Economia
Páscoa pesa no bolso em Rio Preto com alta de até 30% em itens tradicionais
Pescados sobem até 28,6% e pressionam ainda mais o orçamento
A Páscoa de 2026 chega mais cara a Rio Preto, com impacto direto no consumo local. Levantamento do Procon-SP, que inclui cidades do interior, aponta que os itens típicos da data subiram em média 11,16% em um ano. No mesmo período, a inflação oficial ficou em torno de 3,8%. Na prática, a celebração encareceu quase três vezes mais do que o custo de vida geral.
O avanço não se limita ao chocolate. Os pescados, que ganham protagonismo na Semana Santa, também registram alta relevante. Segundo o mesmo levantamento, produtos congelados, categoria que inclui peixes, tiveram aumento de 28,6%. O chocolate aparece com elevação ainda mais intensa, chegando a 31,6% em alguns itens pesquisados.
Em Rio Preto, esse movimento se traduz em decisões mais cautelosas no momento da compra. A composição da cesta típica da Páscoa envolve produtos com forte influência de custo externo, logística e sazonalidade. Isso amplia o impacto no interior, onde o abastecimento depende de cadeias mais longas e, muitas vezes, de importação.
O bacalhau é o exemplo mais claro dessa pressão. Produto tradicional da data, ele apresenta grande variação de preço no estado. O levantamento do Procon identificou valores entre R$ 119,90 e R$ 269,98 o quilo, uma diferença superior a 125% entre estabelecimentos. Essa dispersão reforça a necessidade de pesquisa e evidencia um mercado ainda instável.
Para o despachante aduaneiro Marcio Marcassa Jr., da Rio Port, o comportamento de preços segue uma lógica previsível, mas difícil de neutralizar no curto prazo. “O bacalhau é um produto importado e sensível ao câmbio. Além disso, existe uma concentração de demanda muito forte nesse período. O custo sobe antes e chega ao varejo justamente na época de maior consumo.”
Ele explica que o consumidor não percebe eventuais quedas internacionais com rapidez. “Existe um intervalo entre negociação, importação e distribuição. O produto que está na prateleira agora foi adquirido com custos anteriores, muitas vezes mais altos. Esse efeito aparece direto no preço final.”
Esse cenário altera o comportamento de compra em Rio Preto. Supermercados registram maior procura por alternativas mais acessíveis, como tilápia e merluza, além da redução no volume adquirido por família. O consumidor mantém a tradição, mas ajusta o cardápio para caber no orçamento.
Outro ponto relevante é a diferença de preços entre estabelecimentos. O próprio Procon-SP indica variações que podem ultrapassar 100% em alguns produtos. Esse fator passa a ter peso decisivo na escolha do consumidor local, que intensifica a comparação antes de fechar a compra.
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