Política
Semae abre temporada de caça aos gatos
Segundo a autarquia, ligações clandestinas provocam prejuízo mensal de aproximadamente R$ 1 milhão
O Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae) de Rio Preto divulgou nesta quarta-feira, dia 21, um plano conjunto com a Guarda Civil Municipal e as polícias Civil e Militar para combater fraudes no abastecimento de água na cidade.
Segundo o superintendente da autarquia, Nicanor Batista, já foram encontradas, desde o início do ano 930 fraudes para burlar a medição do consumo de água. As mais comuns são a instalação de dispositivos que prejudicam o funcionamento do hidrômetro como pedaços de arame e bolinhas de metal na tubulação do aparelho.
Outra irregularidade encontrada pelo Semae foi o chamado “by pass” que é um ramal paralelo ao hidrômetro que permite abastecer a casa sem que a maior parte do volume de água passe pelo medidor. “Nesses casos, fica claro que houve o trabalho de um profissional, seja ele construtor, pedreiro ou engenheiro. É algo normalmente feito durante uma reforma ou, até mesmo, na construção do imóvel”, disse Nicanor
O delegado José Luiz Chain, que participou na entrevista coletiva convocada pelo Semae, adiantou que a Polícia Civil vai abrir inquérito contra cidadãos flagrados pela fiscalização se beneficiando de gatos. “Comprovada a infração, fica caracterizado crime de furto e a pena pode chegar a oito anos de prisão, caso fique comprovado tratar-se de crime continuado”, adiantou.
Sem detalhar quantos casos, Chain afirmou que já existem inquéritos policiais que investigam fraudes no abastecimento de água na cidade e que as novas ocorrências serão encaminhadas à Justiça se a investugação comprovar o crime.
Mutirão
Um espécie de “mutirão” criado pelo Semae vistoriou desde o início do ano mais de 6 mil casas e projetou um índice de fraude que pode chegar a 14% dos 250 mil domicílios de Rio Preto. Pelo estudo, essa situação estaria gerando prejuízo na ordem de R$ 1 milhão por mês à autarquia.
“O resultado disso, é que não há dinheiro suficiente para investir em melhorias na rede e os reajustes da tarifa precisam ser feitos acima do que poderia. Talvez, se não fosse essa situação, o último reajuste [que foi de 16% em média] fosse de apenas 4%”, estimou o superintendente da autarquia.
Segundo ele, o Semae está investindo em inteligência, ao cruzar os dados históricos da média de consumo das casas e dos estabelecimentos comerciais para identificar indícios de ligações clandestinas. “Verificado o consumo anormal, um fiscal vai até o local e verifica se há algum defeito no hidrômetro, se houve algum fator natural que fez o consumo cair ou se realmente há algum tipo de gato”.
Identificada a fraude, o Semae abre procedimento administrativo, como multa que pode chegar a R$ 1,9 mil e cobrança do prejuízo estimado com a ligação clandestina. Ao mesmo tempo, o caso é encaminhado ao Distrito Policial responsável pela região em que a irregularidade é detectada.
A meta do Semae é de que a incidência de casos de fraudes caia, nos próximos dois anos, de 14% para menos de 4%.
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