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O fim do ano, e o começo de uma nova vida
Artigo escrito pelo psicanalista, professor e sociólogo, Luciano Alvarenga
O fim de ano ainda não está sendo sentido, mas já é mencionado. Muitos entre nós lidam mal com essa época do ano, os motivos são diversos; infância, saudade, os pais, divisões que não foram curadas. Mas é sempre uma época pra pensarmos… em nossas escolhas.
Os que tem família estão vivendo uma correria ainda maior, precisam produzir um sentimento de natal que muitas vezes não foi vivido durante o ano. Os que estão sozinhos precisam encontrar um evento, uma balada, uma viagem, algo bem longe do natal. Estar sozinho implica perguntas sobre a razão de se não estar com ninguém, às vezes não estamos preparados pra pensar sobre isso… mas talvez tenha chegado a hora de olharmos pra isso.
As dores parecem que doem mais nessa época, ficamos estranhamente mais sensíveis, as lembranças afloram, as lágrimas não se contém, tem algo em nós que nos pede um olhar, nos pede acolhimento.
É de dentro que os sentimentos provém, é dentro que esperamos que algo ocorra, se transforme. De repente os olhos choram, o coração dói, as lembranças se enfiam diante dos nossos olhos, nossa condição de solidão não tem como ser escondida. Quem está sozinho percebe a solidão de todos os outros, quem está acompanhado nota a divisão de cada um.
Os mais nobres e eternos sentimentos, que sabemos existirem, nos cobram suas ausências, nos olham de frente e nos perguntam: o que você está fazendo com sua vida? Amor e perdão, alegria e plenitude passam essa época do ano nos acompanhando e nos lembrando de que outra vida nos é possível, se quisermos, se decidirmos, se dermos o primeiro passo, se nos perdoarmos, se perdoamos o outro.
Essa é época em que alguns de nós irão fazer novas promessas, talvez as mesmas; todas elas relacionadas a uma vida melhor no próximo ano. Essa vida nova precisa contemplar cuidado, autoanálise, amor, espiritualidade, precisa significar reconhecer que a vida vivida até agora, não é mais possível, não é mais aceitável.
Um ano novo não precisa ser o começo de tudo de novo, mas pode ser o começo de uma nova vida. É a coragem pra mudar, desfazer-se das ilusões, desapegar-se das pessoas que não acrescentam vida, dos lugares que são tóxicos, dos hábitos que não enobrecem, dos medos que geram desejos insatisfeitos.
Olhe pra si, reconheça que pode mais do que tem feito, mais do que tem conseguido, desperte a vida que tem dentro de si, procure fazer uma dupla com quem mais pode te oferecer a busca e o começo de uma vida nova, um analista. Quando isso acontecer você encontrará a si mesmo.
Luciano Alvarenga, psicanalista, sociólogo e professor universitário.
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