Política
Ricardo Salles diz que Senado deve “defender São Paulo” em podcast
Candidato do Novo afirma que prioridade será recuperar recursos enviados pelo Estado à União, promete atuar pelo “reequilíbrio” entre os Poderes e dispara contra adversários
O candidato ao Senado por São Paulo Ricardo Salles (Novo) participou, nesta sexta-feira (11), do podcast da Gazeta de Rio Preto e da revista Perfil Business. Ex-ministro do Meio Ambiente e atual deputado federal, Salles afirmou que decidiu disputar o Senado para ampliar a defesa dos interesses de São Paulo no Congresso Nacional.
Segundo o candidato, a experiência acumulada como secretário estadual, ministro e deputado federal o credencia para a disputa. Ele afirmou que poderia buscar a reeleição para a Câmara, mas considera que o Senado tem uma função estratégica na defesa dos Estados e no equilíbrio entre os Poderes. “Eu me reelegeria deputado federal, diria que com alguma facilidade, mas a missão que eu me dispus é uma missão que exige que eu esteja em São Paulo”, afirmou.
Para Salles, uma das principais funções de um senador paulista deve ser cobrar maior retorno dos recursos arrecadados no Estado. Ele afirmou que São Paulo responde por cerca de um terço da arrecadação federal, mas recebe de volta menos de 10%.
“O primeiro papel de um senador por São Paulo é defender com unhas e dentes São Paulo. São Paulo é a locomotiva do Brasil”, disse.
O candidato afirmou que pretende buscar recursos federais para áreas como saúde, segurança pública, infraestrutura, habitação e transporte. Na segurança, citou a necessidade de investimentos nas polícias Civil e Penal, além de melhorias em estrutura e equipamentos.
“São Paulo paga a conta do Brasil. E, na hora de receber de volta o dinheiro que nós mesmos estamos mandando, ele é esquecido”, declarou.
Críticas aos adversários
Durante a entrevista, Salles fez críticas aos principais adversários que citou na corrida ao Senado, especialmente André do Prado (PL), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Em relação a Marina e Simone, o candidato questionou os vínculos das duas com São Paulo. Marina construiu sua carreira política no Acre, enquanto Simone Tebet tem trajetória no Mato Grosso do Sul. Para Salles, o eleitor paulista deve priorizar candidatos com uma ligação efetiva com o Estado. “Um senador por São Paulo tem que ser como eu, um paulista de verdade que vai lutar por seu Estado de verdade”, afirmou.
Salles foi questionado sobre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que nasceu no Rio de Janeiro e apoia sua própria candidatura à reeleição em São Paulo. O candidato fez uma distinção entre Tarcísio e as adversárias e afirmou que o atual governador não tinha carreira política antes de se estabelecer no Estado.
Ele também criticou o apoio de Tarcísio a André do Prado para o Senado. Na avaliação de Salles, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo teria sido incluído na composição política como alternativa à candidatura a vice-governador.
Salles ainda classificou André do Prado como representante do Centrão e questionou sua trajetória política e antigas alianças com o PT. “Eu não me meto com o PT em nada. Eu estou há 20 anos na vida pública, mas zero, zero, zero”, disse.
Saída do PL
Salles também explicou sua saída do PL e afirmou que a decisão não representou um rompimento com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, o motivo foi a influência exercida pelo presidente da legenda Valdemar Costa Neto sobre o partido. “Não é porque eu briguei com o Bolsonaro, é porque o Valdemar é quem manda no PL”, afirmou.
O candidato disse que deixou a legenda porque não queria depender da direção nacional para decidir sobre sua candidatura ao Senado. “Eu não quero dar para o Valdemar esse direito dele escolher. Então eu tive que sair, fui para o Partido Novo”, declarou.
Questionado sobre sua relação atual com Bolsonaro, Salles afirmou que não tem mantido contato com o ex-presidente em razão das restrições impostas a ele.
