Cidades
Violência infantil cresce 153% no HCM e Rio Preto registra 168 estupros
Dados de atendimentos apresentados em fórum acendem alerta para maus-tratos e abuso contra crianças e adolescentes em Rio Preto e região
O avanço dos casos de violência contra crianças e adolescentes em Rio Preto tem preocupado autoridades da saúde, segurança pública e Justiça. Dados apresentados durante o IV Fórum de Combate aos Maus-Tratos na Infância e Adolescência, realizado na últimasexta-feira (15/5), revelaram crescimento expressivo tanto nos atendimentos hospitalares quanto nos registros policiais relacionados a abuso sexual, agressões físicas e negligência.
Levantamento do Hospital da Criança e Maternidade apontou aumento de 153,97% nos atendimentos realizados pelo Projeto Acolher a vítimas de violência física e sexual nos últimos dez anos.
Já informações da Delegacia de Defesa da Mulher mostram que, somente em 2025, foram contabilizados 168 casos de estupro de vulnerável na cidade. Neste ano, até abril, já haviam sido registradas 69 ocorrências desse tipo, além de 49 casos de maus-tratos envolvendo menores.
Especialistas que participaram do encontro destacaram que parte desse crescimento está relacionada à ampliação dos canais de denúncia, maior conscientização da população e fortalecimento das redes de acolhimento. Ainda assim, os números seguem considerados alarmantes.
A delegada Margarete Franco ressaltou que os crimes ocorrem de diferentes formas, incluindo violência física, sexual, psicológica e negligência familiar. Segundo ela, muitos casos acontecem dentro do próprio ambiente doméstico e são praticados por pessoas próximas das vítimas.
O juiz Evandro Pelarin destacou que escolas e creches desempenham papel fundamental na identificação de sinais de violência, especialmente quando a agressão acontece dentro de casa. Mudanças bruscas de comportamento, retraimento, choro excessivo e dificuldades de comunicação estão entre os principais indícios observados em crianças menores.
Durante o fórum, também foi debatida a importância da integração entre instituições. Em Rio Preto, um protocolo reúne profissionais do Hospital de Base de Rio Preto, Polícia Civil e Vara da Infância para agilizar denúncias e medidas protetivas em casos suspeitos de violência física ou sexual.
Outro destaque apresentado foi o programa “Eu Tenho Voz”, desenvolvido em escolas por meio de peças teatrais educativas voltadas à conscientização sobre abuso infantil. A iniciativa tem contribuído para que crianças e adolescentes revelem situações de violência que antes permaneciam ocultas.
A médica pediatra Tatiana Pissolati Sakomura enfatizou que a capacitação de profissionais da saúde, educação e assistência social é essencial para interromper ciclos de agressão e garantir atendimento rápido às vítimas.
O fórum reuniu profissionais da saúde, segurança pública e do Judiciário no Centro de Convenções da Faculdade de Medicina de Rio Preto, com debates voltados à identificação precoce da violência, acolhimento e fortalecimento da rede de proteção à infância e adolescência.
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