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Confira os bastidores da política desta segunda-feira, dia 3 de agosto

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política regional

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Longo aquecimento

A menos de um mês para o início da oficialização dos candidatos a eleição municipal deste ano dois players do jogo ainda não anunciaram que estarão em campo. O prefeito Edinho Araújo, MDB, e o ex-prefeito Valdomiro Lopes, PSB. As convenções que oficializam os candidatos serão em um intervalo de 17 dias, entre 31 de agosto e 16 de setembro.

Estratégia

Edinho Araújo, MDB, joga parado. Até aqui a estratégia foi perfeita. Ao não colocar a bola em jogo, ninguém conseguiu abrir o debate político e nem colocar na roda a avaliação da sua terceira passagem pela Prefeitura. Não há um debate público que questiona, e ninguém se contrapõe. Mas há muxoxos aqui e ali. Os mais intensos, nas redes sociais. A pandemia ajuda mudar o foco.

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No apagar das luzes

Pedro Nimer, presidente do diretório municipal do MDB, anuncia que a convenção será no último dia do prazo da Justiça Eleitoral: 16 de setembro. E que Edinho “nesse momento” só pensa na pandemia.

Esfinge

Valdomiro Lopes vive o inferno astral. Incapaz de definir se vem para a briga, acaba à margem do processo. Fustigado por condenações por improbidade administrativa e corrupção em seu governo, não consegue agregar atores políticos de peso. É uma esfinge a ser decifrada. O seu partido, o PSB, um dia poderoso na Câmara, perdeu todos os dedos.

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Eis a questão

Valdomiro vive um dilema. Se for candidato e sofrer uma nova derrota coloca o seu futuro político em jogo. Se não sair corre o risco de cair no ostracismo. Qualquer uma de duas possibilidades pode enterrar a sua trajetória e impedir a volta como deputado federal em 2022. Sair candidato e perder será sua segunda vez em dois anos. Sem o séquito de puxa sacos interesseiros e fisiológicos, as chances de vencer uma terceira eleição diminuem. 

Prós e contras

Para parte do eleitorado, Valdomiro tem um discurso forte. “Tudo que o Edinho entregou ou inaugurou fui em quem tive a visão e a coragem de iniciar”. Nesses tempos de radicalização e da percepção de que grande inimigo do povo é a corrupção, condenações por atos ilícitos não ajudam. Parte dos rio-pretenses está mais preocupada com a conduta moral do que com o novo terminal.

O poder econômico

Até março passado, o prefeito Edinho não tinha ruídos com os quais se preocupar. Mas, a pandemia pode ter tirado do prefeito eleitores que sempre estiveram com ele. Os mais ricos, por exemplo. O poder econômico. Até então, esse grupo nunca abandonou o prefeito. Tanto que a Associação Comercial e Empresarial, Acirp, manteve e mantém sua influência política, tradição centenária, aliás. Indica secretário, propõe políticas públicas que são incorporadas e define seu território na administração.

O inimigo oculto

A Acirp sempre demarcou seu território na administração municipal desde quando foi fundada há mais de 100 anos. Só brigou com uma administração: a de Manoel Antunes. Quem não se lembra do processo em nome da entidade promovido pelo então presidente Faiez Tarraf contra o IPTU progressivo criado pelo Mané?  Grande empreendedor, Faiez, era proprietário de milhares de lotes. 

Sinal de fumaça

A situação do prefeito mudou? Para parte das redes sociais, sim. As carreatas para que as atividades econômicas fossem liberadas em plena pandemia, a insurreição de segmentos econômicos em defesa de seus negócios, a insatisfação da Associação dos Supermercados, a Apas, o fechamento e quebradeira de lojas e lojistas, e as notas polidas, mas ácidas da atual direção da Acirp.

A pandemia

Esse segmento nunca havia contestado Edinho. A pandemia para os administradores públicos é uma queda num precipício escuro e desconhecido. Embora a decisão de se guiar pela ciência seja a postura mais acertada, para quem teve o seu capital e propriedade atingidos, farinha pouca, meu pirão primeiro. O amigo pode virar inimigo. Mas, o avanço desembestado da pandemia tirou o discurso de muitos críticos, que começam a colocar a viola no saco.

