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Um novo caminho
Artigo escrito por Roberto Lima
Num memorável parecer, anos atrás, o decano do Supremo Tribunal Federal, o ministro Celso de Mello declarou que a corrupção compromete valores sociais e a eficácia na implementação de políticas públicas, além de afetar diretamente a democracia. Contrariando a impunidade, disse “que os vergonhosos atos de corrupção parlamentar devem ser condenados e punidos com o peso e o rigor das leis”. Disse ainda, o ministro, “que o cidadão tem o direito de exigir que o Estado seja dirigido por administradores probos e juízes incorruptíveis”. Celso de Mello, no mesmo parecer, condenou o que ele mesmo denominou de “marginais de poder”. Hoje, com a Operação Lava Jato mais do que consolidada e, depois do mundo ter conhecido, perplexo, ao desmantelamento de um dos maiores casos de corrupção de todo o mundo, as palavras do ministro soam ainda mais fortes e oportunas. É certo que a Lava Jato foi o início da nossa redenção. A operação nos redimiu de um mal que parecia definitivo e encoberto, com certeza, nos resgatou de uma lama ameaçadora e cruel. Mas, o que vale a pena comentar aqui, é o direito assegurado pelo ministro, de que todo cidadão tem direito de exigir que o Estado seja dirigido por administradores probos e juízes incorruptíveis. E, pelos dias que estamos vivendo, eu acrescentaria que o cidadão tem o direito também a uma imprensa livre, não tendenciosa e sem qualquer viés ideológico. Em países democráticos a imprensa representa um poder espetacular, um pilar para a formação e estruturação da sociedade. Num período em que a disparada da tecnologia fomentou a multiplicação de falsas notícias, que espalhou vertiginosamente mentiras e calúnias pelas redes sociais, a imprensa tem um papel ainda mais importante, fundamental e único. O de ser um divisor de águas entre o que é fake e o que é verdade, entre o que é duvidoso e o que é crível. A imprensa não pode ser mais uma fonte de insegurança e dúvidas para o cidadão. Não pode representar um ponto de interrogação e nem desconfiança. Dela precisa nascer a informação correta, bem apurada, confiável e honesta. A imprensa não pode gerar medo nem estranheza. A imprensa, genuína e livre, precisa honrar sua verdadeira vocação. A de informar sem influenciar. A de oferecer conteúdo nobre e bom, que possibilitem a formação de opiniões claras, arejadas , éticas, cidadãs e inspiradas nos valores da democracia. É o momento de estabelecer essa aspiração: administradores probos, juízes incorruptíveis e uma imprensa livre e ética. As eleições, cujo voto é o instrumento maior de uma democracia sem amarras, devem nortear nosso desejo por uma imprensa não contaminada e imparcial. É um novo caminho. Vamos a ele.
Roberto Lima Filho
Doutor em Ortodontia pela UFRJ
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