Política
Juiz eleitoral usa discurso para enquadrar eleitos durante diplomação
José Manuel Ferreira Filho, que vai julgar vereadores investigados pela PF, aproveitou cerimônia para aplicar um “puxão de orelha” nos diplomados
As mais de duzentas pessoas que assistiram presencialmente a diplomação dos eleitos, na tarde da última sexta-feira, dia 19, na sede do Senac de Rio Preto – assim como outros milhares que acompanharam a cerimônia pelas redes sociais – notaram o claríssimo “puxão de orelha” que o juiz da 125ª Zona Eleitoral, José Manuel Ferreira Filho, dirigiu aos políticos que assumem seus novos mandatos no próximo dia 1º.
Durante seu discurso inicial, o magistrado ressaltou o tamanho da responsabilidade assumida pelos eleitos e destacou, principalmente, a obrigação moral que esses têm em cumprir as promessas feitas durante a campanha eleitoral em setembro e outubro passados. “Aos candidatos eleitos, peço para não se esquecerem de que foram escolhidos por cidadãos que acreditaram em suas ideias e confiaram a vossas excelências os destinos da nossa comunidade. Portanto, não os traiam.”, disse o magistrado se dirigindo diretamente aos diplomados.
Antes de encerrar, o juiz destacou ainda a necessidade de manter o interesse público sempre a frente dos desejos pessoais durante todo o tempo de permanência no cargo. “Tenham sempre em mente que o mandato conferido a vossas excelência é do povo e é para o povo que se deve governar, priorizando sempre a causa pública e social, em detrimento dos interesses individuais mesquinhos. Aqueles que se pautarem na vida pública por essa diretriz, tenho certeza, darão uma enorme contribuição à sociedade e deixarão seus nome gravados para sempre, não só na história de Rio Preto, mas na lembrança de seus bons cidadãos”.
Perguntado sobre a possibilidade de a Justiça Eleitoral cassar os diplomas, em caso de eventual condenação, o juiz confirmou que é mais provável a cassação do futuro mandato. “Eles (investigados) continuam respondendo pelas ações até o desfecho. Podem ter a cassação do diploma ou se já tiverem tomado posse, cabe a cassação do mandato. Tudo indica que não vai dar (tempo) para cassar o diploma, mesmo se a ação for procedente. Mas pode ser a cassação ou do mandato”, afirmou o juiz da 125ª Zona Eleitoral logo após a cerimônia de diplomação.
Investigações
Ferreira Filho será o responsável por julgar os candidatos (eleitos, reeleitos e não eleitos) de Rio Preto acusados pelo Ministério Público Eleitoral de compra de votos, abuso do poder econômico e corrupção eleitoral. Entre eles, o atual presidente da Câmara, Fábio Marcondes (PR), que foi citado pela Justiça Eleitoral na última quarta-feira e tem até segunda, 19, para apresentar defesa.
A ação contra o vereador, reeleito como mais votado da cidade em 2 de outubro, com 8.095 votos, foi proposta pelo Ministério Público a partir de investigação da Polícia Federal. O inquérito da PF serviu para o promotor Cláudio Santos de Moraes acusar Marcondes de se beneficiar de um suposto esquema de compra de votos que teria incluído distribuição de dinheiro e presentes como cestas básicas, tijolos, cadeira de rodas, chuteiras e até bolas.
Desde que tiveram início as investigações, o presidente da Câmara se recusa a falar com a imprensa sobre o assunto.
Outros
Também são investigados pela PF por suposta compra de votos o vereador eleito Jean Dornelas (PRB) e o vereador Maurin Ribeiro (PCdoB), que não conseguiu se reeleger. Ainda não há ação formalizada contra nenhum dos dois. Ambos negam as irregularidades.
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