Poder econômico

Existe uma máxima na vida pública: embora os ricos sejam o menor grupo de eleitores, só vence a eleição o candidato no qual eles apostam (principalmente com suas “burras”). Será que eles abandonarão o atual prefeito? O fenômeno que aconteceu na eleição presidencial vai se repetir em Rio Preto? A população quer, com ardor, virar a página, como cantam aos quatro ventos a direita e os bolsonaristas? Ninguém sabe afirmar com certeza sem uma pesquisa científica. Por ora, todos apenas tateiam com a própria percepção.

Direita dividida

Um problema para a direita é que ela está mais dividida do que a esquerda, hoje em frangalhos. O bolsonarista Marco Casale, PSL, diz que vai fazer voo solo. Paulo Bassan, PRTB, anunciou sua pré-candidatura. Danila Azevedo, PTN, tem chapa montada. O MCB, de Olavo Tarraf, se dividiu há tempos, e ele assinou ficha no MDB de Edinho e, dessa forma, sai de cena como prefeiturável. Como a direita vai adensar um nome com essa divisão toda entre ela? Um verdadeiro risca faca.    

Esquerda dividida

No outro polo, as ambições, as vaidades e a luta fraticida entre as tendências desse campo do espectro político colocaram um ponto final na sonhada Frente da Esquerda. Virou pó. O PT vai de Celi Regina e prepara seu programa de governo coordenado pelo professor Celso Barreiro. Vai colocar no ar uma plataforma para as sugestões popular. Carlos Henrique informa que o partido ainda não definiu a data da convenção. 

Novo endereço

O Psol anunciou o vereador Marco Rillo pré-candidato a prefeito. A expectativa é para o anúncio da candidatura a vereador do ex-deputado estadual João Paulo Rillo. Marco, o pai, não deixaria uma eleição garantida para se aventurar numa chapa majoritária (à Prefeitura) se não tivesse amarrado sua vaga à candidatura do filho, o João. Se o João for eleito, fará da Câmara uma catapulta para voltar a Assembleia em 2022.

Saída pela direita

No Novo a situação está definida. Não há uma aferição do lastro que o partido tem. Ele aposta nas redes sociais. É uma candidatura ideológica. Esse partido faz um discurso pelo liberalismo econômico e rejeita a aproximação com quem não segue sua cartilha e não tenha ficha limpa. Filipe Marchesoni é pré-candidato a prefeito e tem um trunfo como vice: Aglae Antunes, delegada de polícia e filha do ex-prefeito Manoel Antunes. O grupo abriu mão do financiamento público e está sem dinheiro.

Solitário

Outro partido que pretende lançar um candidato solo é o Podemos. O empresário Kawel Lotti. Candidato na eleição passada, com pouca estrutura e tempo de TV, acabou obtendo menos que 2% dos votos. Até onde se sabe, Kawel mantém a mesma estrutura de quatro anos atrás. 

Trio de ferro

Existem outros jogadores de peso na rinha. Orlando Bolçone, DEM, Renato Pupo, PSDB, e aquela que desponta como a novidade na disputa: Coronel Helena, Republicanos.

À espera

Orlando Bolçone não nega a pré-candidatura, mas também não confirma. Só vai decidir no apagar das luzes. Segundo ele, tem uma terceira opção: nem participar do processo. Jura que, no momento, cuida da liberar as emendas parlamentares de seu último mandato como deputado estadual. Destinou dinheiro de emendas para prefeituras e entidades sociais. Foi com Márcio França. Dória segura. 

De Rodrigo

Na verdade, Bolçone está amarrado aos acordos costurados pelo vice-governador Rodrigo Garcia, o homem forte do DEM em Rio Preto e no estado. E em Rio Preto ela é com o prefeito. Ele quer Bolçone de vice de Edinho. Se o atual prefeito for reeleito, Bolçone herda a cadeira de Eleuses Paiva

O monge

Para Bolçone é o cenário perfeito. Edinho reeleito, com o seu apoio, ELE se cacifa para substituí-lo daqui a 4 anos. O prefeito não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo. E se fortalece, sem perder o cargo, para uma candidatura a deputado estadual em 2022.

Os arquitetos

Gostando ou não, a cidade que conhecemos hoje é resultado das passagens de Orlando Bolçone pela Secretaria de Planejamento desde 1983, no século passado. Assim como a cidade na qual os rio-pretenses vão viver daqui a 20 ou 40 anos emerge do que propõe hoje o atual, Israel Cestari Júnior.  

