Cidades
Operação da Receita Federal mira empresas na Redentora, em Rio Preto
Viaturas do 9º Baep e da Receita Federal cumpriram mandados; funcionários foram mantidos do lado de fora e orientados a não comentar o caso
Empresas do setor financeiro instaladas na rua Jaci, no bairro Redentora, em Rio Preto, foram alvo, na manhã desta quinta-feira (28/5), da Operação Fluxo Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Receita Federal e outros órgãos estaduais e federais. Viaturas do 9º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) e da Receita Federal estiveram no local para o cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Durante a ação, funcionários permaneceram do lado de fora das empresas e foram proibidos de falar sobre a operação. Os mandados tiveram como alvo fintechs e instituições de pagamento investigadas por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e fraudes ligadas ao setor de combustíveis e ao crime organizado.
Uma das empresas investigadas é uma instituição de pagamento, que já vinha sendo mencionada recentemente em meio a polêmicas envolvendo operações financeiras e investigações relacionadas ao futebol. Outra empresa alvo da operação é uma fintech e subadquirente brasileira especializada em meios de pagamento e serviços financeiros voltados para micro e pequenas empresas.
A operação conta com a atuação operacional do 9º Baep, com emprego de 8 viaturas e 42 policiais militares, além da participação de 4 Promotores de Justiça, 9 servidores do Ministério Público e apoio de agentes da Receita Federal Brasileira.
Outros mandados estão sendo cumpridos em postos de combustíveis da cidade.
Entenda a operação
A Operação Fluxo Oculto é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil.
Segundo o MP, a nova fase é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que revelou o avanço de organizações criminosas, como o PCC, dentro do ecossistema do mercado de combustíveis, instituições de pagamento e fundos de investimento.
O objetivo da operação é aprofundar as investigações sobre um esquema de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis, incluindo o uso irregular de nafta, um tipo de solvente petroquímico. As apurações apontam que fintechs investigadas funcionariam como “bancos paralelos” da organização criminosa, realizando compensações financeiras entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas e fundos de investimentos ligados ao esquema.
As investigações também identificaram uma estrutura de empresas fantasmas abertas em diversos estados do país, utilizando parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos como laranjas. Essas empresas seriam usadas para simular compras de solventes que, na prática, eram desviados para abastecer o mercado clandestino de combustíveis na Grande São Paulo.
Ainda de acordo com o Ministério Público, fundos de investimentos também eram utilizados para ocultar os verdadeiros beneficiários do dinheiro obtido ilegalmente. Quatro fundos investigados possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões, com crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.
Ao todo, estão sendo cumpridos 55 mandados de busca e apreensão, com apoio dos GAECOs dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
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