Cidades
Reconstituição de morte após briga em bar de Rio Preto é marcada
Diligência foi solicitada pela defesa do acusado; crime ocorreu após desentendimento envolvendo o irmão da vítima
A reconstituição da morte do empresário e serralheiro Giovani Svolkin da Silva, ocorrida após uma briga generalizada em outubro do ano passado, no bar Resenha em Rio Preto, foi autorizada pela Justiça e deve ocorrer na próxima semana. O pedido partiu da defesa do segurança particular Keven Ígor Silveira de Novaes, denunciado pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado.
Segundo o advogado criminalista Renato Marão Lourenço, que representa o segurança, a medida é considerada fundamental para esclarecer divergências já identificadas ao longo da investigação. A expectativa da defesa é que a reprodução técnica da cena permita confrontar versões, testar a coerência dos depoimentos e evidenciar fragilidades em parte das narrativas apresentadas no processo.
De acordo com o defensor, a reconstituição deve ajudar a esclarecer pontos ainda controversos, especialmente diante dos laudos periciais conflitantes sobre a dinâmica dos disparos que atingiram a vítima. A defesa também sustenta que a diligência pode reforçar a tese de inocência de Keven, que alega ter agido para proteger os pais durante a confusão.
Abaixo, a nota divulgada pela defesa na íntegra:
“A defesa técnica informa que, a seu requerimento, foi deferida pelo Juízo competente a realização de reconstituição dos fatos, diligência já devidamente agendada para a próxima semana, no âmbito do processo em curso.
A medida permitirá a reprodução técnica da dinâmica dos acontecimentos, possibilitando a verificação concreta da coerência entre os depoimentos colhidos e os elementos probatórios existentes. Trata-se de instrumento essencial para a identificação de inconsistências e para o esclarecimento de pontos ainda controvertidos.
No presente caso, a reconstituição assume especial relevância diante das divergências já apontadas pela defesa, sendo apta a demonstrar, de forma objetiva, a fragilidade de determinadas narrativas e a necessidade de uma análise mais precisa dos fatos.
A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e no devido processo legal, ressaltando que a realização desta diligência representa um avanço importante na busca da verdade real.
Por fim, destaca que a produção dessa prova técnica contribuirá de maneira decisiva para o correto deslinde do processo, com fortes indicativos de que seus resultados irão evidenciar a inocência do acusado.”
Caso ganhou repercussão após briga generalizada
O caso teve início na noite de 26 de outubro de 2025, no bar Resenha, no bairro Vila Bom Jesus, em Rio Preto. Segundo a denúncia do Ministério Público, a confusão começou dentro do estabelecimento, em meio a provocações e desentendimentos considerados banais, e rapidamente evoluiu para uma briga generalizada do lado de fora.
Keven Ígor Silveira de Novaes foi denunciado por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe e fútil e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. O promotor de Justiça Hérico William Alves Destéfani sustenta que houve intenção clara de matar e pede que o acusado seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, além da fixação de indenização mínima à família de Giovani.
Após o crime, Keven permaneceu foragido por cerca de 40 dias e foi preso pela Polícia Militar na casa do pai, em Planalto, onde estava escondido no forro do telhado do imóvel. À época, ele negou ter efetuado disparos pelas costas e afirmou que agiu para defender os pais, que, segundo a defesa, estavam sendo agredidos durante a confusão.
Imagens que circularam nas redes sociais mostram o acusado sendo agredido durante a briga, com a camiseta rasgada, além de seus familiares também sendo atacados. Em uma das cenas, a mãe de Keven aparece caída no chão, sendo agredida por outras pessoas.
Versões opostas e laudos em conflito
O delegado Marcelo Ferrari, do 1º Distrito Policial, confirmou ao Gazeta de Rio Preto na época, que o desentendimento começou dentro do bar e que a primeira agressão ocorreu quando Keven e a família já deixavam o local. O irmão de Giovani teria dado uma voadora no acusado por cima da barra de proteção do bar. No entanto, segundo o delegado, Keven “perdeu a razão” ao reagir com arma de fogo. Para a Polícia Civil, a vítima tentou cessar a briga antes de ser perseguida e baleada.
Já a defesa sustenta a hipótese de legítima defesa de terceiros e apresentou laudos do Instituto Médico Legal (IML) indicando lesões sofridas pelos pais do acusado.
Outro ponto central do processo são as divergências periciais. O exame necroscópico inicial indicou que os disparos atingiram Giovani pela frente, possivelmente quando ele tentou se proteger. Em contrapartida, um laudo do Instituto de Criminalística, baseado na análise da cena, imagens e outros elementos, apontou que os tiros foram efetuados pelas costas.
Diante das conclusões distintas, um laudo complementar foi produzido e consolidou o entendimento de que a vítima foi atingida por disparos vindos por trás.
A reconstituição, agora marcada, deve ser decisiva para confrontar essas versões e ajudar a esclarecer, de forma técnica, a dinâmica do crime. Esta etapa é considerada crucial para o andamento do processo e eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.
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