Política
Segurança do Palmeiras contesta laudo e reafirma que foi chamado de “macaco velho”
Confusão foi em fevereiro e inquérito por suposta injúria racial está em andamento
O segurança do Palmeiras, Adilson Antônio de Oliveira, apresentou um novo parecer técnico nesta quinta-feira (17) e voltou a afirmar que foi vítima de injúria racial cometida pelo vice-prefeito de Rio Preto e secretário de Obras, Fábio Marcondes (PL). Segundo ele, o político o chamou de “macaco velho” durante uma confusão registrada em fevereiro, após a partida entre Mirassol e Palmeiras, pelo Campeonato Paulista.
A nova análise, elaborada pela empresa LCX Inteligência em Perícias, de Curitiba, foi contratada pela defesa do segurança e anexada ao inquérito policial. O parecer contesta o laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo, que concluiu que a expressão usada por Marcondes foi “paka véa” — termo considerado sem conotação racial.
A defesa do segurança, liderada pelo advogado Euro Filho, classificou a conclusão da perícia oficial como “estapafúrdia” e afirmou que uma escuta atenta do vídeo da discussão revela com clareza o uso do termo “macaco velho”. O parecer ainda afirma que os argumentos técnicos apresentados “jogam uma pá de cal sobre as errôneas conclusões da perícia oficial”.
O documento de 16 páginas argumenta que a palavra ouvida possui três sílabas, reforçando a hipótese de que se trata da palavra “macaco”. Segundo os peritos contratados, a transcrição oficial “ignora nuances fonoacústicas” e desconsidera as reações das pessoas envolvidas na cena, que, segundo eles, reagiram de forma imediata à fala de Marcondes, o que não ocorreria com um termo como “paka”.
A análise também aponta limitações dos softwares utilizados em perícias fonéticas e defende que a interpretação auditiva humana, nesse caso, é mais confiável.
No vídeo registrado pela TV Tem, Marcondes aparece chamando o segurança de “lixo” diversas vezes e, posteriormente, teria usado o termo questionado. O primeiro laudo oficial, requisitado pelo delegado Renato Camacho, apontou que a expressão fonética era “paka”, e a perícia complementar reforçou essa versão, negando a presença da sílaba “ma” ou da terminação típica da palavra “macaco”.
Em depoimento à Polícia Civil, Marcondes alegou que reagiu para defender seu filho, supostamente agredido, e disse que os insultos foram direcionados ao time do Palmeiras, não a integrantes da comissão técnica ou segurança. Por orientação de seu advogado, ele se recusou a comentar os laudos periciais.
Em nota, o advogado de Marcondes, Edlênio Xavier Barreto, afirmou que o parecer é “parcial e desprovido de isenção”.
“Contudo, em respeito à coerência da atuação, pautada pela prudência, responsabilidade e compromisso com a verdade dos fatos, a defesa esclarece que se manifestará de forma técnica, formal e detalhada nos autos do inquérito, no momento processual oportuno”, consta ainda na nota.
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