Cidades
Tarcísio volta a demitir PM que matou Leandro Lo e deu aulas no CPI-5
Governador Tarcísio de Freitas restabeleceu a exclusão de Henrique Velozo da corporação após decisão judicial; tenente foi absolvido pelo júri popular
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), publicou na terça-feira (20/10) um novo decreto que restabelece a demissão do tenente da Polícia Militar Henrique Otávio Velozo, acusado de matar o campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo, de 33 anos, em agosto de 2022. O oficial já havia sido demitido em setembro de 2025, mas conseguiu reverter temporariamente a medida na Justiça.
Velozo também esteve em Rio Preto, onde ministrou aulas de defesa pessoal para mulheres na sede do Comando de Policiamento do Interior (CPI-5). A atividade ocorreu em março de 2022, durante uma série de cursos promovidos pela Polícia Militar para mulheres vítimas de violência doméstica.
O novo decreto foi publicado após o governo paulista obter uma decisão judicial que permite executar a demissão antes do encerramento definitivo do processo. Com isso, volta a valer a punição administrativa que determina a saída do oficial dos quadros da corporação, com a perda da remuneração vinculada ao cargo.
Em setembro do ano passado, Velozo havia sido demitido após um processo administrativo. No mês seguinte, porém, uma decisão liminar suspendeu os efeitos da medida, permitindo sua reintegração e o retorno ao recebimento do salário bruto mensal de R$ 14,6 mil.
A defesa de Velozo, representada pelo advogado Claudio Dalledone, afirmou à imprensa que cabe recurso e que vai contestar a decisão.
Caso Leandro Lo
O crime ocorreu em agosto de 2022, durante um show na capital paulista. Velozo atirou na cabeça do lutador Leandro Lo, um dos principais nomes do jiu-jítsu mundial. No fim de 2025, o tenente foi absolvido pelo Tribunal do Júri, que reconheceu a legítima defesa.
A absolvição criminal, no entanto, não impediu a continuidade do processo administrativo que resultou na perda do posto e da patente. Em fevereiro de 2026, a Justiça paulista manteve a demissão, considerando que a decisão administrativa poderia ser executada mesmo com a possibilidade de novos recursos.
Entre os aspectos considerados no procedimento disciplinar está a conduta do policial após o homicídio. Em vez de comunicar imediatamente o ocorrido aos superiores, conforme os protocolos da corporação, ele teria deixado o local e, posteriormente, ido a uma casa noturna e a um motel antes de se apresentar às autoridades.
Lo foi campeão mundial de jiu-jitsu por oito vezes. Sua última conquista foi em 2022.
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