschi, “o procurador municipal tem um parecer técnico, mas ele não foi eleito e não deve interferir nas decisões políticas sobre como os parâmetros da atualização devem ser definidos”. Para o vereador, a revisão deve trazer alguma mudança e ele ainda defende que haja um reajuste de valor venal limitado a 60% em relação a PGV anterior “para corrigir a demora na atualização, que deveria ter sido feita antes”, afirmou.

Surgiu o impeachment

Por mais tenha sido falado nos bastidores, a palavra impeachment nunca tinha sido dita em plenário. Até a sessão desta terça. O primeiro a verbalizar o termo foi Rillo, na tribuna. Ele mesmo fez questão de esclarecer que já ouviu muito sobre isso, mas “agora o governo está se enrolando” e existe a possibilidade de surgir. Renato Pupo (Avante) disse que, mesmo com liminar impedindo, a Prefeitura fez repasses ao Semae para a coleta de lixo.

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