Cultura
Morte de ator de Rio Preto que interpretou Etevaldo completa 32 anos
Wagner Bello, o “Etevaldo”, morreu aos 29 anos, durante a produção de Castelo Rá-Tim-Bum; personagem ganhou uma despedida especial na série que marcou a infância dos brasileiros
Há personagens que atravessam gerações e continuam vivos na memória do público mesmo décadas depois. É o caso de Etevaldo, o extraterrestre curioso de Castelo Rá-Tim-Bum (TV Cultura), eternizado pelo ator rio-pretense Wagner Bello. Na última quarta-feira (12/8), completaram-se 32 anos da morte do artista, que faleceu em 12 de agosto de 1994, aos 29 anos, em São Paulo.
Wagner José Laurindo nasceu em São José do Rio Preto, no dia 19 de setembro de 1964. Formado pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD-USP), construiu sua carreira principalmente nos palcos e chegou a ser reconhecido com o Prêmio APETESP de Melhor Ator pelo trabalho na peça Enq, o Gnomo.

(Wagner Bello no espetáculo Enq, o Gnomo. Foto: Reprodução/ TV Cultura)
Foi justamente no teatro que surgiu a oportunidade que o levaria a ser conhecido por milhares de crianças. O cineasta Phillippe Barcinski conheceu o trabalho de Wagner e o indicou para participar dos testes para Castelo Rá-Tim-Bum, produção da TV Cultura.
Aprovado para interpretar Etevaldo, Wagner deu vida a um personagem vindo de outro planeta, marcado pelo humor e pela curiosidade. O extraterrestre rapidamente ganhou espaço entre os personagens mais queridos do programa e se tornou uma das marcas da produção infantil.

(TV Cultura/ Divulgação)
Atuação até o limite
Enquanto a série ainda estava sendo produzida, Wagner Bello enfrentou problemas de saúde decorrentes do HIV. Mesmo debilitado, continuou participando das gravações enquanto sua condição permitiu, chegando a registrar cenas até pouco antes de sua morte. O ator morreu em decorrência de insuficiência respiratória provocada por complicações relacionadas à doença.
Segundo relato de Leila Maria Russo, produtora da TV Cultura, em entrevista ao escritor e roteirista Fernando Vitolo, Wagner Bello chegou a comparecer ao estúdio mesmo com a saúde bastante debilitada para continuar gravando as cenas de Etevaldo. De acordo com ela, o ator precisou utilizar um balão de oxigênio durante as gravações. Ainda assim, seu estado de saúde não transparecia diante das câmeras, tamanha a dedicação ao personagem e o profissionalismo demonstrado durante sua atuação.
A ausência de Wagner deixou um desafio para a produção: como explicar às crianças o desaparecimento repentino de Etevaldo? A solução encontrada foi transformar a despedida em um momento delicado e fantasioso, mantendo a linguagem característica do programa.
A produção recorreu à atriz Siomara Schoröder, grande amiga de Wagner, que participou da história interpretando Etecetera, irmã de Etevaldo. A personagem apareceu para explicar que o extraterrestre havia partido para viver nas estrelas.
“Se ele estivesse vivo, ele seria um estouro na internet. Ele era o meu irmão. Tem muito pouca coisa sobre ele, mas pensa em um cara que era tudo! A única coisa que ele não sabia fazer era dirigir carros”, contou a atriz em entrevista para Vitolo. Ela também participou da série em outro episódio, interpretando Etelvina, a mãe de Etevaldo.
Assim, a saída de Etevaldo da série foi apresentada de maneira lúdica ao público infantil, sem abordar diretamente a doença ou a morte do intérprete.
“Era um preconceito falar sobre HIV. A gente não podia falar nada. Foi muito triste, foi devastador para mim”, relembrou a atriz. “Ele foi até onde ele conseguiu. Foi um ator raiz”
Artista além da televisão
Antes de se tornar conhecido na televisão, Wagner Bello já tinha uma trajetória ligada às artes cênicas. Além da atuação, trabalhava como maquiador e professor, dedicando-se também ao ensino e à maquiagem teatral. O ator foi casado com a atriz Valéria Sândalo, de quem se separou pouco antes de morrer.
O corpo do ator está enterrado no Cemitério Municipal Chora Menino, em São Paulo. Para sempre, “Etevaldo, um cara legal…”
Esta reportagem é exclusiva do jornal Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.
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