Política
Pinga-Fogo Gazeta de Rio Preto: confira como pensa cada candidato
A entrevista da série é com Claudia de Giuli (PRD), candidata a deputada estadual
O jornal Gazeta de Rio Preto segue com a seção Pinga-Fogo, abrindo espaço para que os candidatos revelem como pensam sobre temas importantes para a cidade e o país.
A entrevista da série, desta vez, é com Claudia de Giuli (PRD), candidata a deputada estadual.
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Câmera no uniforme da polícia? A favor. A câmera protege a população e também protege o bom policial. Hoje, qualquer abordagem pode ser filmada parcialmente por um celular e divulgada sem todo o contexto. A gravação integral traz transparência, segurança jurídica e permite saber exatamente o que aconteceu. Quem trabalha corretamente também precisa ter instrumentos para provar que agiu corretamente.
Voto impresso: contra ou a favor? Contra. O sistema eleitoral brasileiro permitiu que o país alcançasse rapidez e eficiência na apuração das eleições. Defendo fiscalização, transparência e permanente aperfeiçoamento dos mecanismos de segurança, mas não vejo necessidade de retrocedermos ao voto impresso.
Redução da maioridade penal? A favor, desde que acompanhada de planejamento. Simplesmente reduzir a maioridade penal e colocar mais pessoas dentro de um sistema penitenciário já sobrecarregado não resolve o problema da violência. Uma mudança dessa dimensão precisa vir acompanhada de uma reformulação séria do sistema prisional.
Acredito que precisamos discutir, inclusive, um modelo em que o trabalho faça efetivamente parte do cumprimento da pena, de forma obrigatória dentro das condições previstas em lei e respeitadas as limitações de cada pessoa. O período de encarceramento não pode representar apenas anos de ociosidade custeados pela sociedade. Trabalho, educação e capacitação profissional podem contribuir para a disciplina, para a ressocialização e para que o preso tenha melhores condições de retornar à sociedade.
Anistia total para os condenados do 8 de janeiro? Contra a anistia total. Cada pessoa deve responder individualmente pelos atos que praticou, respeitados o devido processo legal, a proporcionalidade das penas e o direito de defesa. Não acredito nem em impunidade coletiva nem em responsabilização coletiva. Justiça precisa analisar condutas e responsabilidades individualmente.
É a favor da descriminalização do porte de maconha? Contra, neste momento. Entendo que esse é um debate complexo e que envolve saúde pública, segurança, educação e política de drogas. No entanto, acredito que o Brasil ainda precisa amadurecer muito suas políticas públicas e sua capacidade de prevenção, orientação e tratamento antes de avançar em uma mudança dessa dimensão.
Não podemos simplesmente descriminalizar sem discutir seriamente as consequências e, principalmente, sem preparar o Estado para lidar com elas. Países que avançaram nesse debate possuem realidades sociais, educacionais e estruturas públicas muitas vezes diferentes das nossas.
Fim da reeleição de políticos? Contra. Acredito que quem deve decidir se um representante merece continuar ou não é a população, por meio do voto. O problema da política não é a possibilidade de reeleição, mas a falta de resultados, transparência e compromisso de alguns representantes. Se o trabalho é ruim, cabe ao eleitor substituir. Se é bom, não vejo por que impedir que a população escolha novamente aquela pessoa.
Revitalização da Avenida Murchid Homsi? A favor da revitalização, mas contra a retirada indiscriminada de centenas de árvores. Rio Preto precisa modernizar sua infraestrutura, mas desenvolvimento e preservação ambiental não podem ser tratados como adversários. Com planejamento, engenharia e tecnologia, é possível buscar alternativas que conciliem mobilidade, segurança e preservação da arborização. Uma cidade cada vez mais quente precisa de mais árvores, e não simplesmente eliminá-las.
Smart City? A favor, desde que seja uma cidade inteligente para as pessoas, e não apenas no discurso. Tecnologia só faz sentido quando melhora concretamente a vida da população. Quero tecnologia ajudando no trânsito, na saúde, na segurança, na zeladoria, na proteção animal, no meio ambiente e na eficiência dos serviços públicos. Ser Smart City não pode ser apenas instalar equipamentos e criar um nome bonito para um projeto; precisa significar serviços públicos melhores e uma cidade mais eficiente. Importante mensurar também sobre as necessidades atuais para definir o grau de prioridade.
Colégio cívico-militar? Contra a forma como vem sendo implantado. Disciplina, respeito aos professores e organização são valores importantes dentro da escola, mas qualquer mudança no modelo educacional precisa envolver a comunidade escolar e, principalmente, apresentar resultados pedagógicos concretos. Educação pública deve ser construída com planejamento, diálogo e evidências, e não apenas com mudança de modelo administrativo.
Educação em período integral? A favor. Mas período integral não pode significar simplesmente manter a criança mais horas dentro da escola. É preciso oferecer estrutura, esporte, cultura, tecnologia, educação ambiental, alimentação adequada e atividades que contribuam efetivamente para sua formação. Quando bem executada, a educação integral também é uma importante política social para as famílias.
Algo de que se orgulha de ter feito na vida política?
Tenho muito orgulho da minha trajetória como vereadora de São José do Rio Preto. Entrei para a vereança com o compromisso de ampliar as castrações e consegui entregar muito mais do que havia prometido.
Foi a partir desse trabalho que ajudamos a colocar a causa animal definitivamente dentro do poder público, com conquistas como as castrações em massa, o fim das carroças, a proibição dos fogos com estampido, a Clínica Pet e o Pet Parque, o maior da América Latina.
Esse trabalho também contribuiu para a criação de uma das primeiras Secretarias de Bem-Estar Animal, que tive a honra de assumir como primeira secretária.
Meu maior orgulho é esse: entrei prometendo castração e entreguei uma política pública para a causa animal.
Algo importante que político local ainda não fez por Rio Preto?
Rio Preto avançou muito na causa animal e hoje possui políticas que se tornaram referência, mas ainda precisamos garantir que essas conquistas continuem crescendo e se tornem cada vez mais permanentes.
Para isso, é fundamental ter representação no Legislativo, alguém que conheça a realidade da causa, proponha leis, fiscalize, busque recursos e lute para ampliar aquilo que já conquistamos. Muitas vezes uma boa política pública nasce, mas perde força pela falta de continuidade.
A causa animal precisa deixar de depender da vontade de cada gestão e ocupar definitivamente seu espaço dentro das políticas públicas. Conquistar é importante, mas garantir que essas conquistas permaneçam e avancem é o próximo passo.
Quais suas principais bandeiras, caso eleito?
Causa animal, meio ambiente e educação ambiental. Quero levar para o Estado a experiência e os resultados que construímos em Rio Preto, principalmente na proteção animal, fortalecendo políticas de castração, atendimento veterinário, combate aos maus-tratos e apoio aos municípios.
Também quero trabalhar por políticas ambientais mais efetivas e pela educação ambiental, especialmente dentro das escolas. Acredito que cuidar dos animais, preservar o meio ambiente e educar as próximas gerações são compromissos que caminham juntos.
Minha principal bandeira continuará sendo a causa animal, mas com a visão de que proteger os animais e o meio ambiente é também cuidar das pessoas.
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