O tucano

Os tucanos de Rio Preto tentam retomar à vida após a terra arrasada deixada pelo ex-deputado Vaz de Lima, que foi convidado a se retirar. Recebeu um cartão vermelho do eleitor e da direção estadual. A reconstrução se dá em torno da candidatura do vereador Renato Pupo. Professor de Direito, delegado de Polícia, uma liderança nova, que tem lastro no rio-pretense tradicional e que busca ser uma opção da centro-direita à direita da cidade.

Se articula

Segundo Pupo, em 2 ou 3 semanas o PSDB vai divulgar programa e as alianças com grupos e partidos políticos com quem conversa. Para se contrapor à máquina pública municipal na mão do MDB ele conta com a máquina estadual, na mão dos tucanos. É certo, no entanto, que vai ter que convencer os eleitores com a sua própria imagem e trabalho. Afinal, o cabo eleitoral que poderia ajudar, hoje atrapalha: o governador João Dória. É muito provável que a convenção municipal que vai dizer como virá o PSDB seja 16 de setembro. Último dia do calendário.

A Coronel

À direita, além dos candidatos bolsonarista e do Partido Novo, o Republicanos tem um candidato que pode se transformar numa surpresa: a Coronel Helena. A afirmação pode ser precipitada. Mas, Diego Polachini, presidente do diretório municipal, acredita que ela se encaixa como uma luva na atual demanda do eleitor.

A família

O perfil da Coronel Helena atende a vários segmentos. Àqueles que acham que é hora de virar a página do que eles chamam de velha política e que procuram uma liderança nova, que nunca militou na vida pública, que não tenha os vícios e que tenha cometido atos reprováveis. Enfim, que represente aqueles que sempre ficaram ou se sentiram do lado de fora da festa.

Os sem poder

É uma candidata conservadora, ligada a pautas de gênero, que defende a família tradicional, a inclusão (mulher e de origem humilde) e ascendeu em uma profissão machista, a militar. Tem um perfil para capturar os votos de bolsonaristas, sem a guerra cultural dos radicais que espanta os moderados da direita. Para o Republicanos, a Coronel Helena é o retrato do brasileiro. O Republicanos tem grande expectativa.

Articulada

Pode ser silenciosa, mas ela se articula. E conta com a expertise da raposa Diego Polachini. Semana passada visitou o Partec (Parque Tecnológico). Considera que é presente e não o futuro da cidade. Diego acredita que Rio Preto parou no tempo quando se trata de incorporar novas tecnologias no dia-a-dia e na qualidade de vida do trabalhador. Faz visitas pontuais. Foi ao Sindicato Rural, cujo presidente, Sérgio Expressão, andou se estranhando com o prefeito Edinho Araújo.

Antagonistas

Nesse cenário ainda faltam dois atores políticos importantes no jogo e que se colocam como pré-candidatos. Eles são antagônicos e têm diferenças pessoais. O presidente do PL, o vereador mais bem votado na última eleição para a Câmara, Fábio Marcondes, e o presidente do PDT, Carlos Arnaldo. Alguns atores políticos veem na anunciada pré-candidatura de Marcondes apenas uma jogada no tabuleiro para se cacifar a vice. De preferência, de Edinho Araújo. Ou de Orlando Bolçone, pelo DEM, se Edinho optar por ele como vice. 

PDT de direita

Carlos Arnaldo tenta trilhar o mesmo caminho. Mas, ele e seu partido tem desafetos à direita e à esquerda. Enquanto o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, se coloca à esquerda, a advogada Luciana Fontes, presidente do diretório municipal do Psol em Rio Preto, afirma com todas as letras que o PDT de Rio Preto é de direita. Nos partidos de esquerda, Carlos Arnaldo não tem chance de ser vice. A direita está congestionada. Portanto, provavelmente lhe restará encabeçar a chapa para vereadores e tentar eleger um nome pelo partido.

Para assistir de camarote

Um operador que joga esse jogo há 50 anos, disse que o time do Edinho está definido. Edinho a prefeito, Bolçone a vice e Renato Pupo a vereador. Ele diz que os “tucanos não têm tempo de TV, não têm dinheiro e a estrutura do partido foi depenada”. Para ele, Pupo tentou ser vice, mas não conseguiu. Para Renato Pupo, essa declaração indica desespero. “Ele diz isso porque minha candidatura cresce todo dia e preocupa”. Dia 17 de setembro, o quadro estará consolidado. Os blefes terminam às 24h do dia 16.

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