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Ex-procurador-geral nega interferência em investigação sobre sítio de prefeito

Plínio Gentil afirma que apenas protocolou documentos entregues por vereadores e que não participou da decisão que determinou a reabertura das apurações sobre imóveis ligados a Fábio Candido

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O ex-procurador-geral de Justiça de São Paulo, Plínio Gentil, negou ter exercido qualquer influência na decisão que determinou a reabertura das investigações sobre a compra de imóveis ligados ao prefeito de Rio Preto, Fábio Candido (PL). Em entrevista exclusiva à Gazeta de Rio Preto, Gentil afirmou que sua única participação no caso foi receber e encaminhar documentos apresentados por vereadores ao Ministério Público.

Segundo ele, o procedimento foi arquivado enquanto ocupava interinamente o cargo de procurador-geral de Justiça, função exercida por cinco semanas até 11 de abril deste ano. No entanto, a decisão posterior que determinou a continuidade das apurações ocorreu quando ele já não estava mais à frente da instituição.

“De fato, eu peguei os documentos com os vereadores durante um evento em Rio Preto. Preferi fazer assim para não pairar dúvidas sobre a minha conduta. Publicamente, com diversas pessoas como testemunha. Eu levei até o MP em São Paulo, uma vez que o protocolo deveria ser feito lá e entreguei. Esta foi a minha única participação no caso. Quem avaliou os fatos novos apresentados pelos vereadores foi outro procurador. Não era minha responsabilidade e eu não avaliei”, afirmou.

Gentil também reagiu às insinuações de que teria utilizado o cargo para prejudicar o prefeito. “Tenho uma trajetória de 45 anos de Ministério Público. Uma carreira absolutamente limpa. Tenho toda a documentação que comprova as datas em que assumi a PGJ e que deixei o cargo. Vou avaliar se cabe alguma responsabilização sobre as afirmações, que não passam de fuxico maldoso. Talvez eu tome providências”, declarou.

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A polêmica surgiu após reportagem publicada pelo Diário de São Paulo sugerir que o ex-procurador-geral teria atuado para influenciar o andamento do caso.

Arquivamento e reabertura

O episódio envolve duas decisões distintas do Ministério Público. Em 1º de abril, a Procuradoria de Justiça arquivou representação apresentada pelos vereadores Renato Pupo (Avante), João Paulo Rillo (PT), Alexandre Montenegro (PL) e Pedro Roberto Gomes (Republicanos), que questionavam a compra de um imóvel em condomínio fechado por um irmão do prefeito.

Na ocasião, o procurador Sérgio Turra Sobrane concluiu que não havia indícios mínimos para justificar a abertura de investigação criminal. O parecer destacou que a suspeita estava baseada essencialmente no vínculo de parentesco entre o comprador e o prefeito, sem provas de participação direta de Fábio Candido na transação.

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Já em 22 de maio, com a apresentação do depoimento de um dos vendedores do sítio que adicionou novos elementos aos parlamentares, a Procuradoria-Geral de Justiça determinou a abertura de inquérito para apurar possíveis irregularidades envolvendo uma residência em condomínio fechado e um sítio localizado no distrito de Talhado. O homem afirmou que a propriedade foi vendida por cerca de R$ 600 mil.

Os vereadores sustentam que os valores declarados nas escrituras seriam inferiores aos efetivamente pagos pelos imóveis. No caso do sítio, registrado em nome do prefeito e de sua esposa, Josiane Candido, a denúncia aponta que a propriedade teria sido adquirida por valor superior ao informado oficialmente.

A nova investigação foi encaminhada à Polícia Civil e será conduzida pela Delegacia Seccional de Rio Preto.

Trajetória política

Além da carreira no Ministério Público, Plínio Gentil teve passagens pela política. Em 2014, disputou uma vaga de deputado federal pelo PSOL. Dois anos depois, foi candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por João Paulo Rillo (PT) nas eleições municipais de Rio Preto.

Atualmente, ele afirma estar dedicado principalmente à carreira acadêmica e às atividades no Ministério Público.

Recentemente, Gentil foi homenageado pelo vereador Renato Pupo com a concessão do título de Cidadão Honorário Rio-pretense, em reconhecimento à sua trajetória jurídica e à passagem pelo cargo máximo do Ministério Público paulista. A data da cerimônia ainda será definida pela Câmara Municipal.

Prefeito diz estar tranquilo

Em manifestação anterior, o prefeito Fábio Candido afirmou que recebe a investigação com tranquilidade e sustenta que todo o seu patrimônio é compatível com a renda acumulada ao longo da carreira na Polícia Militar e na vida pública.

Segundo a nota divulgada pela Prefeitura, não existe acusação formal ou conclusão sobre eventual irregularidade, mas apenas uma apuração preliminar decorrente da apresentação de novos documentos ao Ministério Público.

O prefeito também declarou estar à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários e reiterou a confiança de que os fatos serão esclarecidos ao longo da investigação.

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