Cidades
Polícia Civil instaura inquérito para apurar brigas entre Uber e taxistas
O delegado Laércio Ceneviva Filho, responsável pelo 1º DP, afirma que se os crimes foram comprovados, os suspeitos poderão pegar até 10 anos de prisão
Os confrontos entre os taxistas e motoristas do aplicativo Uber tornaram-se corriqueiros em Rio Preto. A cada semana uma nova ocorrência é registrada envolvendo uma das partes. Desde que o aplicativo de carona compartilhada começou a operar em Rio Preto, no dia 1° de fevereiro, pelo menos seis boletins foram registrados. Essas ocorrências levaram a Polícia Civil a instaurar inquérito para investigar os casos. Na semana passada, um motorista teve o carro danificado em frente a uma casa de shows na avenida Bady Bassitt. Ao parar para o embarque de uma cliente, um grupo cercou o veículo. Um dos agressores atirou uma pedra contra o vidro do automóvel e estilhaços atingiram à passageira. No dia da ocorrência, o motorista do aplicativo – que não quis se identificar – disse à Gazeta de Rio Preto que enquanto parte do grupo danificava o automóvel, outros tentavam puxá-lo para fora do veículo. Um deles chegou a dar um soco no rosto do motorista. “A passageira já estava dentro do carro quando um táxi se aproximou por trás impendido que eu fizesse qualquer manobra. Enquanto isso, um grupo se aproximou e começou a chutar meu carro e outros tentavam abrir as portas para me puxar para fora. A sorte que eu consegui trava-las antes por que vai saber Deus que iria acontecer caso eles conseguissem me tirar do carro”, afirma.
Na quarta-feira, dia 15, um grupo tentou fazer uma emboscada para um motorista Uber. Segundo o condutor, uma chamada foi feita em uma garagem de ônibus, no bairro Redentora. “Logo que cheguei ao local, notei que ali havia pelo menos uns 10 taxistas. Então, por precaução resolvi ligar para o passageiro e explicar a situação. Quando a pessoa atendeu pedi para que descesse até a rua debaixo para evitar problemas com os taxistas. A pessoa do outro lado começou a falar em tom debochado. Percebi que todos os taxistas estavam com pedras nas mãos e era uma armadilha. Deixei o local rapidamente e consegui escapar ileso”, conta o motorista.
Devido ao número de ocorrências, que vão desde ameaças, danos a veículos, agressões e até roubo, a Polícia Civil de Rio Preto abriu um inquérito para apurar os fatos. Segundo o delegado Laércio Ceneviva Filho, responsável pelo 1º Distrito Policial, medidas foram tomadas para evitar que aconteça algo ainda mais grave.
“Verificamos que a situação está se agravando e pode acontecer algo mais grave. Por isso instauramos o inquérito para apurar esta eventual associação criminosa formada com intuito de praticar crimes”, disse o delegado, ressaltando ainda que os criminosos poderão responder por associação criminosa, por envolver mais de três pessoas, e também por dano, roubo e constrangimento. “Caso os suspeitos sejam identificados, poderão até serem presos com pena que pode chegar 10 anos”, ressaltou. Após a abertura do inquérito policial, as primeiras vítimas serão chamadas para narrar os fatos e logo em seguida serão ouvidas as testemunhas das ocorrências. “Enquanto as vítimas e testemunhas estiverem prestando esclarecimentos, nossos investigadores já tentam identificar os agressores. Se for necessário vamos pedir prisões cautelares”, afirma o delegado do 1º DP.
Pagamento em dinheiro
Depois de pouco mais de 45 dias operando em Rio Preto, apenas com pagamento em cartão de crédito, o aplicativo Uber passou a aceitar também pagamento em dinheiro. Para selecionar a opção, basta que o usuário opte por dinheiro como forma de pagamento no aplicativo e pague direto ao motorista ao final da corrida.
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