Política
Conselheira diz que denunciou secretária ao MP após proposta “estranha”
Janaina Albuquerque afirma que gravou reunião com a secretária Sandra Reis após ser chamada para encontro a sós
A conselheira tutelar Janaina Albuquerque afirmou que decidiu denunciar a secretária municipal de Desenvolvimento Social de Rio Preto, Sandra Reis, ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP) após uma reunião que, segundo ela, levantou suspeitas de tentativa de cooptação política e oferta de vantagens financeiras.
Em entrevista, Janaína disse que a decisão de formalizar a denúncia também foi motivada pelo que classificou como uma escalada de tensão e episódios de violência política na cidade.
“Você tem vereador falando de ameaça, um dos maiores influenciadores da cidade falando de ameaça, um assessor que sofreu atentado e até um pré-candidato que foi alvo de ataque. Como conselheira tutelar, como eu não vou ter medo?”, afirmou.
Apesar disso, ela diz que decidiu tornar o caso público. “Eu não podia ficar calada. Acho até que fiquei calada tempo demais, mas precisava me resguardar juridicamente”, declarou.
Reunião gravada
A denúncia entregue ao MP relata que a reunião ocorreu em 16 de dezembro de 2025, na sede da Secretaria de Desenvolvimento Social. Segundo Janaína, o convite para o encontro foi feito por mensagem pela própria secretária.
De acordo com a conselheira, o pedido para que comparecesse sozinha despertou desconfiança.
“Sempre que conversei com a secretária levei outros conselheiros. Quando ela disse ‘vem sozinha’, achei estranho. Não sou ingênua, ainda mais em um governo ao qual faço críticas institucionais”, disse.
Janaína afirma que, por orientação do advogado, decidiu gravar toda a conversa. “Eu estava sendo processada por algo que não fiz. Gravei a reunião, levei para meu advogado analisar e depois tomamos a decisão de denunciar”, afirmou.
Interferência em processo judicial
Segundo a representação enviada ao MP, durante a conversa a secretária teria abordado uma ação judicial movida pelo prefeito contra a conselheira e indicado que poderia tentar intermediar a situação.
No documento, Janaína relata que Sandra teria afirmado: “Eu te chamei aqui porque quero intervir na situação”.
Ainda de acordo com a denúncia, a secretária relatou ter conversado com o prefeito sobre o processo e sugeriu a possibilidade de encerrá-lo, dependendo do resultado da conversa entre as duas.
Em outro trecho citado na representação, Sandra teria dito: “Eu gostaria muito que, para além talvez de parar esse processo, de repente a gente parar por aqui, parar tudo”.
Aproximação política
A conselheira também afirma que a secretária sugeriu que ela poderia se aproximar politicamente do grupo que comanda a prefeitura.
Segundo o relato apresentado ao MP, Sandra afirmou que Janaína teria “mais a cara do grupo” do governo e poderia “avançar mais e ser trazida para perto” da gestão municipal.
Para a conselheira, a fala indicaria uma tentativa de vincular a resolução do processo judicial a um alinhamento político.
Oferta de vantagens
A denúncia também descreve menções a possíveis pagamentos vinculados a atividades políticas ou de comunicação.
De acordo com o relato, a secretária perguntou se Janaína recebia recursos de algum partido e mencionou exemplos de pessoas remuneradas para atuar junto a empresários ou apoiadores do governo.
Em determinado momento da conversa, segundo a representação, Sandra teria mencionado valores ao falar de uma eventual proposta.
“Se eu fizesse uma proposta para você… falar para você: cinco mil”, teria dito a secretária, segundo a gravação anexada ao processo.
Janaína afirma que respondeu que não poderia aceitar qualquer atividade paralela, pois o cargo de conselheira tutelar exige dedicação exclusiva.
Suposta pressão
Outro trecho da conversa citado na denúncia indica, segundo a conselheira, uma tentativa de pressão. Ao falar sobre o processo judicial, a secretária teria destacado o peso político da administração municipal.
“Ela disse para eu refletir porque ‘ele está com a máquina e você sabe disso’”, afirmou Janaína.
Denúncia também foi enviada à Câmara
A conselheira afirma que protocolou a representação nas esferas cível e criminal do MP e que também encaminhou o material à Câmara Municipal.
“A minha missão era trazer a público e denunciar. Se é crime, qual artigo se aplica, isso cabe aos órgãos competentes decidirem”, afirmou.
Segundo ela, a decisão de formalizar a denúncia foi tomada por entender que era sua obrigação como agente pública. “Fui eleita para fazer o que é correto. Não fui eleita para ganhar vantagens ou cargos. Era a coisa certa a fazer”, disse.
Por meio de nota, a Prefeitura de Rio Preto informou que “o prefeito desconhecia esse assunto. Foi uma ação pessoal da secretária que buscou trazer mais colaboradores para seu trabalho, sem a intenção de intimidar qualquer pessoa”.
Até o momento, não havia manifestação pública da secretária citada na denúncia. O espaço permanece aberto para posicionamento.
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