Política
Confira os bastidores da política desta terça-feira, dia 15 de setembro
O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política regional
Sonrisal
Rio Preto ferveu seis meses com a possibilidade de chegar nesta quarta-feira, dia 16 de setembro, com algo em torno de 14 ou 15 candidatos a prefeito. Amanhã termina o prazo para os partidos políticos realizarem as convenções e oficializarem suas candidaturas. Quem perder o bonde fica na estação.
Só ferve
A montanha pariu um rato. O processo sucessório em Rio Preto prometia candidato de todo tipo e de todo gosto. Não aconteceu. Falava-se em até 14 candidatos a prefeito. As novidades são três novos partidos de direita e um jogador neófito.
Os onze
Edinho Araújo, MDB, Coronel Helena, Republicanos, Denilson Marzocchi, PSDB, Carlos Arnaldo, PDT, Celi Reina, PT, Marco Rillo, Psol, Paulo Bassan, PRTC, Marco Casale, PSL, Rogério Vinicíus, Democracia Cristã, Filipe Marchesoni, Novo, e Carlos Alexandre, do PCdoB.
Direita dividida
A direita se dividiu muito: PSL, PRTC, Novo e Democracia Cristã. Além da direita tradicional como o DEM e Republicanos.
1º Round
O grande vencedor do jogo até aqui é o prefeito Edinho Araújo. Esperou a hora exata para anunciar a candidatura (Rio Preto passou para a fase 3, cor amarela, do Plano São Paulo), amarrou Orlando Bolçone, DEM, como vice e conta com o apoio da maioria dos partidos políticos da cidade.
Antes do voto
O movimento no tabuleiro que leva Bolçone a ser vice de Edinho é comparado à jogada da eleição anterior, quando a articulação política retirou Manoel Antunes da campanha de 2016. Antunes levaria a eleição para o 2º turno e para a incerteza. Edinho fez 52% dos votos e Bolçone 32,2%. Por 2% Edinho matou no primeiro turno.
Há 40 anos
Os opositores, que geralmente têm palavras críticas, deveriam ter a humildade, admitir que levaram um baile, observar e aprender. Para eles, Edinho deixa mais uma aula de como montar uma chapa com chance de vitória eleitoral antes da campanha começar. Em silêncio e com paciência ele tira os adversários mais perigosos do jogo. E os transforma em aliados.
O dono
A caça ao Bolçone tinha que ter a anuência de Rodrigo Garcia, vice-governador e mandachuva o DEM paulista. Bolçone tinha um projeto próprio (resistiu até os últimos minutos quando ainda falava em uma candidatura solo). O ex-deputado sabe que resistir ao desejo do vice é pior. Quem distribui as legendas do partido é Rodrigo. Bolçone acabaria sem uma bala de coco.
Jogo e sorte
O mundo que se avizinha é mais do que perfeito para Edinho. Saem da disputa os dois candidatos com potencial para lhe roubar votos (corriam na mesma raia): Orlando Bolçone e Renato Pupo.
Que se apresente
Tomara que os partidos super divididos de direita que invadiram a eleição municipal, cresçam. Caso contrário será a eleição do Edinho contra a Coronel Helena.
Cumprir tabela
Existe, claro, o PSDB. Mas, a própria legenda admite que o empresário Denilson Marzocchi, que substitui Renato Pupo, vai cumprir a função de aglutinar votos para a eleição de vereadores. A informação é do presidente do diretório municipal, Manoel Gonçalves.
Vida dura
Pupo vai enfrentar um pequeno inferno astral. A perda da credibilidade política, por exemplo. Ele incensou sem titubear um processo político que não existia. Era uma tentativa de construção. Fez muita gente acreditar que seria candidato, segurou com essa trama um grupo no PSDB prometendo entregar o que não tinha e filiou outro tanto com a mesma promessa.
