Política
Rio-pretense assumirá o Ministério das Relações Exteriores
Senador por São Paulo, Aloysio Nunes ingressou na política em grupos de extrema esquerda antes de migrar para o PMDB e finalmente para o PSDB
O rio-pretense e senador Aloysio Nunes (PSDB) será o ministro das Relações Exteriores a partir da próxima terça-feira, dia 7. O anúncio foi feito pelo Palácio do Planalto minutos depois de o tucano – que é líder do PSDB no Senado – se reunir com Michel Temer (PMDB). Aloysio vai substituir o colega de partido e também senador por São Paulo, José Serra, que pediu demissão, segundo ele, para tratar de problemas na coluna.
Como novo chanceler, caberá a Aloysio Nunes representar o Brasil em compromissos internacionais e junto a embaixadas estrangeiras no país, além de chefiar as delegações brasileiras no exterior. O rio-pretense ocupava, desde maio, a liderança do governo no Senado, quando Temer ainda ocupava interinamente a Presidência da República. Ele foi eleito para mandato de oito anos como senador em 2010 e deve se afastar do cargo em meados do ano que vem para poder disputar nova eleição.
O Palácio do Planalto informou que Aloysio Nunes e o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Osmar Serraglio, cuja confirmação no cargo foi feita há uma semana, tomarão posse na terça, às 15h30.
“Nós temos desafios muito importantes como dar nova vida ao Mercosul e aproximá-lo dos países da Aliança Polo Pacífico [Aliança do Pacífico formada por México, Colômbia, Peru e Chile]. Agora, um novo entendimento entre o Mercosul e a União Europeia pode dar a oportunidade de uma nova inserção mais competitiva do Brasil no mundo”, afirmou Aloysio por meio de sua página no Facebook, dando uma dica de quais serão suas prioridades à frente do Itamaraty.
Perfil
Aloysio Nunes Ferreira Filho tem 71 anos e é senador desde 2011. Na eleição presidencial de 2014, concorreu como vice-presidente da República na chapa encabeçada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), que chegou ao segundo turno, mas foi vencido nas urnas pela chapa Dilma/Temer. Além de ter exercido mandatos de deputado estadual e federal por São Paulo, Aloysio foi vice-governador do estado de 1991 a 1994, durante a gestão de Fleury Filho.
No governo Fernando Henrique Cardoso, Aloysio foi ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, de 1999 a 2001, e comandou o Ministério da Justiça, em 2001 e 2002. Formado em direito pela Universidade de São Paulo, o novo ministro fugiu para a França no período da ditadura militar, onde viveu por 11 anos, se formou em economia e fez mestrado em ciência política pela Universidade de Paris. No lugar de Aloysio Nunes no Senado, assumirá o primeiro suplente, Airton Sandoval (PMDB-SP). (Com informações de Agência Brasil)
Aloysio foi chofer de Marighella
Aloysio Nunes se engajou na política com 21 anos, presidindo o Centro Acadêmico XI de Agosto, em 1967, quando cursava direito no Largo São Francisco. No mesmo ano, filiou-se ao PCB, que existia apenas na clandestinidade. Foi quando conheceu José Dirceu, então presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), e que viria a se tornar um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores.
No ano seguinte, passou a integrar a Ação Libertadora Nacional (ALN) e entrou na luta armada contra o regime militar. Foi motorista de Carlos Marighella, o principal líder da ALN, em algumas ações e chegou a participar do famoso assalto ao trem pagador Jundiaí-Santos, em 1968. Segundo relatos da época, a missão de Aloysio foi dirigir um dos carros e, em seguida, guardar o dinheiro roubado. O valor seria usado para financiar as ações armadas. Para atuar na clandestinidade, adotou codinomes como Lucas e Matheus. Ainda em 1968, quando era procurado pelos órgãos de repressão do regime militar, foi enviado por Marighella a Paris, onde atuou como embaixador da guerrilha. Era função do futuro ministro das Relações Exteriores fazer contato com políticos e publicações de esquerda na Europa para buscar apoio ao movimento brasileiro. No período que passou na França, filiou-se ao Partido Comunista Francês.
Posteriormente, ao falar sobre o passado de guerrilheiro, o agora ministro dizia ter uma visão “absolutamente crítica” do movimento que, segundo ele, tinha uma “tática equivocada”, principalmente por combater a ditadura por uma via “não-democrática”. De volta ao Brasil, filiou-se ao PMDB em 1982 e, em 1997, migrou para o PSDB, partido no qual milita atualmente. Passou de extremista de esquerda a defensor de medidas conservadoras como a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
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