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Eleições 2026 e seus desafios

Artigo escrito por José Antonio Ercolin, presidente da comissão de Direito Eleitoral da OAB Rio Preto e Procurador Legislativo

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As eleições de 2026 prometem ser um divisor de águas no combate à desinformação digital. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) endureceu as regras sobre propaganda eleitoral na internet, especialmente no uso da inteligência artificial, além de ampliar mecanismos de fiscalização financeira das campanhas.

A principal novidade envolve os conteúdos produzidos por IA. A partir de agora, vídeos, áudios ou imagens manipuladas artificialmente deverão informar de forma clara que foram criados ou alterados com o uso dessa tecnologia. A regra vale inclusive para materiais impressos e conteúdos impulsionados nas redes sociais.

O TSE também proibiu a divulgação de deepfakes (vídeos e áudios falsificados digitalmente) envolvendo candidatos nas 72 horas anteriores ao pleito e nas 24 horas posteriores à votação, mesmo que o conteúdo esteja identificado como artificial. A intenção é evitar manipulações capazes de interferir no resultado das eleições nos momentos mais sensíveis da campanha.

Outra inovação importante é a responsabilização das plataformas digitais. Redes sociais e provedores de internet passam a ter obrigação de agir rapidamente diante de conteúdos falsos, perfis automatizados e publicações que atentem contra a integridade do processo eleitoral. As empresas também deverão criar canais específicos para denúncias de irregularidades eleitorais.

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As resoluções ainda proíbem que ferramentas de inteligência artificial recomendem candidatos, indiquem voto ou manipulem conteúdos para favorecer campanhas políticas. O objetivo é impedir que algoritmos influenciem de maneira indevida a escolha do eleitor.

Na área financeira, as campanhas deverão manter maior transparência nos impulsionamentos pagos e no uso de publicidade digital. O TSE determinou que as plataformas mantenham registros públicos sobre anúncios políticos patrocinados, permitindo maior controle sobre gastos eleitorais e origem dos recursos utilizados.

As mudanças mostram que a Justiça Eleitoral está tentando equilibrar liberdade de expressão, avanço tecnológico e proteção da democracia. Em um cenário cada vez mais digital, o desafio será garantir eleições livres sem permitir que a inteligência artificial seja usada como instrumento de fraude ou manipulação política.

José Antonio Ercolin, presidente da comissão de Direito Eleitoral da OAB Rio Preto e Procurador Legislativo.

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