Luz
O delegado tem a obrigação de contar o que é que aconteceu. Afinal, ele tinha a legenda garantida e ou apenas uma promessa caso viabilizasse a candidatura? O que isso significa viabilizar a candidatura? Arrumar dinheiro suficiente para tocar a campanha ou apoios de outras legendas para engordar tempo de Rádio e TV? O PSDB de Rio Preto sempre foi um poço escuro. Precisa de luz.
Vai perdurar
Embora Pupo não admita, suas ações podem ter reflexos por anos.
O barco
Na tentativa de salvar a candidatura, nos dias que antecederam a desistência, Pupo ligou para a Coronel Helena e Beto Perosa para Diego Polachini, presidente do Republicanos. Ouviram que não tinha mais acordo. Mesmo assim, teriam vazado uma nota afirmando que o PSDB e Republicanos estavam se acertando. A informação matou de vez a negociação.
Titanic
Após a poeira baixar, descobre-se que o grande derrotado mesmo desse processo é o ex-prefeito Valdomiro Lopes. No poder por 8 anos, colocou quase 100% dos partidos de baixo da sua saia. Fora dele, matou até o próprio: o PSB. Fez o jogo da espera. Espera todo mundo se desentender e entra em campo para “aglutinar” os restos, ajeitar a situação, juntar as partes. Não foi bem assim. Quando entrou, era tarde. Muitos nem brigavam mais.
Eu, o partido
Bolçone foi candidato a prefeito contra Edinho com o apoio do Valdomiro em 2016. Valdomiro começou a perder de vez o controle político do município ao jogar contra a campanha do seu próprio candidato. Para Valdomiro, Bolçone não podia crescer, tomar a sua liderança no partido, fazer sombra. Orlando Bolçone perdeu a eleição e, Valdomiro, junto. Dois anos depois, Valdomiro perdeu a eleição para deputado federal. Se viesse de cara limpa para a disputa pela Prefeitura em 2020 e perdesse, seria a terceira derrota consecutiva e mais um cadáver político a rolar na Bernardino.
Na sombra
Na verdade, durante todos os seus os meses que antecederam a definição das candidaturas, quem soube enxergar teve certeza que Valdomiro não era candidato. Ele jamais sairia mano a mano contra o Edinho. Ele desapareceu nos seis meses que antecedem a eleição.
Aposta
Valdomiro faz mandinga para virar deputado após a eleição. Se dois deputados do PSB vencerem, como indicam as pesquisas, ele volta para a Câmara Federal. Era apenas o 4º suplemente. Depois da morte de dois deputados do PSB ele passou a ser o segundo da fila.
A luz
Ao ficar quieto, mesmo que não se transforme deputado na suplência, ele ainda tem a chance da eleição parlamentar de 2022.
Mostrando os dentes
A classe média, média alta e de poder econômico rangem os dentes para o prefeito Edinho Araújo por causa das medidas contra o coronavírus. Esses eleitores andam batendo no prefeito nas redes sociais. Essa é uma variável cujo impacto eleitoral ainda não dá para ser medido. A incógnita dessa eleição. Fato é: essas classes sociais não são a maioria dos eleitores. Vamos ver qual será a influência desses grupos na discussão que vai começar.
Tudo acaba na quarta-feira
Tudo o que é sonrisal, vira espuma e desaparece no ar em segundos. Ainda existe o prazo para que alguma coisa se altere, até às 24h de amanhã, quarta-feira, data limite para os partidos realizarem suas convenções. No entanto, nada de novo deve acontecer.
Memória: nota publicada nesta coluna no dia 3 de agosto:
Para assistir de camarote
“Um operador que joga esse jogo há 50 anos, disse que o time do Edinho está definido. Edinho a prefeito, Bolçone a vice e Renato Pupo a vereador. Ele diz que os “tucanos não têm tempo de TV, não têm dinheiro e a estrutura do partido foi depenada”. Para ele, Pupo tentou ser vice, mas não conseguiu. Para Renato Pupo, essa declaração indica desespero. “Ele diz isso porque minha candidatura cresce todo dia e preocupa”. Dia 17 de setembro, o quadro estará consolidado. Os blefes terminam às 24h do dia 16.”
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