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Hospital de Base registra 8 captações de órgãos e 4 corações em 2026

Com índice de autorização familiar de 75%, unidade supera médias estadual e nacional e consolida região como referência em transplantes

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Funfarme

O Hospital de Base de Rio Preto alcançou, nos dois primeiros meses de 2026, a marca de oito captações de órgãos, incluindo quatro corações. Somente nesta segunda-feira (2/3), a equipe realizou uma captação múltipla que envolveu coração, fígado, rins e córneas.

A articulação de todo o processo é feita pela Organização de Procura de Órgãos (OPO) do hospital, que mantém atuação ininterrupta, com equipe formada por cinco enfermeiros e um médico coordenador. O grupo acompanha desde a confirmação de morte encefálica até a manutenção clínica do potencial doador, comunicação com a Central de Transplantes e organização da logística para transporte das equipes médicas.

Segundo o coordenador da OPO, Dr. João Fernando Picollo, a sincronia entre os setores é decisiva, especialmente em casos de múltiplos órgãos, que exigem rapidez e precisão. O tempo é determinante: o coração pode permanecer fora do corpo por cerca de quatro horas; o fígado, até oito; e os rins, aproximadamente 24 horas.

Um dos pontos considerados estratégicos para o desempenho regional é o índice de autorização familiar. Nos 24 hospitais que integram a rede coordenada pela OPO do HB, a taxa de aceitação chega a 75%, patamar considerado um dos mais elevados do país. No Brasil, a retirada de órgãos só ocorre com consentimento da família, o que exige preparo técnico e abordagem humanizada no momento do luto.

A logística para garantir agilidade conta ainda com o apoio do programa TransplantAR, iniciativa de aviação solidária homologada pelo Governo do Estado de São Paulo. Por meio da cessão de horas de voo em aeronaves particulares, equipes e órgãos são transportados com maior rapidez, ampliando as chances de sucesso dos procedimentos.

Os resultados regionais refletem um trabalho de mais de uma década voltado à capacitação de profissionais de saúde. Mais de 700 profissionais foram treinados em mais de 140 municípios do noroeste paulista. Atualmente, a região registra 46 doadores por milhão de habitantes (pmp), índice que mais que dobra a média do Estado de São Paulo (22 pmp) e do Brasil (20 pmp).

Especialistas destacam que o Sistema Nacional de Transplantes é o maior sistema público do mundo e funciona com critérios técnicos rigorosos, respeitando a ordem da lista de espera. Cada doador falecido pode beneficiar até oito pessoas com órgãos vitais e impactar dezenas de outras com a doação de tecidos, como córneas, pele e ossos.

O Hospital de Base é considerado como um dos principais polos transplantadores do país e amplia a contribuição da região para a redução das filas de espera por órgãos.

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