Pesquisas e disputa pela direita
Salles minimizou os resultados das pesquisas eleitorais que apontam outros candidatos à frente na corrida pelas duas vagas ao Senado. Ele afirmou que a eleição ainda não entrou no radar de boa parte dos eleitores e que os números podem mudar durante a campanha. “Eu acho que esses números não refletem a realidade, por uma razão simples: o eleitor nem sabe que tem eleição para duas vagas de Senado”, disse.
O candidato também avaliou positivamente sua participação no primeiro debate entre os concorrentes e afirmou que o desempenho poderá influenciar a disputa. “Se eu fizer hoje uma pesquisa, eu estou na frente deles tranquilamente”, declarou.
Salles disse ainda que sua candidatura tem pontos de convergência com a de Guilherme Derrite (PL), principalmente por ambos se posicionarem à direita. Segundo ele, Derrite tem uma trajetória mais ligada à segurança pública, enquanto sua atuação política seria mais ampla. “O Derrite é um cara que tem uma história na área da segurança pública. A minha visão da direita é um pouquinho mais ampla do que a do Derrite”, afirmou.
Emendas parlamentares
Outro tema abordado foi o sistema de emendas parlamentares. Salles defendeu a extinção do mecanismo e também dos fundos partidário e eleitoral. “Não tem que ter emenda parlamentar. Eu sou contra, 100% contra. Por mim, acaba a emenda parlamentar”, afirmou.
Apesar da posição, o candidato disse que utiliza as emendas a que tem direito como deputado federal para destinar recursos principalmente à saúde e à assistência social. Ele citou repasses para Santas Casas e entidades da região. “Eu dou para a saúde e assistência social. Dei aqui para as Santas Casas da região, dei para a APAE, dei para várias entidades que realmente precisam e fazem um bom trabalho”, afirmou.
Meio ambiente
Ex-ministro do Meio Ambiente durante o governo Bolsonaro, Salles também defendeu sua atuação à frente da pasta e rebateu críticas relacionadas à fiscalização ambiental.
Segundo ele, sua gestão procurou conciliar preservação ambiental e desenvolvimento econômico, com maior participação do setor privado. “Pela primeira vez na história, a gente teve um Ministério do Meio Ambiente que reconhecia o valor do setor privado, a importância da prosperidade, da riqueza e do desenvolvimento gerado pelo setor privado”, disse.
Salles também contestou críticas relacionadas ao desmatamento durante o governo Bolsonaro e comparou os índices registrados naquele período com números de gestões anteriores. O candidato atribuiu a Marina Silva, quando ela comandou o Ministério do Meio Ambiente, índices superiores aos registrados durante sua gestão.
O ex-ministro apontou ainda o saneamento básico como um dos principais problemas ambientais do país e citou o marco legal do saneamento como uma das principais medidas do governo Bolsonaro. “Um país de 210 milhões de pessoas, você ter 100 milhões de pessoas que não têm coleta e tratamento de esgoto em casa, é um absurdo”, afirmou.
Perguntas rápidas
Na parte final da entrevista, Salles respondeu a uma série de perguntas rápidas sobre a política nacional.
Para ele, o maior erro da direita brasileira nos últimos anos foi a comunicação. O principal erro do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo Salles, foi a corrupção. Questionado sobre o maior acerto da atual gestão federal, respondeu: “Não houve”.
Sobre Bolsonaro, apontou como principal acerto a ascensão da direita no cenário político brasileiro. Já o maior erro do ex-presidente, na avaliação dele, foi ter confiado nos militares para administrar o país.
Questionado sobre qual bandeira não abandonaria em um eventual mandato de oito anos no Senado, Salles respondeu: “São Paulo, que é o Estado que eu nasci, vivo e amo.”
Perguntado sobre o que manteria e o que revogaria imediatamente de um eventual governo Lula, foi direto: “Eu não manteria nada.”
Ao resumir sua candidatura, Salles afirmou que pretende se apresentar ao eleitor como “um paulista e de direita de verdade”.
A entrevista completa está disponível nos perfis da Gazeta de Rio Preto e da revista Perfil Business no Instagram e no YouTube.
https://www.instagram.com/revista_perfilbusiness/
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