Saúde
Por que a inteligência emocional é tão importante para a nossa saúde?
Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel
Quando pensamos em recursos ou ferramentas que possam favorecer nossa saúde, imediatamente consideramos os alimentos, o exercício físico, as vitaminas e os medicamentos. No entanto, existe mais um aliado importantíssimo para a estabilidade de nossa saúde: a inteligência emocional.
Esta inteligência concreta e mais palpável, que pode ser desmembrada em infindáveis talentos, em diferentes campos do conhecimento, é uma riqueza mais valiosa e perene que o bem material. Mas esta inteligência concreta não garante equilíbrio, moderação e humildade nas relações humanas. Pode, ao contrário, ser propulsora de relações conturbadas, estresse físico, estresse emocional e inúmeros problemas de saúde.
Desta forma, começamos a compreender esta relação promissora entre a inteligência emocional e o estado de saúde de uma pessoa. Para ficar mais fácil entender o conceito de inteligência emocional e perceber o porquê de sua proximidade com nossa saúde, vou apresentar algumas facetas pertinentes.
1. Versatilidade
As pessoas tendem a desenvolver ansiedade e muitos problemas de saúde decorrentes deste estado de descontrole emocional, por quererem resolver tudo sozinhas, do seu jeito, sem dividir tarefas e priorizar ações. Isto pode ser catastrófico para saúde de uma pessoa.
Por outro lado, nada impede que uma pessoa possa desenvolver a capacidade de ser como um malabarista, acumulando funções e obtendo bons resultados -é o que conhecemos como versatilidade. Não é missão fácil ser versátil, mas pode aliviar algumas tensões, como esperar que as outras pessoas pensem e ajam como nós desejamos.
2. Flexibilidade
Ser flexível significa não tomar uma decisão precipitada, significa não valorizar apenas a primeira versão dos fatos. A flexibilidade caminha mais para o lado da paz e, assim, mesmo que de uma forma inconsciente, nossos órgãos trabalham com melhor eficiência.
3. Sorriso no rosto
Sorrir é um mecanismo de relaxamento físico e mental. Um sorriso no rosto afasta as brigas, valoriza mais as relações humanas e estimula nosso corpo a produzir substâncias positivas para nosso bem-estar. Saber sorrir e vivenciar, com a maior naturalidade possível, as situações desafiadoras da vida, pode ser um ótimo “remédio” contra alguns agravos como a depressão.
4. Saber dizer 'não'
Muito importante buscar um ambiente de harmonia, com bons valores e respeito a todos. Isto não significa, por outro lado, aceitar todas as condições e não estabelecer certos limites. Muitas pessoas desenvolvem problemas neurológicos e digestivos, por não conseguir expressar claramente sua opinião, sobretudo uma resposta negativa. Dizer “não” é um mecanismo de autoproteção, não é demérito ou covardia.
5. Autoestima
Todos nós temos o péssimo hábito de achar que as posses, os méritos intelectuais e a estrutura familiar das outras pessoas estão acima dos nossos. Isto até pode ser verdade, mas não deveria ser motivo de inferioridade, azar e incapacidade. Esta busca constante pela preservação da autoestima pode prevenir quadros depressivos, estados de ansiedade e doenças cardiovasculares, como as arritmias e o infarto.
6. Senso de equipe
O ser humano foi constituído para viver em sociedade. Desta convivência, derivam as relações pessoais e profissionais. Mas sabemos muito bem o quão difícil é trabalhar e viver em grupo. As vaidades, pensamentos pouco flexíveis e influências culturais podem abalar este senso de equipe, gerando brigas, separações, traições e, logicamente, uma gama infindável de doenças.
7. Fé
Não quero aqui ingressar no universo específico das filosofias religiosas, para manter o devido respeito a todas as opções existentes. No entanto, a Bíblia revela uma definição muito sábia acerca do conceito de fé: “A certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.”
Pessoas com esta crença demonstram mais motivação em suas ações, mais vigor em seus projetos, mais positivismo em seus propósitos de vida. Naturalmente, a probabilidade de desenvolver agravos como depressão, ansiedade, doenças cardiovasculares e doenças neurológicas diminui substancialmente.
8. Coragem
Albert Einstein certa vez profetizou que “o único homem que está isento de erros é aquele que não arrisca acertar”. Desta forma, ter coragem significa manter-se em constante movimento para evitar a queda, jamais desistir diante das adversidades.
A coragem pode exercer um efeito muito positivo em estimular nossa mente a produzir cada vez mais ideias promissoras, afastando o mal-estar das relações humanas, as tensões e as doenças. Quando existe um foco determinado e senso permanente de coragem, nosso organismo e nossa saúde trabalham a nosso favor.
A partir desta leitura, gostaria de alertar para que todos nós façamos uma nova reflexão sobre nossas vidas, especialmente sobre nossa saúde. Vamos tentar dar mais importância a tantos aspectos desta habilidade conhecida como inteligência emocional.
Com o tempo, certamente iremos perceber que nossa saúde não depende apenas dos alimentos que escolhemos, dos medicamentos que usamos e de nossos hábitos de vida. Ao contrário, nossa saúde também depende de alguns pilares de vida que adotamos em nossas relações pessoais e profissionais. Estes pilares são as facetas da inteligência emocional e todos nós podemos aprimorá-la ao longo de nossas vidas.
Para saber mais sobre a saúde do coração, me acompanhe no Instagram: @edmoagabriel.
Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago.
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