Política
Secretário de Trânsito nega ilegalidade na Jari
Segundo Amaury Hernandes município segue lei federal
O secretário de Trânsito de Rio Preto, Amaury Hernandes, negou que as nomeações políticas para composição da Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações) possam implicar em fraude na análise de recursos dos motoristas.
A afirmação de Hernandes ocorreu nesta quarta-feira, 22, na Câmara Municipal, durante esclarecimentos aos vereadores Marco Rillo (PT), Celso Peixão (PSB) e Jorge Menezes (PTB). Requerimento aprovado na semana passada pelo Legislativo permitiu a presença do secretário para prestar informações sobre nomeações do prefeito Edinho Araújo (MDB) nas três juntas que compõem a Jari.
“As nomeações estão dentro do que diz Lei Federal que regulamenta as Jaris em todo o país. São três membros em cada junta que podem discordar da análise do membro presidente. Portanto, não existe como beneficiar ou prejudicar o motorista que entra com recurso”, diz o secretário.
No fim do mês passado revelações mostraram que pessoas ligadas ao prefeito Edinho e a partidos políticos foram nomeados para julgar os recursos impetrados por motoristas.
A nomeação dos integrantes é de responsabilidade do prefeito por meio de decreto. Edinho já disse a Gazeta não haver imoralidade nas nomeações. Entre os nomeados, o secretário de Saúde, Aldenis Borim e o subprefeito de Talhado, Pedro Nimer que também é o presidente do MDB local, partido de Edinho. Ainda consta como membro Sérgio Pursino. Ele é tesoureiro do PR, partido comandado na cidade pelo vereador Fábio Marcondes, também do PR, que recentemente fechou acordo com o governo para apoiar Edinho na Câmara em troca da indicação de aliados, justamente na secretaria de Trânsito.
Outro integrante é Jair Igor Gonçalves. Ele era assessor do vice-prefeito Eleuses Paiva (PSD), e até o início do mês passado atuava como chefe de gabinete do vice-prefeito, embora Eleuses tenha se afastado cargo para disputar as eleições deste ano. Ele é candidato a deputado federal. Igor pediu demissão do cargo após revelação de que compõe a Jari. Segundo determina o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) pelo menos um membro de cada junta precisa ter conhecimentos de trânsito.
Questionado pela Gazeta se mesmo legal a manutenção de integrantes do primeiro escalão do governo não seria imoral, Hernandes negou. “Um cidadão médico (secretário de trânsito) tem total capacidade de ler e entender de trânsito. São pessoas aptas a ler o código de trânsito e interpretar. As alegações (recursos dos motoristas) são muitas vezes furadas”.
Sobre a nomeação de pessoas ligadas a partidos, que inclusive apoiam o governo Edinho, o secretário negou haver prejuízo na analise dos recursos.
“A pessoa não representa partido é um cidadão que está julgando junto com outros dois membros. Não é verdade que uma analise sobrepõe as outras. São três membros.”
São em média 300 recursos analisados pela Jari por mês. Cada reunião dos membros da Jari para analisar os recursos gera um ganho extra de até R$ 500 reais. Podem ocorrer até nove encontros por mês, ou seja, R$ 4,5 mil reais para cada um. Somente o subprefeito de Talhado, Pedro Nimer, já recebeu neste ano mais de R$ 36 mil para participar em reuniões. O secretário de Saúde, Aldenis Borim que já recebe cerca de R$ 13 mil, recebeu como membro da Jari, mais de R$ 12 mil.
O Ministério Público de Rio Preto deu prazo de 30 dias para que a Prefeitura preste esclarecimentos sobre as nomeações na Jari, vinculada a secretaria de Trânsito. O pedido partiu do promotor Cláudio Santos de Moraes que aguarda as informações para determinar abertura ou não de inquérito.
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