Cidades
Gerentes de banco são condenados por golpe de R$ 1,37 milhão em Rio Preto
Investigação da Deic identificou organização criminosa com divisão de tarefas, participação de gerentes bancários e mais de 50 CNPJs usados em atividades criminosas
Uma investigação realizada pela Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) do Deinter- 5, por meio da 3ª equipe da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG), levou à identificação de integrantes de uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias e resultou na condenação de quatro pessoas pela Justiça de Rio Preto. A sentença foi proferida nesta terça-feira (25/8) pela 4ª Vara Criminal da Comarca.
Foram condenados L.F.V.S., C.C.M., E.S.Q. e I.C.C. Cada um recebeu pena de 8 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de 22 dias-multa, pelos crimes de estelionato eletrônico e organização criminosa.
De acordo com a decisão judicial, o grupo possuía uma estrutura organizada e sofisticada, com funções distribuídas entre os integrantes e atuação voltada à prática de fraudes eletrônicas.
Golpe contra médica movimentou R$ 1,37 milhão
As investigações começaram após um golpe aplicado em 28 de agosto de 2024 contra uma médica de Rio Preto. A vítima recebeu uma ligação de criminosos que se apresentaram como funcionários de uma instituição bancária.
Durante o contato, os golpistas afirmaram que uma suposta operação da Polícia Federal investigava um “hackeamento” de contas. Para dar credibilidade à fraude, utilizaram informações verdadeiras sobre a vítima e sua movimentação financeira.
Convencida de que precisava proteger o próprio dinheiro, a médica realizou uma transferência de R$ 1,37 milhão para contas controladas pelos criminosos. Depois de recebido, o valor foi distribuído entre diferentes contas, numa tentativa de dificultar o rastreamento e a recuperação do dinheiro.
A estratégia utilizada pelos criminosos chegou a incluir o envio de um carregador de celular ao hospital onde a médica trabalhava. A vítima havia informado que a bateria do aparelho estava acabando, e os integrantes do grupo providenciaram o acessório para mantê-la em contato durante a execução das movimentações financeiras. A investigação apontou que um dos integrantes comprou o carregador.
Gerentes bancários teriam facilitado movimentações
Entre os elementos considerados pela Justiça está a participação de dois gerentes bancários, apontados como responsáveis por facilitar a movimentação dos valores obtidos com as fraudes.
Segundo as provas analisadas no processo, L.F.V.S. e C.C.M. mantinham contato com integrantes da organização e atuavam para viabilizar transações bancárias, inclusive mediante o recebimento de vantagem ilícita.
No caso envolvendo a médica, os dois receberam R$ 100 mil pela atuação na liberação e movimentação do dinheiro. O pagamento foi direcionado a uma conta indicada por um dos gerentes.
A investigação também encontrou conversas e registros que indicaram que o relacionamento entre os gerentes e outros integrantes do grupo já existia antes do crime. Para a Justiça, os elementos afastaram a possibilidade de uma participação isolada ou ocasional e demonstraram a existência de uma estrutura estável, com divisão de funções e atuação voltada à prática reiterada de fraudes.
Análise de celulares ajudou a revelar organização
O trabalho da Deic avançou com a análise de dados bancários, celulares, documentos, registros de transações e conversas mantidas pelos investigados. A perícia dos aparelhos permitiu identificar novos envolvidos e estabelecer conexões entre diferentes núcleos da organização. Relatórios produzidos durante a investigação e provas periciais foram considerados pelo Judiciário na análise da materialidade e da autoria dos crimes.
Segundo a investigação, cada integrante podia desempenhar uma função específica. Havia pessoas responsáveis pela obtenção e utilização de empresas e contas bancárias, outras encarregadas de selecionar vítimas e fazer a articulação dos golpes, integrantes que intermediavam o contato com os executores e pessoas responsáveis por facilitar a movimentação dos recursos.
O levantamento apontou ainda que o grupo já havia obtido mais de 50 CNPJs utilizados para a prática de crimes, evidenciando a dimensão da estrutura investigada.
Justiça reconhece organização criminosa
Ao avaliar as provas reunidas durante a investigação e a instrução processual, a Justiça concluiu que os quatro réus faziam parte da organização criminosa e tiveram participação relevante na execução do estelionato eletrônico.
A sentença considerou que a relação entre os envolvidos não era eventual. Conforme a decisão, havia organização, estabilidade e divisão de tarefas, elementos que caracterizaram a atuação de uma organização criminosa estruturada.
Além das penas de 8 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial fechado, e dos 22 dias-multa para cada condenado, a Justiça estabeleceu R$ 1,27 milhão como valor mínimo para reparação dos danos em favor da instituição financeira lesada.
Investigação aponta para esquema maior
O caso envolvendo a médica é apontado como apenas uma parte de uma estrutura criminosa mais ampla identificada durante o trabalho policial.
A análise do material apreendido e das comunicações entre os investigados indicou a existência de outras possíveis fraudes, empresas de fachada, negociação de CNPJs e mecanismos utilizados para movimentar e ocultar recursos.
A própria sentença reconheceu a dimensão e o grau de organização do grupo, destacando que as evidências reunidas durante a investigação apontaram para uma atuação que não se limitava ao golpe de R$ 1,37 milhão contra a médica.
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