Política
Estudo aponta que Smart Sampa não reduziu criminalidade em SP
Em Rio Preto, prefeito pretende viabilizar a proposta com Parcerias Público-Privadas, que será votada na sessão de terça-feira (5)
Um ano após a implantação em São Paulo, o programa Smart Sampa, que utiliza câmeras com reconhecimento facial, não apresentou resultados significativos na redução da criminalidade, segundo estudo divulgado na última quinta-feira (31) pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC). A pesquisa, intitulada “Smart Sampa vigia, mas não protege”, aponta que os índices de furtos, roubos e homicídios permaneceram estáveis entre março de 2024 e abril de 2025.
A implementação de um sistema semelhante, chamado Smart Rio Preto, é defendida pelo prefeito de Rio Preto, Fábio Candido (PL), como promessa de campanha. Ele chegou a levar vereadores aliados à capital paulista para conhecerem o projeto. A proposta está vinculada ao projeto de lei das Parcerias Público-Privadas (PPPs), que será votado em segunda discussão nesta terça-feira (5), na Câmara Municipal.
Metodologia e conclusões
Segundo Thallita Lima, coordenadora do estudo, não há evidência de que o sistema tenha contribuído para a segurança pública. “Após mais de um ano de operação, as câmeras não demonstraram impacto na redução de crimes nem no aumento de prisões”, afirma.
O estudo utilizou o método estatístico Diferença em Diferenças (DiD), comparando São Paulo com cidades do interior que não adotaram tecnologia semelhante. Os principais resultados apontam que:
- A taxa de furtos aumentou levemente, sem relevância estatística;
- Roubos e homicídios permaneceram estáveis;
- Prisões em flagrante ou por mandado judicial não apresentaram variação significativa.
A pesquisadora também alerta para os custos de oportunidade. “Investimentos em reconhecimento facial deixam de lado políticas com eficácia comprovada, como policiamento comunitário, urbanismo social e ações voltadas à juventude”, critica.
Dados oficiais e erros
O balanço da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do primeiro semestre de 2025 reforça parte das conclusões do estudo:
- Homicídios dolosos subiram 12,2% (de 221 para 248 casos);
- Furtos cresceram 3,8% (de 119.112 para 123.734);
- Roubos caíram 13,8% (de 58.474 para 50.358).
A pesquisa também aponta falhas nos algoritmos do sistema e viés racial em abordagens equivocadas, com destaque para:
- Um policial militar confundido com foragido;
- Um jardineiro voluntário preso injustamente;
- Uma mulher grávida que teve parto prematuro após abordagem.
Relatório da própria prefeitura reconhece que, até junho, 73 pessoas foram abordadas e liberadas após inconsistências nos dados ou mandados desatualizados.
Prefeitura contesta e defende programa
Em nota divulgada à imprensa, a Prefeitura de São Paulo contestou a metodologia do estudo e defendeu a eficácia do Smart Sampa. Segundo a administração, o sistema contribuiu para:
- 965 prisões em flagrante;
- 558 foragidos da Justiça capturados;
- 79 pessoas desaparecidas localizadas.
Ainda segundo a gestão municipal, o algoritmo foi atualizado, elevando o nível de rigor de 90% para 92% de similaridade, com assertividade de 99,5%. Todos os alertas, afirma a prefeitura, são validados por agentes humanos — e, segundo o município, nenhuma pessoa foi presa injustamente por ação direta do sistema.
A prefeitura também afirma que o Smart Sampa contribuiu com imagens de 275 ocorrências compartilhadas com a Polícia Civil para investigações relevantes.
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