Cidades
Médica de Rio Preto salva passageira durante parada cardíaca em voo para o RJ
Ginecologista e obstetra Carolina Rossignolo Torres coordenou reanimação dentro da aeronave e ajudou mulher de 43 anos a sobreviver
O que seria uma viagem de comemoração e diversão acabou se transformando em um dos momentos mais marcantes da carreira da médica Carolina Rossignolo Torres, de 33 anos, ginecologista e obstetra de Rio Preto.
No dia 29 de abril de 2026, Carolina embarcou em um voo da Latam que seguia de Congonhas, em São Paulo, para o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O objetivo era celebrar o aniversário de uma amiga e assistir ao show da cantora Shakira. Porém, durante o processo de aterrissagem, uma emergência médica mudou completamente o rumo da viagem.
“Eu estava dormindo e achei que estivesse sonhando quando ouvi alguém pedindo um médico. Minha amiga me cutucou e disse: ‘Amiga, acho que precisam de médico ali’”, relembrou.
Ao perceber a movimentação, Carol se levantou rapidamente e se identificou como médica. A paciente, identificada apenas pelas iniciais A.S., de 43 anos, estava desacordada algumas fileiras à frente.
“Chamei por ela, esfreguei o centro do peito e, como ela não respondia, fui verificar o pulso carotídeo. Ele estava ausente”, contou.
Sem tempo a perder, a médica iniciou o protocolo de emergência ainda dentro da aeronave. Com ajuda de um comissário, a passageira foi retirada da poltrona e colocada no corredor do avião, onde a médica começou as compressões cardíacas.
“Eu tive medo de dizer que ela estava em parada cardíaca e o marido se desesperar ainda mais”, afirmou.
Pouco depois, uma enfermeira passou a auxiliar no revezamento das massagens cardíacas, enquanto outra médica realizava ventilação boca a boca. Em seguida, chegou o desfibrilador externo automático (DEA), equipamento utilizado para aplicação de choques em situações de parada cardíaca.
“Ela recebeu o primeiro choque e seguimos o protocolo de reanimação até a chegada da equipe de solo”, explicou.
Segundo Carolina, a paciente voltou a apresentar pulso após aproximadamente 15 a 20 minutos de reanimação e cerca de quatro ou cinco choques.
A médica descreveu a situação como intensa e emocionalmente desgastante.
“O avião estava lotado, havia uma grande e aflita plateia, e o esposo dela acompanhava tudo muito desesperado. Não tínhamos tempo a perder e todos os envolvidos foram rápidos conforme o necessário e possível”, disse.
Apesar de ter nove anos de formação, Carolina contou que nunca havia atendido uma parada cardiorrespiratória dentro de um avião. Nos últimos quatro anos, ela atua exclusivamente na área de obstetrícia.
“Quando percebi a situação, parecia que um botão ligava, e eu simplesmente fazia o que precisava ser feito, sem me importar com o que estavam dizendo ao redor”, relatou.
Dias depois da ocorrência, ao embarcar no voo de retorno para casa, em 4 de maio, Carol recebeu uma notícia que trouxe alívio após a tensão vivida dentro da aeronave. Funcionários da Latam a reconheceram no aeroporto e informaram que a paciente havia sobrevivido, estava bem e receberia alta da UTI.
Ela quis saber como poderia entrar em contato com a família e, ainda naquele dia, recebeu um e-mail do marido da passageira agradecendo o atendimento. Os dois trocaram telefones e fizeram uma chamada de vídeo emocionante no Dia das Mães.
“A.S. é mãe de uma criança de 6 anos e uma de 15 anos. Ter podido ajudar a trazer de volta à vida uma mãe para que ela pudesse estar com seus filhos no Dia das Mães não teve, não tem e jamais terá preço. Até agora, é o evento mais marcante da minha carreira”, afirmou Carolina.
A ginecologista também relatou que a experiência reforçou ainda mais o sentido da profissão.
“Aquela situação do avião me fez sentir capaz de ajudar de verdade em momentos críticos, apesar de a sensação real ter sido a de obrigação cumprida. Me fez ter um pouquinho mais de certeza da escolha da profissão que eu fiz”, completou.
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