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Ex-marido que esfaqueou professora em creche a culpava por seus fracassos

Boletim de ocorrência registrado em abril relata ameaças de morte, tentativa de invasão da casa e acusações feitas por Luciano contra a ex-mulher após o fim do relacionamento

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Reprodução/ circuito de segurança (o frame passou por tratamento com IA para melhorar sua nitidez de imagem)
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A professora de 44 anos que foi esfaqueada pelo ex-marido na manhã da última quinta-feira (17/9), no estacionamento de uma creche em Rio Preto, continua internada no Hospital de Base. O estado de saúde dela é estável, ela está consciente e não corre risco de morte.

Um boletim de ocorrência registrado em abril deste ano na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) já relatava uma sequência de ameaças atribuídas a Luciano Severo dos Santos, de 49 anos, contra a ex-mulher e familiares. Na época, o casal estava separado após cerca de 24 anos de casamento.

Segundo o registro policial, os conflitos se agravaram depois que Luciano passou cerca de um ano no exterior. Durante o período, conforme o relato feito à polícia, ele teria enviado ameaças reiteradas e pressionado a ex-mulher para que reatasse o relacionamento, por não aceitar o pedido de divórcio.

O BO também relata que Luciano teria deixado dívidas em nome da ex-mulher, não prestado auxílio financeiro e passado a responsabilizá-la por problemas pessoais, pelo uso de álcool e drogas e também por fracassos profissionais.

Ameaças à família

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Ainda de acordo com o registro, em 18 de abril, por volta das 20h, Luciano teria aparecido de surpresa na residência da ex-mulher. Ele teria batido insistentemente no portão, gritado e tentado entrar no imóvel. Segundo o relato, o homem chegou a subir em um veículo estacionado em frente à casa para tentar pular o portão, depois de ouvir os cães da família. Na ocasião, teria ameaçado matar os três animais caso não fossem entregues e dito que voltaria armado para atirar contra os moradores.

Ele também teria afirmado que “não tem medo da polícia”.

O filho do casal, de 23 anos, também teria sido ameaçado de morte pelo pai ao sair até o portão e avisar que chamaria a polícia. Conforme o registro, o homem teria dito que, mesmo deixando o local, faria algum mal ao filho caso o encontrasse na rua.

O boletim aponta que as ameaças não teriam começado naquele dia. Desde o ano anterior, Luciano enviava mensagens intimidatórias, nas quais teria ameaçado incendiar a motocicleta da ex-mulher e atear fogo na residência. Em uma das ameaças, teria afirmado que a mãe dela, uma idosa com mais de 70 anos, “pagaria pelos erros” da ex-companheira.

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A vítima relatou ainda à polícia que Luciano ameaçava conseguir uma arma de fogo com terceiros. Embora não houvesse conhecimento de uma arma registrada em nome dele, segundo o BO, ele dizia ter facilidade para conseguir uma.

As vítimas relataram à DDM que as ameaças eram utilizadas para provocar medo, constrangimento e pressão psicológica, em um contexto de violência doméstica e familiar relacionado à não aceitação do fim do relacionamento.

Ataque

Meses depois do registro das ameaças, Luciano foi apontado pela investigação como autor da tentativa de feminicídio contra a ex-mulher.

O ataque aconteceu na manhã de ontem, quando a professora chegava para trabalhar no Centro Social Estoril, onde atua em um projeto social.  Luciano estava armado com uma faca e, conforme a investigação, atingiu a mulher com vários golpes no peito.

Depois do ataque, o suspeito fugiu levando a motocicleta da ex-mulher.

Horas depois, equipes da Força Tática do 17º Batalhão da Polícia Militar localizaram Luciano no bairro Higienópolis. Ele foi preso e levado para a DDM, onde seria ouvido pela delegada Aline Fernandes.

A investigação aponta ainda que já havia um registro de violência doméstica envolvendo o casal e que a mulher tinha uma medida protetiva em vigor. A ordem judicial determinava que Luciano não se aproximasse dela.

Segundo a DDM, ele deverá responder por tentativa de feminicídio, descumprimento de medida protetiva e roubo, pela subtração da motocicleta da vítima.

Imagens do circuito de segurança do Centro Social Estoril também devem ser analisadas pela polícia para auxiliar na reconstrução do ataque e no esclarecimento das circunstâncias do crime.

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