Política
Servidores da Empro viram réus por ataque hacker
Decisão também determina abertura de nova investigação e apuração por improbidade administrativa
Três servidores da Empresa Municipal de Processamento de Dados (Empro) se tornaram réus na ação penal que apura o ataque hacker que paralisou sistemas da Prefeitura de Rio Preto em junho do ano passado. Em decisão publicada nesta sexta-feira (3) no Diário da Justiça, o Judiciário recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP), determinou a citação dos acusados para apresentação de defesa e decretou o bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados.
Dos três réus, dois deles estão afastados de suas funções na Empro e todos também respondem a sindicância administrativa instaurada pela empresa. O processo tramita em segredo de Justiça.
Os três vão responder pelos crimes de associação criminosa, invasão de dispositivo informático qualificada e inserção de dados falsos em sistema de informações. Ao receber a denúncia, a Justiça determinou que os acusados sejam citados para apresentar defesa no prazo de dez dias.
A decisão também acolheu pedido formulado pelo Ministério Público e determinou o bloqueio de ativos financeiros, a restrição de veículos e a averbação de indisponibilidade de bens dos denunciados e das pessoas jurídicas apontadas na denúncia.
Na decisão, o juiz afirma que existem “elementos informativos coligidos no inquérito policial que revelam, em cognição sumária, indícios consistentes da prática de delitos que teriam causado expressivos prejuízos à administração pública municipal”. O magistrado também determinou a instauração de novo inquérito policial para apurar outros possíveis crimes relacionados ao caso e o envio de cópias ao Ministério Público para análise de eventual prática de improbidade administrativa pelos envolvidos.
Segundo comunicado divulgado pelo Ministério Público no início de junho, a investigação aponta que o grupo teria promovido um ataque cibernético interno estruturado para simular a atuação de hackers externos. Conforme o MP, os investigados utilizaram ferramentas legítimas do sistema operacional para dificultar a identificação da invasão, provocando a criptografia simultânea de milhares de computadores e servidores da Empro e a paralisação de serviços públicos essenciais. As investigações também apontam que os acusados teriam utilizado o acesso privilegiado à infraestrutura da empresa pública para beneficiar empresas privadas ligadas ao grupo.
O ataque ocorreu em junho de 2025 e deixou os sistemas da Prefeitura fora do ar por cerca de seis dias. Entre os serviços afetados estavam o telefone do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Guarda Civil Municipal e diversos sistemas administrativos utilizados pela administração municipal.
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