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Confira os bastidores da política deste sábado, dia 14 de novembro

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política rio-pretense

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Novo

Neste domingo Rio Preto vai assistir a mais diferente eleição de sua história. Em meio a uma pandemia, primeira com financiamento público, proibição de arrecadação junto às empresas e com limite para o autofinanciamento. As campanhas foram mais curtas, pobres e as redes sociais o grande espaço para o debate político.

Cabos eletrônicos

As redes sociais se transformaram em cabos eleitorais dos candidatos. Não se entrega mais santinho. Envia-se por mensagem eletrônica. Elas também podem ser usadas para espalhar fake news. Em Rio Preto houve poucas denúncias dessa prática. A Polícia Federal investiga algumas delas.  

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Arriscou

Interessante observar como a eleição municipal deste ano contrasta com a última eleição nacional. Na nacional, o eleitor buscava se livrar de uma classe política comprovadamente incompetente e cheia de vícios morais, muitos ilegais. O eleitor correu atrás do novo, do desconhecido.

Um passo atrás

Mas parece que o novo, em apenas dois anos, decepcionou o eleitor. As mudanças éticas que o brasileiro esperava não vieram e as relações tóxicas que sustentaram governos ultimamente, não só se mantiveram como foram ampliadas e premiadas. Um governo que se elege dizendo que vai prender o vizinho criminoso e no dia seguinte está de braços dados com ele acaba com qualquer esperança.

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Ilusão

Os candidatos novos e desconhecidos acreditaram que o apelo de mudanças de dois anos atrás ainda estivesse forte na sociedade. O apelo pela decência no trato da coisa pública e comportamento irretocável continuam. Mas, quem vendeu esse sonho decepcionou a todos. Está claro que há um recuo no eleitorado.

Não deu certo

Rio Preto teve acesso a várias pesquisas eleitorais. Todas, incluindo a realizada pela Gazeta de Rio Preto, mostram que o eleitor nesta eleição busca mais a saúde e a educação do que o político desonesto. Todos os candidatos de direita, e em Rio Preto são cinco deste campo, não decolaram. Na verdade, sequer conseguiram o fio da meada daquilo que o eleitor acredita ser o mais necessário para a cidade.

“Black River First”

São cinco candidatos conservadores nos costumes, liberais na economia. A maior parte apoia o governo Jair Bolsonaro. O mote que levou o desconhecido Jair Bolsonaro à presidência, o “combate à corrupção”, não é o que o eleitor quer discutir no município. Até mesmo porque, os candidatos da direita em Rio Preto mal passaram pelo tema. Quando o abordaram, foi de forma superficial, jamais com provas.

A Coronel comanda

Mesmo assim, com Fundo Partidário e uma coordenação profissional, faz com que um desses candidatos, a Coronel Helena, do Republicanos, sozinha, chegue ou passe dos 20% dos votos válidos. 

Dividir…

Os cinco, juntos, não devem passar os 30% dos mais de 350 mil votos que a cidade tem. É o preço que esse campo vai pagar pela divisão. Ora, 30% dos votos num único candidato pode levá-lo a um, hoje, improvável 2º turno. Claro que existem as estratégias de sobrevivência política.

…e perder força

Não é nada diferente na esquerda. Em que pese tenha o vereador mais combativo da cidade como um de seus candidatos, não decola. Esse campo está marcado pelos escândalos de corrupção que marcou o principal partido de esquerda do país, levou um ex-presidente à cadeia e colocou luz no maior escândalo de corrupção que se tem notícia cometido pela cúpula da legenda.

Virando a página

A verdade é que os eleitores do final do século 20 tinham outras pautas para o país. Pautas mais ideológicas, como colocar fim ao regime militar, a reforma agrária, o fim das desigualdades sociais. Mesmo as eleições municipais eram atreladas aos grandes caciques nacionais. Em 14 anos de governos da esquerda, os avanços foram tímidos. Eles se firmaram na área dos costumes.

Nova pauta

O eleitor do século 21 tem as questões básicas da democracia e da conquista de direitos fundamentais importantes mais ou menos resolvidas ou encaminhadas. Negros, mulheres e LGBT+ estão, devagar e com muita luta, sendo incluídos na vida nacional, inclusive com Leis e determinações do Supremo Tribunal. O que ele quer é melhorar de vida, crescer como ser humano, na profissão e dar uma vida digna aos filhos. Tudo isso numa cidade que tenha uma infraestrutura e capacidade de atender às demandas.

O equívoco

Portanto, o que se vê por parte tanto da esquerda como da direita é um erro primário de estratégia: a falta de união. Ninguém conseguiu deixar as suas ambições e projetos pessoais de lado para dar espaço a um projeto amplo, que contemplasse tais grupos para que saíssem unidos. Mesmo assim, seria difícil para a esquerda. A projeção média das pesquisas divulgadas indica que será difícil, junta, ela ter 15% dos votos.

Então

Não iria para o segundo turno, mas poderia ajudar a provocá-lo.

No 1º turno

O candidato que aparece em primeiro lugar em 100% das pesquisas divulgadas é o atual prefeito e candidato da Coligação Rio Preto Muito Mais, Edinho Araújo. Elas apontam para uma vitória no primeiro turno. Assim como foi há quatro anos. As condições, no entanto, são totalmente diferentes.

Farinha do mesmo saco

Na verdade, “a novidade” de 2018, que “ia mudar o país”, ao que parece se fundiu ao que há de mais anacrônico na vida pública brasileira. Aos cleptocratas e ao patrimonialismo desavergonhado. Envelheceu 100 em apenas dois anos. Viraram farinha do mesmo saco. E, dessa forma, perdeu a credibilidade, enferrujou num piscar de olhos.

Pode levar no 1º

Se o prefeito Edinho Araújo vencer a eleição no primeiro turno ele completa 13 mandatos seguidos sem perder e 44 anos de vida pública. Provavelmente, segundo as pesquisas, o eleitor está optando por uma pessoa que conhece e que não vai matá-lo do coração quando acordar e abrir o jornal ou seu computador para saber das notícias do dia. Após 40 anos, Edinho sabe como ninguém na disputa, o que é uma campanha e como administrá-la.

Soube fazer

Articulou silenciosamente. Do limão, que foi a pandemia, fez a limonada. Só empresário gritou nas redes sociais. Os despossuídos aplaudiram cada medida tomada para enfrentar a pandemia. Edinho sabe que no Brasil as pessoas valem a mesma coisa apenas na eleição. Um voto no Débora Cristina vale o mesmo que um voto no Jardim Santo Antônio. E administrou a gritaria dos donos do dinheiro. 

Professor

E, depois de 40 anos no ramo, ele sabe exatamente quais são as prioridades das pessoas. E até mesmo como estratégia política, fez o bê-á-bá e pode vencer mais uma eleição numa cidade que entrou no radar nacional por causa de seu tamanho, economia e expertise de profissionais de vários de seus segmentos econômicos. 

Aprendendo

A esquerda e a direita terão uma nova chance. Daqui a quatro anos. Quem sabe novos militantes que não carreguem a conturbada história e os vícios da velha esquerda, consigam ao menos conversar entre si. E a nova direita acumule experiência suficiente para saber que quem divide enfraquece. Crianças sabem disso.

Esperando

Ninguém sabe se a estratégia usada pelo MDB de Edinho na Câmara Municipal, agregando toda a sua base em quatro partidos, vai dar certo. Se der, e ele vencer, continua com a faca e o queijo na mão. Mas se estiver equivocada, ele vai ter que fazer uma reengenharia e reformatar a sua base de apoio. Ele é o melhor alfaiate da cidade.

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