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O lugar mais fundo do inferno está reservado para aqueles que se isentam/anulam em tempos de crise (Dante Alighieri)
Artigo escrito por Lawrence Garcia
Comecemos pelo elefante na sala: Fazer uma campanha deliberada para voto nulo em pleno 2024, depois de tudo que já passamos e quando temos no pleito um dos candidatos não só com o apoio, mas com a cumplicidade da família Bolsonaro, é um delírio infantil, egocêntrico e perigoso. E é com esse perigo que os “cabeças” da coligação “Amor por Rio Preto” estão flertando.
Estes “líderes da esquerda riopretense” estão ignorando as diretrizes nacionais dos próprios partidos com essa decisão, uma vez que a recomendação é muito clara: Onde a família Bolsonaro estiver no 2.º turno, todos devem apoiar o adversário. Não existe um adendo: “exceto nos municípios onde os diretórios tiverem rixas pessoais com o outro candidato, aí tudo bem anular”.
O mais bizarro são os contorcionismos retóricos que tentam justificar o injustificável: 1) O MDB gestou o golpe contra a Dilma: Não sei se repararam, mas nem o Lula liga mais pra isso. O MDB tem três ministérios dentro do governo dele; 2) Ah, porque o candidato tem condenação disso ou daquilo: Segundo o ministro do STF Dias Toffoli – indicado pelo próprio Lula – não há condenação nenhuma e a candidatura está deferida; 3) Instrumentalizaram um partido para prejudicar a nossa coligação: O resultado eleitoral do referido partido foi oito vezes menor que o da coligação. Qualquer um que parar para pensar por dois minutos perceberá que não parece plausível essa acusação.
Agora me dirijo a quem porventura possa pensar em cair nesse conto da carochinha. Façamos um exercício imaginativo: De um lado temos um candidato que para o campo progressista não é o ideal. Do outro, temos a família Bolsonaro; De um lado temos alguém que se esforça para dialogar com todos. Do outro, alguém que estimula a violência (não sei vocês, mas eu fiquei perplexo com a foto de um vereador eleito, fardado, apontando uma arma para a cara da população em seu instagram); De um lado, alguém que garante o 1% para a Cultura. Do outro, alguém que nem sabemos se manterá a Secretaria (o histórico do Bolsonaro é de extinção do Ministério). Então meus amigos, não caiam nessa Fake News. As duas candidaturas não são, nem de longe, a mesma coisa.
Quando o país precisou, todos taparam o nariz e votaram no Lula para impedir que a família Bolsonaro tomasse conta da nação. Por que agora seria diferente no município? Se o candidato não é o ideal, que o campo progressista vire oposição no dia seguinte, mas que, pelo menos, exista espaço para uma oposição. Que nós não acordemos numa segunda-feira tranquila com uma arma apontada na nossa cara por um agente municipal.
Lawrence Garcia
Um militante que se recusa a fazer campanha velada para a família Bolsonaro.
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